quinta-feira, 12 de março de 2015

Nutridos pela ambição e pelo ódio (e por mentiras também!)

Ao tomar posse no primeiro mandato, em janeiro de 2003, o ex-presidente Lula da Silva assumia o compromisso de dar um “impulso ao projeto nacional de construir, neste rincão da América, um bastião da tolerância, do pluralismo democrático e do convívio respeitoso com a diferença". Também assumia “combater à corrupção e a defesa da ética no trato da coisa pública”, dizendo que estes seriam “objetivos centrais e permanentes” de governo.
Iniciou-se logo depois, sob a coordenação do ministro chefe da Casa Civil de então, José Dirceu (PT-SP), o loteamento do governo e a cooptação de parlamentares para composição de uma ampla maioria no Parlamento. Daí, não demorou que surgissem as primeiras denúncias, inclusive a de corrupção nos Correios, que ensejaria o deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) a denunciar o MENSALÃO. O discurso começava a mostrar-se um, enquanto a prática outra!
Mesmo com a crise do MENSALÃO, o ex-presidente muito mais pelo populista e carisma que pela competência, enlevou-se no povo. Inflado, apagou por conveniência a transição histórica promovida pelo antecessor, Fernando Henrique Cardoso (FHC), que lhe facilitara a iniciação no governo. Em troca, começou a apequenar o legado de FHC, adjetivando-o como “herança maldita” o “efeito Lula”, que desestabilizara o mercado, provocando uma fuga enorme de capital estrangeiro.
Para estancar esta crise, Lula da Silva se comprometeu, ainda antes da eleição, a respeitar os contratos. Também, por intermédio do governo de FHC, acabou por firmar a chamada “Carta ao povo Brasileiro”, que passou a nortear a campanha. Não por outro motivo, já no governo nomeou técnicos competentes do ninho tucano para o Ministério da Fazenda, a fim de assessorar Antônio Palocci. Para o Banco Central foi escolhido Henrique Meirelles, deputado Federal eleito pelo PSDB de Goiás.     
No segundo mandato a economia brasileira começou a desandar, após pressão da cúpula governista, inclusive da atual presidente Dilma Rousseff (PT-RGS), para a substituição dos ditos “tucanos” por uma equipe exclusivamente petista, comandada por Guido Mantega (PT-SP). O mesmo aconteceu no aspecto ético, com a preparação de dossiês falsos contra os adversários e a estratégia de melar o julgamento do MENSALÃO.
Também surgiu o escândalo dos cartões corporativos, preparados no Palácio do Planalto para incriminar os desafetos petistas, que incluía Dona Ruth Cardoso - uma intelectual honrada e respeitada, com imensuráveis serviços prestados ao Brasil. Dilma Rousseff era a ministra da Casa Civil e sua secretária-executiva, dita de confiança, Erenice Guerra (PT-DF), seria responsabilizada pelo dossiê. Algum tempo depois, a mesma Erenice seria destituída do governo, por tráfico de influência em proveito próprio e da família.
Com Dilma Rousseff assistimos as demissões de ministros, ditas por “maus feitos”, após relevantes denúncias de corrupção. Tornou-se, então, patente que a corrupção se tornara endêmica desde o início dos governos petistas, embora ambos os presidentes nunca soubessem de nada, nem mesmo da máfia que nomearam para quebrar a Petrobras. E de novo tentaram jogar a culpa em FHC.
Constrangido, o próprio delator Pedro Barusco, ex-gerente da diretoria de Serviços da Petrobras, não pôde negar na CPI ora em curso na Câmara de Deputados, que a corrupção na Petrobras foi sistematizada a partir do governo petista, em 2004.

