sexta-feira, 3 de outubro de 2014

A força da ignorância e da falta de informação

Em todo o mundo democrático os cientistas políticos têm atribuído o maior peso na continuidade dos governos ao desempenho da economia. No Brasil não tem sido diferente. Assim, nas últimas eleições, a primeira vitória de Fernando Henrique Cardoso (FHC) deveu-se ao Plano Real; a reeleição, à estabilidade da economia. Já Lula da Silva teria sido beneficiado em sua primeira vitória, pelas crises externas que fragilizaram os últimos anos do segundo governo de FHC.

Durante o primeiro mandato de Lula da Silva a economia brasileira começou a navegar em céu de brigadeiro. Os preços de nossas commodities aumentaram como nunca, favorecendo as exportações e a acumulação de expressiva reserva cambial. É lógico que o sucesso se deve muito mais à eficiência do agronegócio e dos resultados da Cia Vale do Rio Doce (depois de privatizada), do que das políticas empreendidas pelo governo.

Nas últimas eleições, quando a presidente Dilma Rousseff venceu José Serra, o Brasil ainda vivia à sombra da euforia do “sucesso”, propagado “como nunca antes na história deste país”, com toda ênfase midiática. No entanto, em vez de poupar para os tempos de vacas magras, da forma como manda a prudência, o governo continuou com a gastança.

Então, a marolinha não tardou a se mostrar um tsunami, que desaguou no governo de Dilma Rousseff. Hoje, por mais que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e a presidente Dilma digam que a situação econômica do Brasil está estabilizada e controlada, os números dizem justamente o contrário. E o ditado popular diz o seguinte: os números não mentem.

Quando a questão é desenvolvimento econômico, é quase unanimidade entre os especialistas que este ano o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil não chegará a crescer 1%. Nossa média histórica de crescimento é de 4,4% ao ano. Deste modo, o governo de Dilma Rousseff será marcado pelo terceiro menor PIB da história, só perdendo para os governos de Floriano Peixoto, na Velha República, e o de Fernando Collor de Mello, quando o país amargou uma queda no PIB de 7,5% e 1,3%, respectivamente.

Outro ponto importante é o descontrole das contas públicas. Esta semana o Banco Central (BC) divulgou que em agosto o déficit primário das contas públicas foi de R$ 14,260 bilhões, o pior resultado para o mês da série histórica, desde que o indicador foi criado em 2001. De acordo com o BC “esta também é a primeira vez que se registra déficit no resultado do setor público por quatro meses consecutivos”.

Segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), em seu relatório trimestral “Panorama da Economia Mundial”, em 2013 o Brasil tornou-se o país emergente com o maior déficit externo do mundo, ao apresentar um rombo de US$ 81,0 bilhões nas transações com o resto do mundo, o que equivale a 3,6% do PIB. Também é o terceiro país com o maior nível de endividamento externo (US$ 750 bilhões), perdendo apenas para os Estados Unidos e a Espanha.

Quanto à dívida interna bruta, esta mais que triplicou durante o governo petista, atingindo no último mês de agosto o montante de R$ 3,03 trilhões, ou 60% do PIB. Para piorar, a inflação ultrapassou o limite máximo da meta fixada pelo BC (de 6,5% ao ano) e já alcança quase 7%, nos últimos 12 meses.

Com tantos dados negativos chega-se à conclusão de que os cientistas políticos deverão repensar as suas teses, haja vista o alto índice de aprovação do governo e a manutenção do primeiro lugar nas pesquisas de intenção de voto da candidata-presidente Dilma Rousseff, não obstante à desastrosa gestão da economia em seu mandato.


Talvez os cientistas políticos devessem considerar como variáveis, pelo menos para os países com baixo nível e qualidade da educação, a força do marketing político e da desinformação. Só assim seria justificado o resultado tão bom para um governo tão pífio.