sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Mentiras e muitas ilações

No último encontro nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), realizado em Fortaleza no final do mês passado, o presidente da legenda, Rui Falcão, disse que “foi durante os governos de Lula e Dilma que se estabeleceram como política de Estado as principais políticas de combate à Corrupção”. Para o delírio da galera presente, exclusivamente petista, também mencionou que o PT tem “o compromisso histórico de combater implacavelmente a corrupção”.

A tática petista é a de dissimular os fatos, para que os “cumpanheiros” os propaguem e os menos informados acreditem nas versões do partido. Daí, sempre são repetitivos em suas ilações. Assim fez Falcão em Fortaleza ao dizer que “hoje a corrupção aparece mais, ao contrário do passado, é porque ela, pela primeira vez na história do país, está sendo sistematicamente combatida”. Entretanto, para os que apreciam a boa informação, a mentira - por mais que seja repetida - nunca se transformará em verdade.

É verdade inquestionável que a Polícia Federal (PF), o Ministério Público (MP), as instituições da Justiça e de controle do governo são órgãos do Estado brasileiro, independentes da presidência da República e do partido político de ocasião no poder. Outra verdade, por mérito, é que a PF foi aparelhada no governo de Fernando Henrique Cardoso. Não devemos esquecer-nos da apreensão de R$ 1,34 milhão de dólares, em 1º de abril de 2002, na empresa Lunus Participações, da ex-governadora Roseane Sarney e seu ex-marido Jorge Murad Junior.

Outra verdade é que o PT se aliou ao que há de mais retrógrado e pior na política brasileira para governar o país. Estão aí, como testemunhas, José Sarney, Renan Calheiros, Romero Jucá, Paulo Maluf, Alfredo Nascimento, Valdir Raupp, entre tantos outros. Além do mais, tem o próprio quadro do partido, que na maioria de santo não tem nada!

Portanto, ao contrário do que diz Rui Falcão, o PT não tem demonstrado compromisso em combater de fato a corrupção. Pelo contrário, não faltam exemplos da intenção de sempre escondê-la. Foi assim no MENSALÃO, quando propagaram a versão de que “o MENSALÃO não existiu”, como em cada um dos escândalos que surgiu em seus governos, quando sempre trabalhou para jogar a sujeira para debaixo do tapete.

Se o PT fosse exemplo, expulsaria de seus quadros os corruptos, e não os defenderia, a começar pelo secretário de Finanças e Planejamento do partido, o Sr. João Vaccari Netto, atolado de lama até o pescoço no recente escândalo do PETROLÃO. Este último escândalo de corrupção transformou o MENSALÃO, até então o maior da história republicana do Brasil, em café pequeno.

Entretanto, Vaccari Neto é também ovacionado no partido, mesmo com ficha suja, por réu no caso Bancoop (Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo), onde responde por formação de quadrilha, estelionato e tentativa de estelionato, falsidade ideológica e crime de lavagem de dinheiro.

Segundo o promotor de Justiça de São Paulo, José Carlos Blant, “mais que uma empresa particular, a Bancoop é uma organização criminosa que visa dinheiro e poder à custa de muitas famílias que acreditaram num projeto habitacional e tiveram seus bens efetivamente dilapidados ao longo dos anos, inclusive para financiamento de campanhas eleitorais do PT”.

“Quando a Bancoop quebrou, em 2006, deixou mais de 3500 famílias na rua da amargura”, e “o rombo de 100 milhões de reais no caixa”, conforme reportagem veiculada no último número da revista “Veja”. Em um dos poucos prédios concluídos está um apartamento tríplex do ex-presidente e “bancário” Lula da Silva, no Guarujá (SP), entregue pela construtora OAS, cujos diretores se tornaram réus do PETROLÃO, pela participação na operação “Lava Jato”.