Agora, depois de 12 anos de governo petista, o Brasil se vê no epicentro de uma enorme crise econômica e política. Vem à tona o estelionato eleitoral da campanha, fomentado por um projeto de perpetuação no poder, no ódio do “nós” contra “eles” (a oposição) e na mentira. Com toda elegância, o ex-presidente FHC diz-se contra o impeachment, embora acuse os maus tratos e a falta de diálogo, conforme entrevista concedida à “Folha de São Paulo”. Mas, enfim, os brasileiros sangrados pelos governos petistas ganham as ruas.

sexta-feira, 6 de março de 2015

Feitiço contra os feiticeiros

Dizem que em casa que não tem pão todo mundo tem razão. Daí a crise política que se abateu sobre o país, erigida após o desdobramento da operação Lava-Jato - o maior escândalo de corrupção da nossa história e quiçá dos maiores do mundo - e da crise econômica, que se mostrou infinitamente mais robusta aos “desavisados”, após a presidente Dilma Rousseff (PT-RGS) assumir o segundo mandato. O fato é que muitas torneiras tiveram que ser imperativamente fechadas.
O primeiro sintoma que veio à tona, então, foi o descontentamento do PMDB. Os expoentes peemedebistas sempre souberam do projeto de hegemonia e de perpetuação no poder do PT, em curso desde a ascensão de Lula da Silva à presidência da República, em 2003. Enquanto o alvo da fúria petista era desgastar o mais que possível a imagem do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e aniquilar a oposição, o PMDB ia muito bem, deleitando em seu camarote. Calo nos pés dos outros não dói!
Durante o primeiro tempo da partida jorrava dinheiro no governo. O mundo crescia como nunca, impulsionado pela China, e os preços das nossas commodities chegaram às nuvens em céu de brigadeiro. A arrecadação crescia a cada mês; recorde sobre recorde. Assim, o apoio majoritário do PMDB tornou-se quase irrestrito. Em troca, bons ministérios e cargos nos demais escalões e nas empresas públicas.
Nessa etapa da partida não faltaram aplausos de peemedebistas, junto aos demais governistas, para as barbas do ex-presidente Lula da Silva e os atos mais esdrúxulos, com objetivo nítido de manter o governo na mídia.
Agora, no segundo tempo, após a posse da presidente Dilma Rousseff (PT-RGS) em seu segundo mandato, o PMDB sentiu na carne que a situação já não era a mesma. Primeiro, porque a presidente se fechou no chamado “núcleo duro”, integrado por ministros da sua confiança, exclusivamente petistas. Segundo, porque os ministérios que lhe foram conferidos, independente do tamanho da bancada, têm muito menos peso político e recursos financeiros que nos governos anteriores.
Além do mais, o PMDB sentiu o risco de ser alijado do poder, e conservou a mágoa da estratégia montada pelo ministro da Casa Civil, Aloísio Mercadante (PT-SP), de enfraquecer o partido, usando o atual ministro das Cidades, Gilberto Kassab (PSD-SP) - tido como “prostituta do Planalto” -, para criar uma nova legenda, o Partido Liberal (PL) que fragmentaria o PMDB e a oposição.  
 Para azedar ainda mais as relações, com o desenrolar da operação Lava-Jato e o pedido de abertura de inquérito ao Supremo Tribunal Federal (STF), pela Procuradoria Geral da República (PGR), contra os políticos com mandato, o PMDB se viu empurrado para o topo da crise. O presidente do Senado Federal, Renan Calheiros (PMDB-AL), e da Câmara dos Deputados (PMDB-RJ), Eduardo Cunha, julgavam-se imunes ao processo.
Ambos os presidentes daquelas casas legislativas sentiram-se jogados na crista do furacão pelo PT. Entretanto, a lista do procurador Geral de República, Rodrigo Janot, é extensa. Quase a totalidade dos nomes deve ser de parlamentares do PT e do PMDB, na sua maioria previsível, pela própria atuação na defesa do governo, tanto no período do ex-presidente Lula da Silva como no de Dilma Rousseff.

