sexta-feira, 27 de julho de 2012

“A coisa aqui tá preta”

Hoje começam as Olimpíadas de Londres e talvez logo tenhamos algum motivo para comemorar. Certamente as medalhas de ouro não serão muitas, como em olimpíadas anteriores. Então, valorizemos as medalhas de prata e as de bronze, ou mesmo as posições honrosas, pelos esforços de nossos atletas. Nessa competição estão os melhores do mundo; qualquer feito merece ser louvado!
E vale a comemoração por nossos heróis, que dão a verdadeira alegria ao povo brasileiro, pois a realidade é “que a coisa aqui tá preta”, da maneira certinha como diz Chico Buarque de Holanda, na música “Meu caro amigo”.
Vejam que a ex-deputada federal Ana Arraes - filha do ex-governador Miguel Arraes e mãe de Eduardo Campos, atual governador de Pernambuco e presidente do PSB nacional -, não demorou a mostrar para o que veio, quando indicada pelo filho para ministra do Tribunal de Contas da União (TCU).
No final da semana passada a ministra Ana Arraes, contrariando pareceres dos técnicos do TCU, julgou pela legalidade dos contratos de publicidade entre o Banco do Brasil e a empresa DNA, de propriedade de Marcos Valério, operadora do MENSALÃO do PT. Esses contratos eram uma das fontes que irrigavam de dinheiro o MENSALÃO.
Para nublar ainda mais a questão, o argumento para sustentação da tese da ministra é baseado em uma lei aprovada em 2010, de iniciativa do atual ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso (PT – SP). Essa lei, portanto, foi aprovada depois do MENSALÃO, mas tem caráter retroativo para anistiar crimes passados, mesmo impondo prejuízos ao erário público.

A defesa do bandido Marcos Valério já anunciou que usará a legalização dos contratos da DNA pelo TCU, para defesa do réu no processo do MENSALÃO do PT, cujo julgamento pelo Supremo Tribunal Federal (STF) começa na próxima semana.

Esse julgamento é outra questão preocupante, a começar pela presença do ministro Antônio Dias Toffoli, último indicado por Lula da Silva para o STF pela “reputação ilibada e notório saber”, da forma que comprova seu currículo: advogado do PT durante três campanhas de Lula da Silva a presidente; subchefe de assuntos jurídicos da Casa Civil durante a gestão de José Dirceu; assessor parlamentar da liderança do PT na Câmara dos Deputados.  Seu principal voto no STF foi em favor dos chamados “fichas sujas”, habilitando-os a participar da última eleição.

O ministro Dias Toffoli também “foi condenado pela Justiça do Amapá, em 2009, a devolver aos cofres públicos a importância de cerca de R$ 420 mil reais sob a acusação de ter ganho licitação supostamente ilegal em 2001 para prestar serviços advocatícios ao governo estadual”, conforme notícia do jornal “Folha do de São Paulo”.

Outra questão é que a atual namorada do ministro Dias Toffoli, a advogada Roberta Rangel, atua diretamente na defesa de réus do MENSALÃO do PT.

Não obstante a tanta prova do laço umbilical que une o ministro Dias Toffoli ao PT e aos réus da cúpula do partido, entre eles José Dirceu, até o momento não houve qualquer gesto do ministro, no sentido de se considerar impedido no julgamento do MENSALÃO.  Por este motivo inclusive circula na internet um abaixo assinado da sociedade, que solicita o impedimento do ministro Toffoli, no site “Petição Pública Brasil”.

Também é de estranhar a reação de outros ministros do STF ante a afirmação da corregedora nacional Justiça, ministra Eliana Calmon, de que o “Supremo será julgado pela opinião pública ao analisar o processo do MENSALÃO”. A sabedoria popular diz que “quem não deve, não teme!”.