Certamente que a corrupção no Brasil não começou agora. No entanto, é inquestionável que na era petista ela foi sofisticada e indiscutivelmente ampliada.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Gestão desastrosa e corrupção desenfreada

No dia 9 de dezembro celebrou-se em todo o mundo o Dia Internacional de Combate à Corrupção. Este dia foi escolhido pela Organização das Nações Unidas (ONU) para marcar a data da assinatura da Convenção Internacional contra a Corrupção, no ano de 2003. Portanto, uma série de iniciativas para alertar a todos, sobre os efeitos nocivos da corrupção e proposições de medidas para combatê-la, deveriam ser tomadas, tanto pelos órgãos governamentais, como também pelos segmentos representativos da sociedade.

Entretanto, poucas iniciativas foram vistas entre nós para marcar esse dia. O que sobressaiu foram poucos eventos programados por alguns órgãos públicos ligados ao tema, tais como a Controladoria Geral da União (CGU), a Procuradoria Geral da União (PGU) e atos isolados pelos estados da Federação. Das Confederações Sindicais, tais como a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e Confederação Geral dos Trabalhadores (CGT) ou dos movimentos sociais não se viu qualquer evento nesse sentido. Nada!

Todavia, se esse dia fosse um motivo para defender a corrupção e alguns corruptos e corruptores, com certeza não faltariam manifestações e atos de agravo, a começar pelo movimento dos sem terra (MST) e dos sem teto (MTST), bem como da própria CUT. Esses movimentos se tornaram especialistas em defender o malfeito, para o proveito próprio. Hoje os seus líderes aprenderam a enriquecer a custas do erário público e dos recursos transferidos dos trabalhadores para os sindicatos.

Parece um círculo sistêmico e vicioso: o governo da ocasião alimenta esses movimentos com recursos públicos, fortalecendo-os. Por outro lado, em retribuição, eles dão sustentação à corrupção do governo, em troca de suas mazelas.

Atualmente o Brasil ocupa o 69º lugar no ranking mundial da corrupção, segundo a ONG Transparência Internacional, recentemente divulgado. Em uma escala de 0 a 100, não conseguimos sequer chegar a 50 pontos, o que nos classifica como um país extremamente corrupto, não bastasse ocuparmos a primeira posição em número de homicídios, com quase 15% das ocorrências contabilizadas em todo o mundo.

No Brasil, o maior destaque do Dia Internacional de Combate à Corrupção foi a Conferência Internacional de Combate à Corrupção, realizada em Brasília – DF na última terça-feira. Nesse evento, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, disse em alto e bom som que “a corrupção envergonha nosso país”, defendendo de forma veemente a prisão dos corruptos e corruptores, com o confisco de bens e valores dos maus dirigentes públicos.

Um assunto em pauta daquela Conferência foi o escândalo do PETROLÃO, que vem ganhando as páginas dos principais jornais do mundo, pelo montante de valores desviados da maior empresa brasileira, a Petrobras. Por isto, Henrique Janot mencionou que “envergonha-nos estar onde estamos”, pedindo de forma clara a substituição de cada um dos diretores da empresa, devido ao que classifica como “gestão desastrosa”.

Porém, mais desastrosa foi a reação do governo, por meio do ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso, ao dizer que “não há nenhuma razão objetiva para que os atuais gestores da Petrobras sejam afastados do comando”. Lembremos, então, apenas o teatro da CPI do Senado Federal, quando as perguntas e respostas foram ensaiadas com a aquiescência da direção da empresa e dos parlamentares governistas. Para que jogar a sujeira para debaixo do tapete?


Por fim, na questão de combate à corrupção temos muita coisa para fazer, e muito pouco a comemorar.

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Refazendo o discurso para consertar os estragos

Por mais que o governo petista venha maquiando os acontecimentos à sua ótica, da forma como tem feito a chamada “contabilidade criativa”, para “melhorar” (Claro, apenas pela aparência!) o resultado das contas públicas, não dá para mudar a realidade. E os números demonstram que a situação macroeconômica do Brasil foi de mal a pior nos últimos quatro anos da gestão de Guido Mantega no Ministério da Fazenda, com intervenções diretas da presidente Dilma Rousseff.

