sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Indução midiática


Até bem pouco tempo o marketing político era utilizado apenas nas campanhas pré-eleitorais, principalmente nos programas de rádio e televisão. Pela ótica dos políticos, as veiculações de televisão devem ser as mais atraentes, com músicas e imagens adequadas, pela grande audiência que têm. Também devem ser convincentes, com uma boa estratégia, para prender e convencer os espectadores.
Os “bons” marqueteiros, então, passaram a ser disputadíssimos no mercado publicitário da política. Consequentemente, as propagandas passaram a custar uma verdadeira fortuna. Nas últimas eleições presidenciais do Brasil houve inclusive um candidato que importou dos Estados Unidos a mesma equipe que fez a campanha de Barack Obama, somente para formular suas estratégias.
Além de caras, o marketing tornou as campanhas eleitorais extremamente artificiais e enganosas. Vende-se aos eleitores aquilo que o candidato não poderá entregar, sem lhes dar qualquer chance e direito de apelar ao PROCON.   
A principal ferramenta do marketing político é a pesquisa qualitativa. Através dela é que o marqueteiro verifica a vontade dos eleitores. Assim, se a maioria prioriza o atendimento na área da saúde, explora-se mais esse tema; se o anseio é pela segurança pública, prioriza-se essa área. Em resumo, o candidato tem que dizer o que o eleitor quer ouvir. Se depois ele irá cumprir, ou não, as promessas de campanha, aí é outra questão, outro problema.
Pela remuneração, a carreira de marqueteiro é muitíssimo atraente. Diversas instituições de ensino passaram a ofertar esta especialização, inclusive em nível de pós-graduação. No entanto, poucos são os marqueteiros que procuram estudar com profundidade a ciência política, embora isto pudesse dotá-los de muito mais conhecimento, em benefício de um trabalho mais sério e mais ético.  
Infelizmente, nos últimos anos, o marketing político também passou a orientar os governos. A maior ênfase se vê no governo petista, principalmente a partir do segundo mandato do ex-presidente Lula da Silva. Mas, com a presidente Dilma Rousseff a função de marqueteiro de governo foi oficializada, com a adoção de João Santana, que é o orientador de cada um dos movimentos da presidente.
Há algum tempo era permitida a propaganda política personalizada. Com a proibição desse tipo de propaganda, utiliza-se agora o marketing pessoal, de modo a promover a imagem do executivo e induzir os eleitores da “eficiência” do governo. A propaganda, neste aspecto, foi sobrepujada pelo marketing; virou um instrumento auxiliar.
Mesmo assim, conforme publicado no jornal “O Estado de São Paulo”, na edição do último domingo, os governos petistas de Lula da Silva e de Dilma Rousseff gastaram R$ 16 bilhões em propaganda, nos últimos 10 anos. Essa quantia seria muito melhor aplicada nas áreas da saúde ou da educação, que são áreas extremamente carentes de recursos.
Fôssemos um país com melhores leis e governantes, certamente tal desperdício de recursos públicos, em benefício pessoal de quem ora ocupa o poder e dos partidos políticos, não seria permitido.
O marketing político deveria ser banido dos programas pré-eleitorais. A fala do candidato, deste modo, seria olho no olho com eleitor. Do mesmo modo as propagandas e o marketing de governo. Teríamos, então, campanhas políticas menos caras e a população muito mais esclarecida, sem manipulação de marqueteiros.