terça-feira, 20 de agosto de 2013

Dona Leopoldina, Imperatriz do Brasil


Dia 5 de novembro de 1817. O Rio de Janeiro era só euforia, para receber a princesa que chegava. A ornamentação fora preparada por Debret para uma comemoração jubilosa, com salvas de tiro de artilharia e canhões, repique de sinos e três dias de festa. O casamento com o príncipe D. Pedro fora por procuração, após negociação do Marquês de Marialva com a corte austríaca, em Viena. No dia 6 se celebraria a consagração na capela real.
D. Leopoldina, então com 20 anos, chegava ao Brasil na nau “João VI” acompanhada por botânicos, zoólogos, médicos, músicos e pintores. Sua educação fora primorosa, com os melhores preceptores das ciências, das artes, da política, de geografia e história, além do estudo de vários idiomas. Uma distinção da Casa dos Habsburgos, a mais duradoura e tradicional dinastia real europeia, muito rica e poderosa.
Na época, o casamento entre a nobreza era por conveniências geopolíticas e econômicas. Assim, D. João VI via na aliança à Casa da Áustria uma forma de libertar o Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves da pressão e do monopólio da Inglaterra; Francisco I, por sua vez, via a possibilidade de influenciar no Novo Mundo com suas imensas riquezas.
Contudo, a Princesa Leopoldina chegava ao Brasil apaixonada pelo príncipe herdeiro, a quem conhecia por um retrato em uma medalha, presente de casamento que levava no pescoço, e informações do Marques de Marialva, enaltecendo qualidades em D. Pedro. Também vinha fascinada em aprimorar seus conhecimentos de botânica e mineralogia.
Neste enlevo, ainda a bordo, a princesa escreve à tia D. Amélia, esposa de Luiz Felipe, que “a entrada do porto é sem par, e acho que a primeira impressão que o paradisíaco Brasil faz a todo estrangeiro é impossível de descrever com qualquer pena ou pincel”, demonstrando o imediato encantamento por sua nova pátria.
Por suas virtudes, não demorou que D. Leopoldina conquistasse a simpatia da corte e a admiração do sogro D. João VI, com quem manteria uma relação de grande amizade. A única restrição era a sogra, D. Carlota Joaquina, que considerava uma pessoa de má índole.
O casamento no princípio foi harmonioso. O casal partilhava o mesmo gosto pela música, passeava e realizava constantes cavalgadas. Mas não tardou à princesa observar as vulnerabilidades da corte lusa e a vivenciar o jeito rude e infiel do príncipe herdeiro. Mesmo assim, mantinha seu senso de dever, enfrentando as situações adversas com extrema discrição.
Em 1921, após a Revolução do Porto (1820), D. João VI é forçado a voltar para Portugal, em um momento de profunda crise, decorrente da invasão napoleônica e do fim do monopólio comercial com o Brasil. Os revoltosos, além de se rebelarem contra o protetorado britânico, exigem a total submissão e o retorno do Brasil à condição de colônia.
D. Pedro, todavia, permanece no Brasil como regente, não obstante a intensa pressão da corte portuguesa, para que ele também voltasse a Portugal. A imposição dos portugueses fica então mais acirrada. Porém, D. Leopoldina com arguta sensibilidade e inteligência, se junta aos brasileiros na defesa da pátria, terra também de seus filhos.   
Em 2 de setembro de 1822, durante viagem de D. Pedro a São Paulo, D. Leopoldina assume a Regência, no momento em que a corte portuguesa radicaliza suas ações. Então, reúne o Conselho de Estado, ao lado do ministro José Bonifácio, e Decreta a libertação do Brasil de Portugal.
No dia 7 de setembro D. Pedro recebe esse Decreto às margens do rio Ipiranga e proclama a independência do Brasil. Em 12 de outubro é coroado Imperador e D. Leopoldina Imperatriz do Brasil.
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Na próxima semana publicaremos a segunda parte: "Uma Imperatriz despedaçada"