sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Há que dizer a verdade, para não continuar perdendo

O senador Aécio Neves (PSDB-MG) tem constantemente repetido o que disse a ambientalista Marina Silva (Rede Sustentabilidade - AC) ao término do primeiro turno: que perdeu a eleição ganhando. Isto porque além de enfrentar a poderosa máquina aparelhada do governo petista, ambos saíram das urnas com milhões de votos, embora amargando a desconstrução de suas imagens, da forma desencadeada sem impor limites por João Santana, marqueteiro do Partido dos Trabalhadores (PT).

Parafraseando essa mesma afirmativa, pode-se dizer que a presidente Dilma Rousseff saiu do último pleito perdendo. Não só por fazer o “diabo” e usar de subterfúgios para ganhar a eleição. Mas, sobretudo, pelo tamanho dos problemas políticos e econômicos que ela herdará dela mesma, embora os tenha sempre negado, preferindo atribuí-los a “profecias pessimistas” dos adversários.  

A primeira amostra foi dada na semana passada logo após a eleição, quando a Câmara dos Deputados derrubou o decreto presidencial que vincula as decisões de política de governo à aprovação de Conselhos “Populares” (ou a movimentos da esquerda organizada?). Tais Conselhos “Populares” se emaranhariam com as funções do Parlamento, tal como acontece no regime bolivariano da Venezuela. Não se trata, portanto, de ação democrática, mas da concentração de poderes nas mãos de uma minoria atrelada ao governo.

Por isto, lideranças importantes do PMDB e dos demais partidos da base aliada hoje dão sinais claros de que não se renderão às pretensões de hegemonia do governo petista. Há no ar um elevado grau de desconfiança, que fortalece a candidatura do atual líder do PMDB, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) à presidência da Câmara dos Deputados, contra a vontade do governo. A principal bandeira de Eduardo Cunha é, como ele mesmo diz, “não entregar o comando do Congresso ao PT, para preservar o equilíbrio entre os Poderes”.

Outra questão é que o PT saiu enfraquecido das urnas, e na ausência de alianças programáticas o fisiologismo do toma lá dá cá poderá ganhar forças e sair muito caro a presidente Dilma Rousseff. Esta é uma prática que a sociedade não tem cansado de manifestar que repudia; que não é mais admissível!

A oposição, por sua vez, sai da eleição fortalecida por mais de 51 milhões de votos libertos do Bolsa Família, que sintetizam a insatisfação da metade da população.  Tudo indica que a oposição não dará trégua! Seu maior líder hoje, o senador Aécio Neves, ao retornar ao Senado já condicionou que qualquer conversa dependerá da disposição do governo em apurar os escândalos de corrupção que tomaram conta da Petrobras.

Contudo outros escândalos poderão vir à superfície, tal o loteamento e aparelhamento do governo e das empresas públicas. Denúncias de favorecimento de empréstimos no Banco do Brasil (BB) e no BNDES já levaram o atual presidente do BB, Aldemir Bendine, a pedir demissão nesta semana.

Para complicar, o próprio governo agora admite que a situação econômica do país é realmente grave. Não é a toa que comece a fazer o que disse na campanha que não faria. Lembremos que no último dia 29 o Banco Central aumentou a taxa de juros para 11,25%, para conter a inflação (não ia gerar desemprego?). Também não é sem motivos, que o ministro da Fazenda Guido Mantega hoje seja um ex-ministro no cargo.


Se realmente a presidente Dilma Rousseff acredita que saber ganhar é não ter “soberba nem pretensão de ser o último grito em matéria de visão política”,  tem que reconhecer os erros de seu primeiro mandato, para depois estender a mão com humildade. Caso contrário, conforme o seu partido, o PT, ela continuará perdendo.