Não é por outro motivo que atualmente Guido Mantega seja um ex-ministro morto no cargo, mas com o prêmio de consolação de vir a ser indicado para representar o Brasil em algum organismo no estrangeiro, “pelos bons serviços prestados”. Quem sabe no novo Banco de Desenvolvimento, recentemente criado pelos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), onde o Brasil ocupará a presidência do Conselho de Administração?

Como “bons serviços”, lembremos de algumas pérolas de Guido Mantega: das previsões do crescimento econômico (do PIB), sempre muito aquém da realidade; da afirmação de que “a confiança externa no Brasil cresceu”, no momento em que a classificação de risco Brasil aumentava; de que “o resultado das eleições mostrou que o brasileiro está satisfeito com a política econômica”, enquanto mais de 60% dos eleitores votaram na oposição ou deixaram de votar no governo.

Entretanto, a passagem de Guido Mantega pelo Ministério da Fazenda deixa uma marca indelével e que não deve ser esquecida: o rumo ao caos em que a economia brasileira adernou ao seguir a cartilha econômica genuinamente petista, conforme empreendida no primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff.

Então, para consertar os estragos, a presidente Dilma Rousseff sinaliza em fazer o que no período eleitoral jurava que jamais faria. Assim, agora ela acerta ao sinalizar a nomeação de Joaquim Levy, para o Ministério da Fazenda, e de Nelson Barbosa, para o Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão. Para a presidência do Banco Central a expectativa é da continuidade de Alexandre Tombini, mas com maior autonomia.

O doutor em economia Joaquim Levy vem das hastes tucanas, onde exerceu as funções de Secretário-Adjunto do Tesouro Nacional e de Assessor Especial do Ministro da Fazenda, no governo do então presidente Fernando Henrique Cardoso. Depois, já no período do ex-ministro Antônio Palocci, foi nomeado Secretário do Tesouro Nacional, onde ao lado do também economista Murilo Portugal alcançou expressivos resultados, no mais exitoso período da política econômica do ex-presidente Lula da Silva.

Mesmo assim, ambos eram duramente criticados (e muitas vezes até demonizados) pelas alas radicais do Partido dos Trabalhadores (PT), quer por não pertencerem aos quadros ou pela adoção de uma política econômica mais ortodoxa, com o controle mais rígido dos gastos do governo. Já o economista Nelson Barbosa é bem palatável no meio petista, por moderado. No entanto, também é respeitado pelo mercado.


Tudo indica, portanto, que o segundo mandato da presidente Dilma Rousseff terá bons nomes para arrumar a casa, hoje, totalmente desmantelada. Tanto Joaquim Levy como Nelson Barbosa são profissionais preparados, que não aceitarão as manobras contábeis e a falta de transparência da política econômica atual. Pela credibilidade da equipe econômica que se anuncia, podemos esperar melhor relação e credibilidade com o mercado, tal como se fosse Armindo Fraga um dos ministros nomeados.  