É... “A coisa aqui tá preta”! Então, além de muitas medalhas nas Olimpíadas, vamos torcer para que a nossa Justiça ainda não esteja cega, uma vez que a impunidade continua um de nossos grandes problemas.







sexta-feira, 20 de julho de 2012

Oportunidades Perdidas

O Instituto Paulo Montenegro (IPAM) e a ONG Ação Educativa publicaram nesta semana os resultados de pesquisa que avalia a situação do analfabetismo funcional no Brasil na última década. Dois fatos chamam muito a atenção: O primeiro é o indicador que mede a alfabetização funcional plena, que se manteve inalterado em 26% da população.
Isto quer dizer, de acordo com as classificações e os conceitos atribuídos às categorias consideradas pelo IPAM, que somente 1 em cada 4 brasileiros tem habilidade plena, no grupo daqueles que “não mais impõem restrições para compreender e interpretar textos usuais: lêem textos mais longos, analisam e relacionam suas partes, comparam e avaliam informações, distinguem fato de opinião, realizam inferências e sínteses...”.
O segundo ponto é que 38% dos estudantes do ensino superior – mais de um terço dos alunos do terceiro grau - apresentam dificuldades graves para escrever e realizar leitura.
Ambos indicadores revelam que a realidade brasileira, quando se considera a qualidade da educação, está muito distante de padrões aceitáveis. Também desmistificam o que tem anunciado os gestores públicos, muitas vezes de forma ufanista, de que temos evoluído na educação “como nunca antes na história deste país”.
É fato inquestionável, com uma simples interpretação dos dados da pesquisa em questão, que a última década pode ser considerada como uma década perdida, quando o enfoque é a qualidade da educação. Não cabe no mundo competitivo de hoje comemorar apenas a redução do analfabetismo absoluto! O avanço tecnológico exige pessoas qualificadas e com capacidade para execução de processos produtivos mais complexos e sofisticados.
Por isto, a ineficiência da mão de obra é considerada como uma das variáveis impactantes no chamado custo Brasil, haja vista o custo adicional que têm as empresas para melhoria da qualidade de seus quadros e a baixa produtividade em função disso.
E não estamos falando em alcançar o “pleno domínio de habilidades que hoje é condição imprescindível para a inserção plena na sociedade letrada”, conforme comentário do IPAM, por ser uma questão muito mais abrangente.
Para a doutora Vera Masagão Ribeiro, coordenadora da ONG Ação Educativa, “a chegada de novos estratos sociais às etapas educacionais mais elevadas vem, muitas vezes, acompanhada da falta de condições adequadas para que estes estratos alcancem níveis mais altos de alfabetismo, o que reforça a necessidade de uma nova qualidade para educação escolar”. Daí a necessidade de investimentos e inovações para transformar a realidade do nosso sistema de ensino, principalmente no âmbito público.
No Brasil existem muitas pessoas capacitadas a promover as mudanças necessárias. No entanto, “a educação não tem sido vista como uma prioridade”, da maneira como tem dito o senador Cristovam Buarque (PDT-DF), reiteradamente. Contudo, indo ainda mais longe, a educação tem sido vista apenas como um instrumento para projeção e manipulação política, e não como uma política de estado.
Os países do grupo chamado “Tigres Asiáticos”, entre eles a Coréia do Sul, são exemplos da capacidade de transformação que tem a educação, quando direcionada como uma política prioritária.
Aqui no Brasil, continuada a atual política, estamos fadados a permanecer patinando. E continuaremos a comemorar apenas números, sem qualidade. Infelizmente, o último ministro que quis trabalhar seriamente em benefício da transformação brasileira - o próprio Cristovam Buarque - foi demitido pelo telefone.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

