quinta-feira, 12 de maio de 2016

Lá se vai a era petista.

Concluída pelo Senado Federal a fase de admissibilidade do processo para o impeachment de Dilma Rousseff (PT-RS) da presidência da República, torna-se muito remota a sua possibilidade de retorno. É lastimável, entretanto, a herança que ela e o Partido dos Trabalhadores deixam aos próximos governos. Esta herança é o que se pode chamar verdadeiramente de “maldita”, uma vez que engloba uma gravíssima crise política, ética e econômica, sem precedentes na vida política republicana nacional, em prejuízo de toda a sociedade.
Essa bomba começou a ser armada ainda no primeiro mandato do ex-presidente Lula da Silva (PT-SP). Naquela época o governo petista vendeu aos brasileiros a ilusão de que todos os problemas nacionais estavam resolvidos. A economia brasileira navegava em céu de brigadeiro e o país crescia impulsionado pelo crescimento do mundo e pelo preço de nossas commodities, que alcançava valores nunca antes imaginados. O dinheiro entrava de forma abundante irrigando a economia, que ainda mantinha os fundamentos básicos do Plano Real, legado de seu antecessor.
No segundo mandato, com a economia sob o comando do ex-ministro Guido Mantega (PT-SP), o ex-presidente extrapolou na gastança, para apagar as manchas deixadas pelo escândalo do MENSALÃO.  A crise externa era apenas uma “marolinha” e o Brasil era vendido aos brasileiros como “desenvolvido”, sem dívida externa e sem pobreza. Puro populismo! Enquanto a imprensa livre e a oposição eram massacradas, a roubalheira corria solta para compra de apoio político e a eleição de Dilma Rousseff. Com popularidade, o ex-presidente estimulava o peçonhento “nós” contra “eles”.
Eleita, Dilma encontrou uma sociedade dividida. Quem ousava criticar os rumos do governo invariavelmente era “alarmista”, “pregador do caos”. Nesse momento a política econômica anticíclica de Guido Mantega já apresentava os primeiros sinais de esgotamento. Mas o ex-presidente Lula da Silva continuava a dar as ordens à sua criatura: o governo não precisa fazer superávit primário, era necessário continuar gastando para manter o crescimento econômico.
Nas últimas eleições, quando a Operação Lava-Jato começava a mostrar ao país a sistematização da roubalheira que se entranhou no ceio do governo e dizimou a Petrobras, a Eletrobras e demais empresas públicas, a então candidata mentiu aos desavisados da realidade em que o país se encontrava. O Brasil estava quebrado, pela intervenção do governo na economia e desleixo com a Lei de Responsabilidade Fiscal. Honestidade? Como dizer-se honesta depois de fazer tudo isto e ainda o “diabo” para manter o projeto de poder lulopestista?
O presidente em exercício Michel Temer (PMDB-SP) pega um país quebrado, com mais de 300 mil empresas fechadas e 11,1 milhões de desempregados. A dívida pública assume patamares que sufoca toda economia, pela necessidade do desembolso de mais de R$ 500 bilhões com o pagamento de juros. E enquanto a recessão inibe toda autoestima de um povo, a Operação Lava-Jato espelha um Brasil saqueado, envergonhando-o diante do mundo.
Nada poderia ser pior do que essa realidade sombria. Como o dizer do jornalista Elio Gaspari “a doutora vive em outro mundo ou julga-se com poderes suficientes para oferecer à população uma vida de fantasia”. Daí a invenção de um golpe. Mas, nada pior do que a arrogância sem nenhum esteio moral. Nenhum país aparelhado, governado pela irresponsabilidade e incompetência poderá julgar-se uma pátria educadora. Há muito que fazer pela frente!