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Apocalípse, agora

Fernando Gabeira – Publicado em “O Estado de São Paulo”.
Passada uma semana do juízo final, ainda me pergunto cadê a Dilma. Ela disse que as contas públicas estavam sob controle e elas aparecem com imenso rombo. Como superar essa traição da aritmética? Uma lei que altere as regras. A partir de hoje, dois e dois são cinco, revogam-se as disposições em contrário.
Os sonhos de hegemonia do PT invadem a matemática, como Lysenko invadiu a biologia nos anos 30 na Rússia, decretando que a genética era uma ciência burguesa. A diferença é que lá matavam os cientistas. Aqui tenho toda a liberdade para dizer que mentem.
Cadê você, Dilma? Disse que o desmatamento na Amazônia estava sob controle e desaba sobre nós o aumento de 122% no mês de outubro. Por mais cética que possa ser, você vai acabar encontrando um elo entre o desmatamento na Amazônia e a seca no Sudeste.
Cadê você, Dilma? Atacou Marina porque sua colaboradora em educação era da família de banqueiros; atacou Aécio porque indicou um homem do mercado, dos mais talentosos, para ministro da Fazenda. E hoje você procura com uma lanterna alguém do mercado que assuma o ministério.
Podia parar por aqui. Mas sua declaração na Austrália sobre a prisão dos empreiteiros foi fantástica. O Brasil vai mudar, não é mais como no passado, quando se fazia vista grossa para a corrupção. Não se lembrou de que seu governo bombardeou a CPI. Nem que a Petrobrás fez um inquérito vazio sobre corrupção na compra de plataformas. A SBM holandesa confessou que gastou US$ 139 milhões em propina.
E Pasadena, companheira?
O PT está aí há 12 anos. Lula vez vista grossa para a corrupção? Se você quer definir uma diferença, não se esqueça de que o homem do PT na Petrobrás foi preso. Ele é amigo do tesoureiro do PT. A cunhada do tesoureiro do PT foi levada a depor porque recebeu grana em seu apartamento em São Paulo.
De que passado você fala, Dilma? Como acha que vai conseguir se desvencilhar dele? A grana de suas campanhas foi um maná que caiu dos céus?
Um dos traços do PT é sempre criar uma versão vitoriosa para suas trapalhadas. José Dirceu ergueu o punho cerrado, entrando na prisão, como se fosse o herói de uma nobre resistência. Se Dilma e Lula, por acaso, um dia forem presos, certamente, dirão: nunca antes neste país um presidente determinou que prendessem a si próprio.
Embora fosse um fruto do movimento de arte moderna no Brasil, Macunaíma é um herói pós-moderno. Ele se move com desenvoltura num universo onde as versões predominam sobre as evidências. Nesta primeira semana do juízo final, pressinto a possibilidade de uma volta ao realismo. É muito aflitivo ver o País nessa situação, enquanto robôs pousam em cometas e EUA e China concordam em reduzir as emissões de gases de efeito estufa. O realismo precisa chegar rápido para a equação, pelo menos, de dois problemas urgentes: água e energia. Lobão é o ministro da energia e foi citado no escândalo. Com perdão da rima, paira sobre o Lobão a espada do petrolão. Como é que um homem desses pode enfrentar os desafios modernos da energia, sobretudo a autoprodução por fontes renováveis?
Grandes obras ainda são necessárias. Mas enquanto houver gente querendo abarcar o mundo a partir das estatais, empreiteiras pautando os projetos, como foi o caso da Petrobrás, vamos patinar. O mesmo vale para o saneamento, que pode ser feito também por pequenas iniciativas e técnicas, adequadas ao lugar.
Os homens das empreiteiras foram presos no dia do juízo final. Este pode ser um caminho não apenas para mudar a política no Brasil, mas mudar também o planejamento. A crise hídrica mostra como o mundo girou e a gente ficou no mesmo lugar. Existe planejamento, mas baseado em regularidades que estão indo água abaixo com as mudanças climáticas.
O dia do juízo final não foi o último dia da vida. É preciso que isso avance rápido porque um ano de dificuldades nos espera. Não adianta Dilma dizer que toda a sua política foi para manter o emprego. Em outubro, tenho 30.283 razões para desmentir sua fala de campanha: postos de trabalho perdidos no período.
Não será derrubando a aritmética, driblando os fatos que o governo conseguirá sair do seu labirinto. O desejo de controlar a realidade se estende ao controle da própria oposição. O ministro da Justiça dá entrevista para dizer como a oposição se deve comportar diante do maior escândalo da História. Se depois de saquear a Petrobrás um governo adversário aconselhasse ao mais ingênuo dos petistas como se comportar, ele riria na cara do interlocutor. Só não rio mais porque ando preocupado. Essa mistura de preocupação e riso me faz sentir personagem de uma tragicomédia.
Em 2003, disse que o PT tinha morrido como símbolo de renovação. Me enganei. O PT morreu muitas vezes mais. Tenho de recorrer ao Livro Tibetano dos Mortos, que aconselha a seguir o caminho depois da morte, sem apego, em busca da reencarnação. Em termos políticos, seria render-se à evidência de que saqueou a Petrobrás, comprou, de novo, a base aliada e mergulhar numa profunda reflexão autocrítica. No momento, negam tudo, mas isso o Livro Tibetano também prevê: o apego à vida passada é muito comum. Certas almas não vão embora fácil.
A crise é um excelente psicodrama: o ceticismo político, a engrenagem que liga governo a empreiteiras, o desprezo pelas evidências, tudo isso vira material didático.
Dizem que Dilma vive uma tempestade perfeita com a conjunção de tantos fatores negativos. Navegar num tempo assim, só com o preciso conhecimento que o velho Zé do Peixe tinha da costa de Aracaju, pedra por pedra, corrente por corrente.
No mar revolto, sob a tempestade, os raios e trovões não obedecem aos marqueteiros. Por que obedeceriam?

