sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Resultado da arrogância e do projeto de hegemonia

Por mais que o governo e as lideranças petistas agora se esforcem para mostrar que assimilaram a vitória esmagadora do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) à presidência da Câmara dos Deputados, a realidade é que a humilhante derrota do candidato governista Arlindo Chinaglia (PT-SP) deixou quase todos eles desorientados e sem rumo. Isto também corroborou para evidenciar a divisão do partido, pela saraivada de críticas ao núcleo duro instalado pela presidente no Palácio do Planalto.

Para a senadora Marta Suplicy (PT-SP) a derrota para a presidência da Câmara é “inusitada” e deve-se ao “intervencionismo do governo, indevido e atrapalhado”. Já para a corrente majoritária do PT, a qual pertence o ex-presidente Lula da Silva - Construindo um Novo Brasil (CNB) - faltou habilidade na articulação política, atribuída ao ministro das Relações Institucionais, Pepe Vargas (PT-RS), e ao líder do governo na Câmara dos Deputados, Henrique Fontana (também do PT-RS).

A resposta governista veio com a substituição de Henrique Fontana da liderança do governo pelo deputado José Nobre Guimarães (PT-CE), irmão do ex-deputado José Genoíno, condenado no escândalo do MENSALÃO, quando presidia o Partido. Lembremos que o deputado José Guimarães tornou-se conhecido nacionalmente quando um de seus assessores, José Adalberto Vieira da Silva, foi preso ao tentar embarcar em um vôo de São Paulo para Fortaleza com US$ 100 mil escondidos na cueca e mais R$ 200 mil em uma mala.

Entretanto, ele continuou servindo ao partido com absoluta “competência”, fato que o levou a ser atualmente um dos principais líderes do partido, pela habilidade que tem em defender o governo e transitar pelas diversas correntes da agremiação petista.

Mas, voltando ao tema, a rebelião da base aliada que deu a vitória a Eduardo Cunha não é uma resposta ao governo da péssima situação da nossa economia, da forma herdada pela presidente de seu primeiro mandato, nem do vultoso escândalo de corrupção que fragilizou a Petrobras ou outras mazelas do governo. A derrota do governo se deveu, sobretudo, à arrogância (incluído a da própria presidente) e ao projeto político de hegemonia do PT.

Quando a questão é fisiologismo a base aliada se entende muitíssimo bem. Prova disso deu o ministro da Casa Civil, Aluísio Mercadante (PT-SP) ao anunciar na Câmara dos Deputados que o governo já recebeu as solicitações dos partidos. Depois, concluiu afirmando que “a partir desse momento começam as negociações com os partidos para definir o segundo escalão e buscar combinar o critério técnico da competência com o critério político do apoio parlamentar.”

É essa cobrança arrogante de apoio político, em troca de cargos, e a onipotência da presidente que desagrega a base aliada. Além do mais não há cargos para satisfazer todo mundo.

Outro ponto que fomentou a derrota foi a iniciativa do planalto de estimular o ministro das Cidades, Gilberto Kassab, de recriar o Partido Liberal (PL), com intuito óbvio de enfraquecer a oposição, da mesma forma como procedeu ao lançar o PSD. Desta vez, no entanto, também com objetivo de enfraquecer o PMDB em prol de outras legendas e da estratégia de hegemonia do PT. Só que o governo não contava com a unidade daquele partido. Aliás, mais uma vez o PMDB dá mostras que na hora da dificuldade ele sempre se une.


Então, como ponto positivo, a oposição vai se elevando e também se purificando, em detrimento do que une o fisiologismo. Este é o melhor resultado da arrogância e do projeto de hegemonia petista.