Sabe-se que nessa briga não tem santo. Contudo, os nervos vão à flor da pele, conforme se viu na última quinta-feira, durante a abertura da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras. Observa-se, portanto, que o PT começa a receber o troco por tudo aquilo que tem plantado em sua estadia desvairada no poder.

segunda-feira, 2 de março de 2015

A Sabinada – A guerra pela separação da Bahia (Parte II)

Por Wagner Medeiros Junior


Representação dos conflitos entre os farrapos e as tropas imperiais.

Mal começou a desfraldar a bandeira alvianil que substituíra o pavilhão do Império no Forte de São Pedro, iniciou-se o êxodo de São Salvador da Bahia de Todos os Santos, capital da província da Bahia. Primeiro foram as autoridades civis e militares leais à Coroa. Logo depois os moradores contrários à separação da Bahia do Império do Brasil. Cada um que emigrava levava tudo o que podia carregar, inclusive os estoques de víveres, aproveitando-se da inação do novo governo, que esperava a sublevação do interior para consolidar o movimento.
A força restauradora do Império, por sua vez, prontamente se organizava: Um governo provisório foi instalado em Cachoeira e a Guarda Nacional recrutada, com o apoio logístico e financeiro da aristocracia rural do Recôncavo. Assim, cada um dos levantes que iam surgindo fora da capital acabava por ser imediatamente sufocado, a começar pelo da Ilha de Itaparica, o que fez com que os separatistas ficassem imperativamente isolados. E para dificultar-lhes ainda mais a situação, a capital foi sitiada através de um bloqueio por terra e mar. 
A estratégia de sitiar a capital fora bem sucedida durante a expulsão dos holandeses de Salvador e na guerra de adesão da Bahia à Independência do Brasil, quando o exército português foi posto em retirada. Naquelas ocasiões os inimigos foram levados à exaustão pelo cansaço e pela fome.
No dia 30 de novembro de 1837 as forças separatistas fizeram a primeira incursão para tentar romper o bloqueio, com 800 homens em duas frentes de guerra, uma na Campina e a outra no Cabrito. Em ambos os lados, entretanto, os separatistas foram rechaçados pelas tropas leais ao Rio de Janeiro. Então, para reforçar o exército "libertador", os líderes da revolta deliberaram pela libertação dos escravos nascidos no Brasil, mediante a indenização dos proprietários. Formou-se, assim, um batalhão composto exclusivamente por negros, nominado batalhão dos “Libertos da Pátria”.
O revés da derrota dos separatistas se daria no início de dezembro, quando a Guarda Nacional é rechaçada na tentativa de desembarcar em Itapagipe. No dia 14 de janeiro de 1838, entretanto, os separatistas voltam a ser derrotados ao tentar desalojar a Guarda Nacional acampada em Itapoã. Logo depois da derrota começam a sentir os efeitos do cerco e da fome, razão pela qual resolvem investir ferozmente contra os comerciantes portugueses que permaneciam em Salvador, saqueando-os. 
Outro combate sangrento aconteceu entre os dias 17 e 18 de fevereiro. Pelos dados oficiais mais de 600 baixas dos separatistas foram contabilizadas, entre mortos e feridos, contra apenas 100 das forças restauradoras.
A batalha derradeira, todavia, aconteceu na noite de 12 de março. Segundo Argolo Ferrão, comandante da 2ª Brigada, o inimigo sofreu grande mortandade na tomada de suas primeiras posições, os campos estavam cheio de sangue, assim como as estradas de cadáveres. O fogo cessou à tarde do dia 15, quando os separatistas acuados no Forte São Pedro brandiram a bandeira branca.
À noite desse mesmo dia, como narra Paulo César de Souza, em seu livro “A Sabinada: A revolta separatista da Bahia”, incêndios clareavam vários pontos da cidade. O fogo consumia cerca de 70 sobrados, a maioria em Conceição da Praia – provocado pelos vencidos, em desespero e embriaguez, e pelos vencedores, para desentocar inimigos. Soldados rebeldes foram atirados às chamas... O colapso nas normas de conduta, tão comum nos tempos de guerra, manifestou-se em saques, estupros, assassínios. E a cidade de Salvador amanheceu destruída.
Somente na noite do dia 22 de março que Francisco Sabino foi encontrado. Segundo Gonçalves Martins, chefe da polícia, ele estava dentro de um armário “coberto de roupa suja, em camisa e descalço”. À noite desse mesmo dia o presidente da República aniquilada, João Carneiro, também é feito prisioneiro. Ao final seriam contados 2989 separatistas capturados. Os mortos somaram: 1258 entre os separatistas; 594 entre os restauradores - cifras expressivas para a população de Salvador na ápoca da Sabinada.

