terça-feira, 11 de novembro de 2014

Consolidando o Estado nacional.

Período Regencial

Após a independência do Brasil, os portugueses continuavam a dominar o império, a começar pelo círculo em volta do imperador D. Pedro I, que também nascera em Portugal. O mesmo acontecia em todas as províncias, onde os portugueses ocupavam os melhores cargos do governo, dominavam as atividades dos serviços e do comércio e detinham as melhores patentes das tropas de primeira linha. Tudo isso motivava enorme insatisfação dos brasileiros.
Ao término da Guerra da Cisplatina, em 1828, o Brasil entrou em um período de crise, devido ao endividamento com a guerra. O derrame de moedas falsas de cobre e o aumento no custo de vida avultaram ainda mais a impopularidade de D. Pedro I junto aos brasileiros. Estes culpavam os portugueses, que apoiavam o imperador, pela carestia e todos os males do império.
As rusgas entre brasileiros e lusitanos acabaram por deflagrar violentos conflitos de rua, principalmente no Rio de Janeiro, até que no dia 5 de abril de 1831 D. Pedro I decide destituir o “ministério de brasileiros”, nomeado pouco dias antes para amenizar a crise. A nomeação de ex-ministros impopulares da aristocracia lusa acende o estopim que faltava para tornar incontrolável os protestos.
Na manhã do dia 6 de abril, brasileiros de todas as classes começam a afluir pelas principais ruas do Rio de Janeiro em manifestações, concentrando-se depois no Campo de Sant’Anna, onde intensificaram os protestos contra D.Pedro I. Entretanto, o imperador, resoluto, não cede às pressões para restituir o ministério deposto. Por fim, a própria Guarda de Honra e o Batalhão do Imperador também se rebelam. Enfraquecido, na madrugada do dia 7 de abril D. Pedro renuncia em favor de seu filho, o príncipe Pedro de Alcântara, então com 5 anos de idade.
Inicia-se, assim, o período das Regências, que segundo Bóris Fausto foi “dos mais agitados da história política do país e também dos mais importantes”, porque contribuiu efetivamente para a formação de uma identidade nacional e garantiu a integridade territorial do Brasil.
O primeiro período da Regência é chamado de Regência Trina Provisória. Este período é de curta duração - se estende de 7 de abril a 17 de junho de 1831. Nele há a reintegração do “ministério dos brasileiros”  e a retirada dos estrangeiros não naturalizados do Exército. O segundo período é o da Regência Trina Permanente, que se estende até 12 de outubro de 1835. Inicia-se, então, as Regências Umas do padre Diogo Antônio Feijó, que irá até 19 de setembro de 1837, e a de Pedro de Araújo Lima, que se encerra em 23 de julho de 1840, quando é declarada a maioridade de D. Pedro II.
No campo político, a corrente hegemônica no período das Regências foi a dos liberais moderados, liderada pelo carioca Evaristo da Veiga, editor do mais influente jornal da época, o “Aurora Fluminense”. Os liberais moderados defendiam o cumprimento da Constituição. Ao lado de Evaristo da Veiga destacam-se o paulista padre Feijó e do mineiro Bernardo Pereira de Vasconcelos. Do lado oposto encontravam-se duas correntes: a dos liberais exaltados, que pretendiam reformas mais radicais, como  ampliar os poderes das províncias e limitar o poder do imperador, e a dos restauradores, que pregavam a volta de D. Pedro I.
No período regencial irrompeu uma série de levantes militares, rebeliões e insurreições populares por várias regiões do país, algumas delas com fins republicanos e separatistas. A Revolução Farroupilha, na então província de São Pedro do Rio Grande do Sul (1835-1845); a Cabanagem, na então província do Grão- Pará (1835-1840); a Sabinada, na Bahia (1837-1838); e a Balaiada, no Maranhão (1838-1840) chegaram a ameaçar a integridade do território nacional e o Império.
Estes movimentos foram sufocados pelas forças leais ao governo, com o apoio da Guarda Nacional (corporação armada de cidadãos), criada em 1831 para manutenção da ordem nas províncias. É dessa ebulição social que começa a construção da identidade nacional e a formação de nossa própria historiografia. Até então a história do Brasil era ainda a história de Portugal.