O ministro da Justiça vê o incômodo de um terceiro turno. Não haverá terceiro turno, e, sim, terceiro ato. E ato final de uma peça de teatro é, quase sempre, aquele em que os personagens se revelam. Por que esses olhos tão grandes? Por que esse nariz tão grande, as mãos tão grandes, vovozinha?

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Prematuridade – Um trabalho dedicado e competente

Na última segunda-feira, dia 17 de novembro, foi o Dia Mundial da Prematuridade. Este dia no Brasil se estende na Semana Internacional de Sensibilização da Prematuridade. Esta data foi instituída em 2009, mas no Brasil começou a ser celebrada no ano de 2012, durante o XXI Congresso Brasileiro de Perinatologia, que aconteceu na cidade de Curitiba, com o objetivo de conscientizar sobre a importância da prevenção de partos prematuros. 

Atualmente, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), a prematuridade é responsável por quase metade do número de mortes de recém-natos no mundo. No Brasil, em torno de 12% do total de nascimentos é de partos prematuros, que acontecem antes de 37 semanas de gestação, segundo o Ministério da Saúde - MS. Um percentual bastante elevado, uma vez que a prematuridade pode ser evitada, principalmente se realizado um pré-natal de qualidade.

De acordo com a OMS, o número de bebês nascidos de partos prematuros no mundo é de cerca de 15 milhões por ano. No Brasil este número chega à cifra de 280 mil, também no período de um ano. O custo do tratamento é enorme, pois além de cuidados especiais em Unidades de Terapia Intensiva (UTI’s) há necessidade de medicamentos extremamente onerosos, tais como os sulfactantes.

Pelos últimos indicadores disponibilizados pelo MS, relativos ao ano de 2011, a maior taxa de mortalidade por prematuridade no Brasil é a do estado do Amapá, com 17,0 mortes para cada 1.000 nascimentos; depois vem a do Piauí, com 15,4 mortes para cada 1.000. As menores são: Santa Catarina, com 7,4 para cada 1.000 nascimentos; seguida por São Paulo, com 7,6 mortes para cada 1.000.

No Espírito Santo, no mesmo período, a mortalidade por prematuridade foi de 8,4 mortes para cada mil nascimentos. Essa taxa é bem menor que a média nacional, de 10,0 mortes para cada 1.000.

Nos últimos anos, a média da mortalidade por prematuridade do Hospital Evangélico de Cachoeiro de Itapemirim (HECI) tem se mostrado menor que a média apurada para o Espírito Santo. Considerando que a maternidade do HECI é referência para o atendimento de gestantes com gravidez de risco e cardiopediatria, pode-se dizer que aquela unidade trabalha com indicadores excelentes, também bem menores que a média nacional.

Isto se deve ao trabalho profícuo desenvolvido na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN) pela equipe médica liderada pela Dra. Andressa Mussi Soares e todo trabalhos multidisciplinar realizado no Serviço. Dra. Andressa é hoje uma referência nacional em cardiopediatria, e profissional de elevadíssima capacidade técnica. Por isto, conseguiu formar uma equipe de absoluta competência.