No dia 1º de abril a cidade de Salvador comemorou a vitória. Este feito também seria festejado no Rio de Janeiro e em outras localidades, pela manutenção da integridade do território nacional. No extremo sul do Brasil, entretanto, os farroupilhas continuavam a impingir ao Império pesadas derrotas. 

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Movidos pelo cinismo e pela desfaçatez

Durante visita esta semana ao Estaleiro da Base Naval de Itaguaí, no Rio de Janeiro, o ministro da Defesa, Jaques Wagner (PT-BA), não demonstrou qualquer constrangimento em defender as empreiteiras investigadas por corrupção e formação de cartel, pela operação Lava-Jato. Segundo ele é prejudicial “parar o país para ficar assistindo ao espetáculo das investigações”, como se investigar a corrupção e punir empreiteiras corruptas fosse um grande mal para o Brasil.

As grandes empresas sempre serão necessárias, tanto no Brasil como em qualquer outra parte, por geradoras de empregos e riqueza. Daí dizer, citando inclusive a Odebrecht, que elas “são orgulho para a imagem do Brasil no exterior” é um equívoco enorme. O PETROLÃO é o maior escândalo de corrupção da nossa história e um dos maiores do mundo. Cabe, então, o mais veemente repúdio, pelo mal à Petrobras e ao Brasil. Aliás, isto nos envergonha, já que esta questão tornou-se difusa em toda parte do mundo.

Mas o ministro Jaques Wagner deve ter grandes razões para defender as empreiteiras. O ex-presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli - em cuja gestão foi esquematizada a roubalheira – logo após deixar a empresa foi nomeado secretário de Planejamento da Bahia, durante o governo de Jaques Wagner. Segundo o baiano Ricardo Pessoa, líder do “Clube das Empreiteiras”, sua empresa, a UTC, foi uma das principais doadoras da campanha de Wagner ao governo da Bahia, em 2006 e 2010. Também ajudou a custear a campanha do seu sucessor, Rui Costa (PT-BA), nas eleições de 2014.

Com cinismo e desfaçatez, o ex-governador diz não haver qualquer irregularidade nas obras realizadas pela UTC em seu estado. Entretanto, os grandes caciques não deixam suas impressões digitais, pois sempre têm elementos próprios para levar o produto da roubalheira em malas, nas meias e nas cuecas.

Por ironia, neste mesmo dia a Petrobras era rebaixada pela agência de classificação de risco Moody`s, perdendo o grau de investimento. Também o ex-presidente Lula da Silva iria à Associação Brasileira de Imprensa (ABI) no Rio de Janeiro, em evento organizado pela CUT e Federação dos Petroleiros, que nominaram “Defender a Petrobras é defender o Brasil”.

Acontece que a corrupção sistemática na Petrobras, para financiamento de campanhas políticas patrocinadas pelo PT, PMDB e PP, começou em 2003, no governo de Lula da Silva, quando a atual presidente era ministra das Minas e Energia. Lembremos também que a presidente Dilma Rousseff foi por longos anos presidente do Conselho de Administração da Companhia, quando tinha acesso a todos os dados.

Então, soa mais uma vez como cinismo e desfaçatez a afirmativa de que esse vultoso escândalo é uma “campanha visando a desmoralização da Petrobras” e que isto já “prejudicou a empresa e o setor em escala muito superior  a dos desvios investigados”. A realidade, no entanto, é que nada, nada mesmo, prejudicou tanto a Petrobras como o aparelhamento para fins político, da forma como efetuado pelo governo petista.

