sexta-feira, 12 de julho de 2013

Saúde como instrumentação político



Há algumas semanas publicamos neste mesmo espaço o artigo que titulamos “O que é isso, companheiro?”, inspirado no título do livro de Fernando Gabeira. Naquela ocasião, contrapomos a forma pela qual o governo brasileiro buscava a contratação de médicos estrangeiros defendendo a validação dos diplomas para habilitação profissional, como também criticando a contratação de médicos cubanos.

Com relação à contração dos seis mil médicos cubanos prometidos pelo ministro Alexandre Padilha, afirmamos que era uma forma do governo brasileiro “subsidiar o governo cubano, com milhões de dólares ao mês”. Todo trabalhador em Cuba, inclusive os médicos, é servidor do governo, sem autonomia profissional. O próprio direito de escolha do local de trabalho é restrito. As exceções são prioridades limitadas aos membros do partido.

Os contratos para cessão de médico por Cuba, a exemplo do que é feito com a Venezuela, são firmados entre governos. O médico cubano, portanto, não tem qualquer liberdade para escolher e firmar contrato com nenhuma instituição, muito menos se ela estiver em um país estrangeiro. Mencionamos isto, com absoluta convicção, por conhecer in loco a realidade do trabalho médico em Cuba.

É estranho que somente agora o governo brasileiro tenha se dado conta desse fato, para informar que desistiu da contratação dos cubanos. Nossa embaixada em Cuba é extremamente atuante e conhece com detalhes o funcionamento burocrático da Ilha.

Vejam o que não faz “a voz rouca das ruas”. Ficaria muito difícil sustentar mais essa ajuda para Cuba. Já não bastam as obras de infraestrutura realizadas com recursos do BNDES, subsidiados pelo povo brasileiro?

Nos últimos dez anos deixamos que a nossa Petrobras fosse expropriada pela Bolívia; que empresas brasileiras fossem expulsas e perdessem recursos no Equador; abrimos mão do Tratado de Itaipu com o Paraguai; perdemos estradas de ferro e continuamos a ser tripudiados pela Argentina; liberamos dívidas de bilhões de dólares com países africanos.

Até parece que todos os nossos problemas foram resolvidos e que “agora somos um país desenvolvido”, da forma com que muitas vezes nos querem fazer crer. O que não faz o oportunismo? O que deixa acontecer a ignorância?

O principal problema da saúde no Brasil é a falta de financiamento. Gastamos muito pouco ainda com o setor. Muito aquém do que gastam os nossos próprios vizinhos, tais como Argentina, Chile e Colômbia. Esse problema ainda é agravado pela insipiência da gestão pública e pela corrupção.

A contratação de médicos estrangeiros, portanto, não é nenhuma solução para resolver os maiores problemas da saúde. Alexandre Padilha ao afirmar “que o programa não vai tirar vagas de médicos brasileiros, pelo contrário, vai gerar mais empregos para esses profissionais”, na realidade comete mais um equívoco. O que não necessitamos é emprego para médicos estrangeiros, mas melhorar os serviços já existentes.

Nos últimos anos as Santas Casas de Misericórdia e os Hospitais Filantrópicos acumularam uma dívida de R$ 10 bilhões, pelo descaso do governo com a saúde. Essas entidades são responsáveis por cerca de 50% dos atendimentos do SUS.

O que estão anunciando para a saúde não é nada mais que outras balelas. Por isto as medidas anunciadas não têm encontrado apoio das entidades sérias do nosso país.

Infelizmente, tudo indica que o que estamos assistindo é a campanha antecipada para governador de São Paulo.