Antes da UTI Neonatal do HECI, os bebês prematuros da região sul do Espírito Santo, principalmente os de parto precoce (antes de 30 semanas), tinham pouquíssimas chances de vida. Hoje, depois de 11 anos de funcionamento, chega-se a conclusão que a UTI Neonatal do HECI vem tendo importância de caráter fundamental.

Um bom exemplo é o sucesso na reabilitação de prematuros com menos de 500 gramas. Isto é um fato raríssimo, considerando a realidade brasileira. Ressalta-se que a UTI Neonatal do HECI tem inovado na utilização de modernas tecnologias e terapêuticas, tal como o uso do óxido nítrico, que foi a primeira unidade a utilizá-lo no Espírito Santo, há cerca de 10 anos.


Então, fica uma constatação apenas: “Santos de casa” muitas vezes fazem milagres...

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Dilma, indevidamente

Por Dora Kramer – Publicado em “O Estado de São Paulo”
Partindo do pressuposto de que não lhe falha a memória e de que o Brasil não sofre epidemia de amnésia, a presidente Dilma Rousseff incorre em ato de deliberada apropriação indébita ao atribuir ao seu governo o marco histórico no combate à corrupção, devido ao desmonte do esquema de ilícitos em funcionamento na Petrobrás entre 2003 e 2012.
Da Austrália, a presidente se pronunciou dizendo que esse é um escândalo de características especiais. Segundo ela, "o primeiro a ser investigado". E por isso mesmo, um divisor, "capaz de mudar para sempre as relações entre a sociedade brasileira, o Estado brasileiro e as empresas privadas", em relação à impunidade. Avocou para si o mérito, quando ele se deve a instituições que funcionaram com independência: Congresso, Polícia Federal, Ministério Público e Supremo Tribuna Federal.
Em matéria de amplitude há, de fato, ineditismo, como demonstraram as prisões dos executivos de empreiteiras na última sexta-feira e já indicam as notícias sobre a próxima fase da Operação Lava Jato sobre o envolvimento de algumas dezenas de políticos. Nem de longe, porém, é possível dizer que esse seja o primeiro escândalo a ser investigado e muito menos que seja a causa de mudança de procedimentos.
Na realidade, é consequência de um escândalo produzido pelo PT, o mensalão: desde a denúncia de Roberto Jefferson, passando pela bem sucedida CPI dos Correios, o trabalho do Ministério Público, a denúncia do procurador-geral Antonio Fernando de Souza, o julgamento e as condenações no Supremo Tribunal Federal, até as prisões dos réus.
Enquanto os políticos estão quase todos cumprindo suas penas em prisão domiciliar, os operadores do esquema nos bancos e agências de publicidade continuam na cadeia. O principal deles, Marcos Valério ainda ficará por muito tempo em regime fechado. Confiou na influência dos donos do poder e calou-se na CPI e na Justiça. Quando quis fazer delação premiada era tarde.
Deu-se ali a mudança de paradigma que serviu de exemplo e, depois de alguma resistência, incentivou Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef a optarem pelos acordos de delação premiada. A eles recentemente juntaram-se outros, no que em breve talvez seja uma fila.
Com base nas informações prestadas em exaustivos depoimentos é que a polícia está conseguindo desmontar o que a PF já havia chamado de "organização criminosa" montada dentro da Petrobrás. Isso ao tempo em que o governo tratava o assunto em estado de total negação de que houvesse qualquer tipo de irregularidade na estatal - no máximo se admitia erros administrativos, nunca decorrentes de "má-fé", muito menos de intenções delituosas.
De onde não se pode aceitar como verossímil a versão de que foi a presidente quem "mandou" investigar. Inclusive porque o trabalho foi feito em conjunto pela Polícia Federal, Ministério Público e Justiça do Paraná, instâncias cuja autonomia é assegurada pela Constituição.
Até meados do ano, antes de aparecerem evidências mais consistentes, o governo só fez trabalhar intensamente para inviabilizar as comissões de inquérito no Congresso que pretendiam investigar os negócios na Petrobrás, tentar adiar decisões do Tribunal de Contas da União sobre a refinaria de Pasadena e por várias vezes ministros, políticos governistas e a própria presidente insistiam na versão de que quem lança suspeições sobre a empresa tinha como objetivo enfraquecer um patrimônio nacional e impor prejuízos políticos à candidatura da presidente.
Houve mesmo um momento em que Dilma pôs em dúvida a veracidade do conteúdo das delações premiadas e acusou a oposição de usar as "supostas denúncias" para dar "um golpe" no País.
Diante de tanta contradição e ambiguidade, é de puro exercício de ficção transformar o governo de agente a combatente da corrupção na Petrobrás.