As gestões dos petistas José Eduardo Dutra (PT-SE), José Sergio Gabrielli e Maria das Graças Foster (de janeiro 2003 a fevereiro de 2015) foram um verdadeiro desastre para a Companhia. Nesse período a empresa foi forçada a investir além da sua capacidade, se tornou uma das empresas mais endividadas do mundo e ainda foi vitimada pela incompetência e pela roubalheira, tal que a estatal hoje nem consegue fechar o seu balanço. 


Portanto, não faz qualquer sentido a presidente Dilma Rousseff dizer que “rebaixar a nota é falta de conhecimento do que está acontecendo na Petrobras”, quando se refere ao aumento na classificação de risco da Companhia pela agência Moody`s. A única causa, entretanto, é o conjunto da obra; do que foi feito pela administração petista. Agora sobram para a empresa os problemas e para os brasileiros fica o pagamento da conta.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

A favor da corrupção (do crime)


Passada a semana do Carnaval é fatal que cairemos no Brasil real. E a realidade é que 2015 será um ano de grandes dificuldades, tanto na área econômica como na política. Os estragos do primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff vêm se mostrando enormes, de modo que repará-los não será tarefa fácil, se é que na área política ainda pode haver alguma reparação. O regime democrático tem seus limites. Ultrapassá-los é quebrar as regras do jogo e colocar o país em crise.

Quando a questão é economia, entretanto, o primeiro passo foi dado com a nomeação de uma competente equipe econômica, sob o comando do ministro Joaquim Levy, que goza de grande credibilidade no mercado. Resta saber (e saberemos) se essa equipe terá condições de trabalho. São preocupantes as interferências da presidente, como também as confabulações contra o ministro Joaquim Levy pelo núcleo duro petista instalado no Palácio de Planalto, principalmente do ministro da Casa Civil, Aloísio Mercadante (PT-SP), tido como “intrigueiro”.

Outro ponto desfavorável é a insatisfação da base aliada com relação às medidas que mexem em regras trabalhistas e previdenciárias. Para esse grupo, que inclui os petistas mais radicais (e retrógrados, por natureza), o ministro Joaquim Levy é um “neoliberal”. Todavia, em economia não há remédio milagroso que possa consertar tantos estragos.

Assim, seremos nós mais uma vez que vamos pagar a conta. Estão aí os aumentos dos impostos, da energia elétrica e da gasolina. E tudo indica que teremos mais aperto pela frente. Infelizmente, durante a campanha a presidente Dilma não anunciou qualquer corte na gordura do governo, como fizeram seus adversários. Então, também continuaremos a pagar uma máquina pública incompetente e inchada, da forma como pagamos a corrupção desenfreada e o loteamento do governo com seus 39 ministérios.
Contudo, resta-nos pelo menos o acerto da nomeação de Joaquim Levy, pois seria muito triste ver o Brasil continuar caminhando no mesmo rumo da Argentina e da Venezuela. Outro ponto de alento será a desaceleração da inflação, prevista para o segundo semestre.

Na questão política, independente da reaparição e do uso do marketing e das dissimulações costumeiras dos fatos, tudo indica que a presidente Dilma Rousseff viverá neste ano o seu “inferno astral”. Os desdobramentos da operação Lava - Jato e o distanciamento dos demais partidos da base aliada do PT e de seu projeto de perpetuação no poder, aliados à fragilidade da própria mandatária da nação, nos dá a certeza de um cenário totalmente complicado.

Hoje todos olham para o PT e a presidente com muita desconfiança, como ficou demonstrado na última pesquisa do Instituto Datafolha. Isto abre novas perspectivas para oposição e o caminho para manifestações populares.