O choro para ganhar no tapetão

Nesta semana o novo presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Vagner Freitas, prometeu levar às ruas os trabalhadores, caso os réus do MENSALÃO do PT venham a ser condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento previsto para começar no início do próximo mês. O argumento é de que o julgamento do MENSALÃO do PT “não pode ser um julgamento político”.
Freitas disse ainda: “Não queremos um país desestabilizado por uma disputa político-partidária entre o bloco A e o B”, uma vez que ele considera o momento político “importante para o trabalhador”.
Acontece que a disputa política não é um problema, mas uma das principais virtudes do sistema democrático, por permitir a alternância do poder. Querer o país governado exclusivamente pelo bloco “A”, ou pelo bloco “B”, e não aceitar o debate político é querer impor uma ditadura.
A CUT é um dos fortes braços políticos do PT e suas ações são sempre no campo político. Contudo, esse tipo de ação oportunista, com fins notórios de manter incondicionalmente o poder, tem que ser veementemente repudiada e criticada. O que tem que prevalecer não é a opinião da CUT, mas a vontade da população. É a soberania do povo, a maior salvaguarda da democracia e do estado de direito.
Nossa própria Constituição consagrou como princípio fundamental, em seu artigo primeiro, que “o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos...”. Portanto, não é a CUT ou qualquer outra entidade que deve determinar o que é bom (ou não) para o Brasil.
Outro propósito do presidente da CUT é desqualificar o julgamento do MENSALÃO, da mesma forma como tem feito a ala majoritária do PT, sob a batuta de Lula da Silva e de José Dirceu. Não foram poucas as iniciativas contra a imprensa independente, a Procuradoria Geral da República, o STF e a oposição. Felizmente, esse segmento do PT não vem logrando êxito em sua tática, pela própria resistência de nossas instituições, fortalecidas pelo sistema democrático.
Com relação ao julgamento do MENSALÃO do PT devemos crer que nossa Suprema Corte fará um julgamento essencialmente técnico, baseado em provas de dezenas e dezenas de volumes. Não cabe agora qualquer suspeição, principalmente da CUT, não só pelo viés político, mas, sobretudo, pelo laço umbilical que a une à maioria dos mensaleiros.
Estranho é que em casos de corrupção, de uso indevido do dinheiro público e de outras mazelas, com claros prejuízos à nação, não se vê uma manifestação da CUT. Na questão do rendimento do FGTS do trabalhador, que ano a ano perde bilhões e bilhões de reais, pelo rendimento abaixo da infração, também não se vê uma só manifestação da CUT. A preocupação está sempre na esfera política, principalmente na defesa de seu partido (PT).
Assim, cabe-nos torcer como brasileiros e trabalhadores verdadeiros que o julgamento do MENSALÃO do PT pelo STF tenha um desfecho justo e que os réus venham ser condenados, independente das pressões desesperadas de quem joga para ganhar a partida no tapetão. Desta forma, daremos mais um passo importante contra a impunidade e a favor do sistema republicano e democrático.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

