sexta-feira, 10 de outubro de 2014

No ataque para continuar reinando

Já se vão quase doze anos desde o final do governo de Fernando Henrique Cardoso (FHC/PSDB-SP) - um tempo enorme em política. No entanto, os estrategistas da campanha da presidente-candidata Dilma Rousseff (PT-RS), neste segundo turno, continuam a insistir na comparação dos oito anos do governo de FHC com os doze anos petistas. Claro! E ainda tentam desconstruir a imagem de Aécio Neves (PSDB-MH), da mesma forma como fizeram com Marina Silva no primeiro turno destas eleições.

Vale lembrar que essa tática vem lá de longe, pois assim que se instalou no poder o PT não tardou a mostrar para o que veio. Um dos primeiros gestos do então presidente Lula da Silva, logo no início de 2003, foi plantar uma estrela petista nos jardins do Palácio Alvorada. Aquele era o prenúncio de que começava ali um governo que não observaria os limites entre o público e o privado; que o partido estava acima de tudo e de todos; que tudo seria feito para a manutenção do poder, independente dos princípios éticos, democráticos e republicanos.

O ex-presidente FHC se preocupara em passar o governo ao presidente petista da forma mais limpa e transparente possível. Então, organizara um período de transição muito elogiado pelos observadores políticos. Antes, contudo, Lula da Silva provocara uma enorme turbulência no mercado, que ocasionara a fuga de capitais e o aumento estratosférico da taxa de juros e da inflação.

A crise só seria estancada após Lula da Silva firmar a “Carta ao Povo Brasileiro”, de 22 de junho de 2002, comprometendo-se a respeitar os contratos e realizar uma política econômica sóbria, de modo a sustentar a estabilidade econômica. Por este motivo, Lula da Silva nomeou Henrique Meireles, eleito deputado Federal pelo PSDB de Goiás, para o Banco Centra. Para a Secretaria de Política Econômica foi nomeado o economista tucano Murilo Portugal, como principal assessor do ministro da Fazenda, Antônio Palocci.

Observa-se, a partir de então, um período exitoso, de grande sucesso, marcado por uma política econômica séria, que nadava em céu de brigadeiro, aproveitando do crescimento do mundo. Mas, em vez de surfar na sua própria onda, o ex-presidente Lula da Silva instrumentalizou o poder e imprimiu um esforço pessoal e partidário para destruir a imagem de FHC e de cada um de seus opositores, como forma de manter a hegemonia do poder.

Por outro lado, em vez de tomar conta de sua própria casa, do modo como manda os manuais de boas condutas, o ex-presidente focou a sua ira na casa dos outros. Assim, cada escândalo de corrupção e malfeito que surgia (e não são poucos) foram sendo colocados e acumulados debaixo do tapete, enquanto a economia se degringolava em seu segundo mandato, já sob o comando do incompetente ministro da Fazenda Guido Mantega.

Como conseqüência o Brasil viveu os seus piores dias durante o governo de Dilma Rousseff: Escândalos sucessivos, o Estado aparelhado - servindo a um partido político - e a economia estagnada. Taxas de juros e inflação altas, com um descontrole generalizado das contas públicas, o que vem colocando em risco todas as conquistas alcançadas no passado, inclusive durante o governo do ex-presidente Lula da Silva.


Então, não tendo o que mostrar a candidata-presidente Dilma Rousseff e seus aliados partem para o ataque, com objetivo nítido de amedrontar os eleitores e denegrir a imagem dos adversários. Não importa se o método utilizado faz parte da difamação e da mentira, pois o que conta é a manutenção do poder, a qualquer preço.