A conversa entre o ministro da Justiça, Luiz Eduardo Cardozo, e o advogado Sérgio Renault, da empreiteira UTC – atolada até o pescoço na operação Lava - Jato - é o prenúncio de uma grave crise. Jamais um ministro da Justiça poderia ter “tranquilizado” e prometido mudança nos rumos da investigação de pessoas e empresas que estão sob fortes suspeições da Polícia Federal e da Justiça. Isto não é gesto decente, nem Republicano!

Fica no ar que o governo petista da presidente Dilma Rousseff se uniu às empreiteiras para fragmentar a Justiça. Não por outra razão a direção da empreiteira UTC desistiu da delação premiada, para encobrir fatos novos e obstruir a Justiça. É o governo trabalhando contra o próprio Brasil e os cidadãos que pagam os custos das crises. Triste! Muito além de triste...


quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Ninguém engana para sempre

Para abrandar o amargor da queda na popularidade da presidente Dilma Rousseff (PT-SP) o núcleo duro petista instalado no Palácio do Planalto já estuda a estratégia para reverter a opinião pública. Fala-se, a princípio, em uma entrevista da presidente em âmbito nacional, para depois realizar um pronunciamento em cadeia nacional de rádio e televisão, de modo a fazer crer que o governo está empenhado em combater a corrupção e solucionar a crise política e econômica que se abate sobre o país.
Nota-se que a criação dessa agenda positiva está sendo minuciosamente estudada. Além do núcleo duro do Planalto, certamente terá a mão do marqueteiro João Santana, para colorir a fala da presidente no uso do teleprompter, bem como criar a melhor versão de cada fato a ser explorado. Não é difícil antever, portanto, que também veremos as costumeiras críticas aos “pessimistas de plantão” e comparações ao governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB-SP) que terminou há mais de doze anos, quando o cenário do Brasil e do mundo era bem diferente.
A articulação do governo e do Partido dos Trabalhadores (PT) para estancar a crise, entretanto, encontrará uma resistência muito maior que em momentos anteriores. A elevação dos preços nos supermercados, da contas de água e esgoto, energia elétrica, passagens de ônibus e dos combustíveis formou um público muito maior de descontentes do que o que até então havia sido demonstrado nas urnas. 
Pode-se dizer, em resumo, que desta vez o povo sentiu no bolso o que a presidente Dilma Rousseff vendeu na campanha eleitoral e deixou de entregar após o fechamento das urnas; que o povo se sentiu enganado, traído...!
Soma-se a isto o escândalo da Petrobras e a evidência de que o dinheiro extraído da corrupção vem sendo usado sistematicamente pelo PT nas campanhas políticas. Pelas delações premiadas fala-se em uma quantia vultosa, entre US$ 150 e US$ 200 milhões que foram subtraídos dos cofres da Companhia para o caixa do partido.
Daí o resultado adverso, conforme pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha: 47% dos brasileiros hoje consideram a presidente da República desonesta; 54% a avaliam como falsa, enquanto 50% que ela é indecisa. O resultado de aprovação do governo despenca de 42% na última pesquisa, realizada em dezembro, para 23% na última semana. Inversamente, os que avaliam o governo como ruim ou péssimo aumentou de 24% para 44%, nesse mesmo período.
O susto na agremiação petista mostrou-se patente diante da impopularidade conquistada pelo partido e pela presidente Dilma Rousseff em tão pouco tempo. Diz o ditado popular que o povo tarda, mas não se engana. Também, por outro lado, ninguém engana para sempre! 
Hoje a tática petista de nocautear os adversários para se perpetuar no poder já não funciona como nos tempos idos. Paira no ar um grau enorme de desconfiança, depois de tantas dissimulações e mentiras, tal como dizer que “o MENSALÃO não existiu”. Nesta semana mesmo vimos o ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso (PT-SP), em contraponto ao que tem mostrado a operação Lava Jato, dizer que “há uma corrupção histórica na Petrobras”, de forma a amenizar o que fez o PT. Um desserviço ao Brasil!
Melhor faria o governo e a cúpula petista se pedissem desculpas à nação por seus malfeitos, em vez de partirem para o ataque na tentativa de consertar “o que não tem conserto”, da forma como diz um velho compositor petista. Aí sim teríamos um gesto de dignidade, e não mais um golpe baixo.  