O Conto do Vigário

Diz o “Conto do Vigário” que dois padres - nos meados do século XVIII em Ouro Preto (MG) - disputavam uma imagem de Nossa Senhora, ricamente cravada em madeira de lei, com detalhes em ouro e diamante. A disputa estava quase chegando às vias de fato de tão acirrada, quando um dos padres teve a idéia para encerrar a pendenga.
Então, convocou o outro vigário, na presença das famílias mais representativas dos dois lados, como testemunhas, e propôs: A imagem de Nossa Senhora seria amarrada no lombo de um burro, entre as igrejas envolvidas; a direção e a proximidade da igreja que o burro tomasse depois de solto, determinariam quem ficaria com a imagem.
Como todos concordaram, assim foi feito! Ao final do dia, com a imagem no lombo, o burro caminhou justamente na direção da igreja do vigário patrocinador da proposta.
A história conta que depois de algum tempo foi descoberto que o burro estava acostumado a caminhar por aquele percurso, já que era de propriedade do próprio padre autor da proposta. Mas de nada adiantaram os protestos veementes da outra parte, pois durante o acordo ninguém havia pensado na idoneidade do burro.
Se realmente esse fato aconteceu da maneira contada, não se sabe. Contudo, que o vocábulo “vigarista” vem desde essa época, não há dúvida! É isto que nos diz o historiador e antropólogo potiguar, dos mais estudiosos da cultura brasileira, Luís da Câmara Cascudo.
De lá para cá o “Conto do Vigário” e os vigaristas foram se aperfeiçoando. É claro que para o vigarista há que ter os incautos. Se não fosse a boa fé o vigarista não existia.
Agora, o que deixa toda boa alma perplexa é a capacidade de alguns vigaristas em executar suas investidas. Veja o leitor que não há escola técnica, faculdade ou qualquer outro curso, mesmo que um curso livre, para especializar àqueles com aptidão à vigarice. Mesmo assim muitos conseguem chegar à expertise, tal como se tivessem passado por cursos de mestrado, doutorado ou pós-doutorado.
Ah! Será que é por isso que muitos vigaristas vêm sendo laureados com o título de doutor honoris causa?
Convenhamos: para o sucesso na carreira de vigarista é preciso muita expertise! Enganar um e outro, aqui e ali pode ser fácil. Mas, enganar multidões é muito difícil! São poucos com capacidade para realizar tal façanha. Essa minoria é tão “esperta” que engana a primeira vez e depois consegue continuar enganando...
Quem ainda não foi vítima de um “Conto do Vigário”? Talvez muito pouca gente! Também, ninguém pode dizer que “dessa água não beberei”, pelo próprio perigo que é a expertise do vigarista, não é mesmo? Então, vale o máximo cuidado: os vigaristas estão soltos! Depois que o fato acontece não adianta lamentar; no Brasil não há um só vigarista profissional na cadeia!
Mudando de tema, vamos às coisas boas, afinal: “O Brasil agora é um país desenvolvido”; somos “o país que mais cresce no mundo”; “pagamos toda nossa dívida externa”; o “MENSALÃO não existiu”; “nunca na história deste país foram criadas tantas universidades” (como também nunca desmembramos tantas); não temos problemas na área da saúde, porque aqui “a saúde está perfeita”.
Como tudo aqui anda às mil maravilhas, vamos aplaudir o abraço fraterno entre Lula da Silva e Paulo Maluf. Para que estender alguma coisa a mais sobre o conto do “Conto do Vigário”?

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Nosso JORNALISTA MAIOR


Nesta festa de São Pedro temos um motivo a mais - e muito especial - para comemorar. Agora o motivo são as homenagens ao querido jornalista e escritor Sérgio Garschagen, eleito o Cachoeirense Ausente de 2012. E não são poucos os méritos para essas homenagens. Desde 1942, quando Heráclides Gonçalves foi o primeiro a ser homenageado, pela brilhante idéia de Newton Braga, a escolha deste ano é das mais justas.
O primeiro ponto a considerar é o espírito bairrista de amar sua terra natal e preservar as suas origens, que Sérgio Garschagen sabe cultivar com rara maestria. Quem teve a felicidade de ler o livro “Parece que foi ontem”, certamente pode perceber a pureza de valores e o espírito de um verdadeiro CACHOEIRENSE, daqueles que podem ser substantivados com todas as letras maiúsculas.
“Parece que foi ontem” consegue situar o autor na integridade de seu tempo, interagindo com a cidade e com as pessoas, de forma singela e verdadeira. Um trabalho cheio de vidas, impossível de realizar sem uma grande capacidade intelectual, aliada aos sentimentos humanos mais nobres e ao coração.
Sérgio Garschagen mostra de forma latente como valorizar os amigos, sua terra e sua gente, na construção de uma verdadeira história. Certamente “Parece que foi ontem” será lido por muitas e muitas gerações; não se apagará, pois estará lapidado em nossas pedras, como parte perene da nossa cultura e da historia de Cachoeiro de Itapemirim.
Outro fato que valoriza muito a escolha do Sérgio é a sua participação ativa na vida cultural da nossa cidade. Ele está presente como colaborador nas páginas deste diário “Aqui Notícias”, com sua coluna inteligente, diversificada e instrutiva, aos domingos, como também em todos os números da “Cachoeiro Cult”, nossa exímia revista de cultura.
É também comum vê-lo assinando em outras publicações. Na nossa revista do Hospital Evangélico de Cachoeiro de Itapemirim -“ComuniquHECI” – ele jamais deixou de colaborar com um artigo, quando solicitado.  Percebe-se que Sérgio não mede esforço em dar sua colaboração, para o desenvolvimento cultural de sua terra natal.
Tal qual Newton Braga e Rubem Braga, respectivamente nosso POETA MAIOR e nosso CRONISTA MAIOR, o Cachoeirense Ausente de 2012, Sérgio Garschagen é indiscutivelmente, o nosso JORNALISTA MAIOR. Assim, com certeza, será guardado o seu nome no futuro. Definitivamente, Sérgio já é parte da nossa história!
Outra presença constante de Sérgio em nosso meio é através da rede social. Quem o acompanha no Face sabe da sua inteligência, de seu senso irreverente e irônico de humor. Vai aqui um bom exemplo, quando nos diz que somos “Um país de desclassificados – Segundo pesquisa, o Brasil é o segundo país no mundo com maior dificuldade em encontrar profissionais qualificados...”
O começo da carreira de jornalista de Sérgio foi no “Correio do Sul”. Daí alçou vôos por diversos órgãos de imprensa de circulação nacional e atuou em vários órgãos públicos, sobretudo em Brasília. Em todos os lugares e cargos que ocupou, ele soube dignificar o seu nome e suas origens.
Para que a escolha de Sérgio fosse mais valorizada ainda, quis DEUS que a disputa fosse com Deusdedit Baptista Júnior, justamente no ano da comemoração do centenário de nascimento de seu saudoso pai, o professor Deusdedit.
Parabéns, Sérgio Garschagen! São Pedro manda os anjos com suas liras, trombetas e clarins, para a alvorada em suas homenagens. Você faz jus a essa festa! 




