sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Insanidade do poder


Há poucos dias o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB-RJ), em entrevista coletiva sobre as manifestações na capital fluminense, solicitou “de coração”, que os manifestantes deixassem a frente de seu prédio, onde se encontravam acampados. O argumento, veemente e lacrimoso, foi de que ali ao final do Leblon é sua residência; que lá está sua vida privada e seus filhos, um com seis anos e o outro com onze.

Em nenhum momento Cabral mencionou os incômodos que os protestos vêm causando aos vizinhos. Muitos com crianças recém nascidas e de colo, outros doentes e idosos, têm inclusive solicitado a mudança do governador. A gritaria, o barulho das bombas de gás lacrimogêneo e dos tiros de borracha, as sujeiras e depredações, decorrentes dos embates entre os manifestantes e a polícia, mudaram toda rotina do bairro.

Quem assistiu essa entrevista, por certo observou a arrogância e a prepotência do governador, mesmo com o evidente propósito de se fazer humilde - talvez a exemplo do Papa Francisco. Mas, primeiro ele pensou em si e nos seus, como “vítimas”, deixando em último plano os que deveriam ser o alvo de suas preocupações, como governante. Estes nem sequer foram citados.

Fica aqui um exemplo clássico do comportamento da maioria dos nossos políticos. Na hora do voto mostram-se com humildade. Depois de eleitos, no poder, sentem-se como donos da verdade, como se já não precisassem prestar contas de seus atos. Alguns chegam até ao extremo de confundir o patrimônio público com o privado. A vaidade e a alucinação pelo poder tomam-lhes conta!

Assumida essa postura, não lhes faltam os bajuladores a alimentar com aplausos os seus egos e suas vaidades. Esse tipo de político sabe que a todo tempo pode contar com os partidários e seus fiéis seguidores. Estes sempre estarão prontos, a qualquer hora do dia e da noite, a defendê-los por qualquer ato praticado, mesmo que o mais reprovável.

A bajulação em muitos casos chega à raia do absurdo. O ex-presidente Lula da Silva (PT-SP) chegou a ser ovacionado, ao explicar à eclética platéia - que transitava desde a extrema esquerda golpista à extrema direita fascista -, as razões da mudança climática. As palavras do ex-presidente foram as seguintes:

Essa questão de clima é delicada por quê? Porque o mundo é redondo. Se o mundo fosse quadrado ou retangular, e a gente soubesse que o nosso território está a 14 mil quilômetros de distância dos outros centros poluídos, ótimo, vai ficar só lá! Mas, como o mundo gira, e a gente passa lá de baixo onde está mais poluído, a responsabilidade é de todos.

Em outra ocasião nosso ex-presidente também foi muito aplaudido ao dizer: Eu não mudei de ideologia. A vida é que muda. A cabeça tem essa forma para as idéias poderem circular. E até hoje muitos estão convencidos de que as idéias circulam pelo formato da cabeça, haja vista que eles acreditam fielmente em tudo o que diz nosso ex-presidente.

Esta semana foi a vez da presidente Dilma Rousseff (PT-RS) durante visita a Varginha – MG. Os aplausos começaram com o discurso: Primeiro eu queria te dizer que eu tenho muito respeito pelo ET de Varginha. E eu sei que aqui, quem não viu, conhece alguém que viu, ou tem alguém na família que viu, mas de qualquer jeito eu começo dizendo que esse respeito pelo ET de Varginha está garantido.

Nossos políticos sentem-se como os verdadeiros reis do universo, muito além do bem e do mal. Podem dizer e fazer de tudo, pois sempre haverá uma platéia garantida a dar-lhes aplausos.