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Um grande Presidente



No último dia 13 de outubro foi para perto de DEUS o nosso querido presidente, Dr. José Affonso Coelho. Dia 17 próximo, segunda-feira, ele completaria 82 anos. Pouco antes da sua morte, o Espírito Santo havia perdido o seu filho, Deputado Glauber Coelho. A dor havia sido bastante profunda, diríamos que imensurável. Dr. José Affonso a suportou em silêncio. Nós que convivíamos diretamente com ele tínhamos a dimensão do amor e admiração que sentia pelo filho. Glauber era a convergência da família.

Outro ponto de referência na vida do Dr. José Affonso era o Hospital Evangélico de Cachoeiro de Itapemirim (HECI), ao qual se dedicou como um verdadeiro BENEMÉRITO, por 25 anos de sua vida, sendo mais de 20 anos como presidente do Conselho Deliberativo. Durante todo esse tempo foi um exemplo de doação com altruísmo, honestidade (no mais amplo sentido) e companheirismo, valores tão raros nos dias de hoje.

Pouco antes de sua partida tivemos a oportunidade de conversar sobre o setor da saúde na nossa região. Assim, relembramos: a trajetória do HECI, desde a presidência de Anarim, quando reabrimos o hospital conseguindo recuperar a sua credibilidade; a melhoria dos serviços e os avanços conquistados nos últimos anos em benefício da região; a coragem do HECI em assumir o antigo Hospital e Maternidade “Santa Helena”, com uma dívida enorme, unicamente, para não deixar a população desassistida. 

Naquela ocasião também tivemos a oportunidade de lembrá-lo de que o trabalho realizado frutificara em função de que todos os recursos financeiros haviam sido aplicados da forma adequada e que assim cumprimos da melhor forma com nossas obrigações. Sua resposta veio através de um simples sorriso, demonstrando contentamento e aprovação.

No HECI, o Dr. José Affonso era queridíssimo por todos que tiveram o privilégio da sua convivência. E não foram poucos, haja vista a sua presença quase que diária ao hospital. O mesmo também aconteceu nos lugares pelos quais passou. Foi assim no Ateneu Cachoeirense, na Maçonaria, no Rotary Clube Cachoeiro Oeste, no CETEMAG (Centro Tecnológico do Mármore e Granito), no Sindirochas, na FINDES (Federação das Indústrias do Estado do Espírito Santo) e em suas empresas. Enfim, não é exagero dizer em cada lugar...

Destacou-se também por sua absoluta fé em DEUS, deixando o exímio exemplo de verdadeiro presbítero e cristão, como membro da Primeira Igreja Presbiteriana, da Rua Moreira, a qual representava com absoluto empenho nas Assembléias do HECI.

Mas, além da elevada fé nunca deixou de lado a preocupação com os amigos e colaboradores. Neste aspecto, não lhe faltavam palavras de incentivo, sempre com um enorme prazer, sentindo-se feliz com o sucesso e realização de cada um. Além disso, era um desenvolvimentista e gostava de acompanhar o progresso tanto do município, do Espírito Santo e do nosso país. Sobretudo porque sabia dessa condicionante para o desenvolvimento social e humano.
 

A partida de Dr. José Affonso Coelho nos deixou mais pobres em nossa convivência diária. No entanto, não podemos jamais esquecer que os grandes homens não morrem, porque deixam para os que ficam os seus exemplos.