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Resultado da arrogância e do projeto de hegemonia

Por mais que o governo e as lideranças petistas agora se esforcem para mostrar que assimilaram a vitória esmagadora do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) à presidência da Câmara dos Deputados, a realidade é que a humilhante derrota do candidato governista Arlindo Chinaglia (PT-SP) deixou quase todos eles desorientados e sem rumo. Isto também corroborou para evidenciar a divisão do partido, pela saraivada de críticas ao núcleo duro instalado pela presidente no Palácio do Planalto.

Para a senadora Marta Suplicy (PT-SP) a derrota para a presidência da Câmara é “inusitada” e deve-se ao “intervencionismo do governo, indevido e atrapalhado”. Já para a corrente majoritária do PT, a qual pertence o ex-presidente Lula da Silva - Construindo um Novo Brasil (CNB) - faltou habilidade na articulação política, atribuída ao ministro das Relações Institucionais, Pepe Vargas (PT-RS), e ao líder do governo na Câmara dos Deputados, Henrique Fontana (também do PT-RS).

A resposta governista veio com a substituição de Henrique Fontana da liderança do governo pelo deputado José Nobre Guimarães (PT-CE), irmão do ex-deputado José Genoíno, condenado no escândalo do MENSALÃO, quando presidia o Partido. Lembremos que o deputado José Guimarães tornou-se conhecido nacionalmente quando um de seus assessores, José Adalberto Vieira da Silva, foi preso ao tentar embarcar em um vôo de São Paulo para Fortaleza com US$ 100 mil escondidos na cueca e mais R$ 200 mil em uma mala.

Entretanto, ele continuou servindo ao partido com absoluta “competência”, fato que o levou a ser atualmente um dos principais líderes do partido, pela habilidade que tem em defender o governo e transitar pelas diversas correntes da agremiação petista.

Mas, voltando ao tema, a rebelião da base aliada que deu a vitória a Eduardo Cunha não é uma resposta ao governo da péssima situação da nossa economia, da forma herdada pela presidente de seu primeiro mandato, nem do vultoso escândalo de corrupção que fragilizou a Petrobras ou outras mazelas do governo. A derrota do governo se deveu, sobretudo, à arrogância (incluído a da própria presidente) e ao projeto político de hegemonia do PT.

Quando a questão é fisiologismo a base aliada se entende muitíssimo bem. Prova disso deu o ministro da Casa Civil, Aluísio Mercadante (PT-SP) ao anunciar na Câmara dos Deputados que o governo já recebeu as solicitações dos partidos. Depois, concluiu afirmando que “a partir desse momento começam as negociações com os partidos para definir o segundo escalão e buscar combinar o critério técnico da competência com o critério político do apoio parlamentar.”

É essa cobrança arrogante de apoio político, em troca de cargos, e a onipotência da presidente que desagrega a base aliada. Além do mais não há cargos para satisfazer todo mundo.

Outro ponto que fomentou a derrota foi a iniciativa do planalto de estimular o ministro das Cidades, Gilberto Kassab, de recriar o Partido Liberal (PL), com intuito óbvio de enfraquecer a oposição, da mesma forma como procedeu ao lançar o PSD. Desta vez, no entanto, também com objetivo de enfraquecer o PMDB em prol de outras legendas e da estratégia de hegemonia do PT. Só que o governo não contava com a unidade daquele partido. Aliás, mais uma vez o PMDB dá mostras que na hora da dificuldade ele sempre se une.


Então, como ponto positivo, a oposição vai se elevando e também se purificando, em detrimento do que une o fisiologismo. Este é o melhor resultado da arrogância e do projeto de hegemonia petista.