sexta-feira, 22 de junho de 2012

Propaganda como dominação política

Dois fatores foram decisivos para a ascensão de Adolf Hitler no período pré-guerra que sacudiu a Alemanha Nazista. O primeiro foi a eloquência da oratória de Hitler. Tal foi esse poder, que o povo germânico ficou convencido de sua liderança, a ponto de se unir incondicionalmente na sustentação de seus valores, inclusive na preparação para guerra.    
O segundo ponto foi a máquina de propaganda, montada para elevar o moral do povo e inebriá-lo da sua supremacia - o povo devia se sentir forte diante das raças ditas “inferiores”.
A propaganda, segundo o próprio Hitler, devia ser “simples, emotiva e popular”, para influir em todos. Por esta orientação, observa-se que Hitler considerava o povo ariano suscetível à manipulável e com pouca capacidade crítica.
Assim, a importância da propaganda na Alemanha Nazista foi tal, que para executá-la Adolf Hitler criou um ministério próprio: o Ministério da Propaganda. Para o cargo de ministro escolheu um dos seus principais líderes, Paul Joseph Goebbels - jornalista, escritor, filósofo e cineasta -, um radical partidário das idéias do antissemitismo.
Goebbels executou com absoluta fidelidade as diretrizes de Hitler: Impôs normas e censura sobre os meios de comunicação, sobre as instituições de ensino e as manifestações artísticas.
Todos, sem exceção, deveriam estar alinhados à doutrina nazista. Para aqueles que se mostrassem contra, só sobrava as consequências das perseguições políticas. Muitas pessoas foram perseguidas; vários jornais, editoras e emissoras de rádio fechadas, para que fosse consolidado o projeto nazista.
Goebbels considerava o cinema fundamental para o sucesso desse projeto. Para ele o cinema tinha o poder de produzir um “efeito penetrante e durável” sobre as pessoas. Na época a televisão não estava presente no cotidiano das massas.
Então, não mediu esforços para incrementar a indústria cinematográfica na Alemanha. Os filmes eram bem estudados para aflorar os sentimentos das pessoas, por isto eram sempre muito emocionantes. Também estimulavam o preconceito étnico, principalmente sobre os judeus que eram mostrados como exploradores do povo, por acumuladores de riqueza. Ainda exaltavam a prosperidade e supremacia da Alemanha, para disseminar o orgulho nacional.
Outro foco da propaganda da Alemanha de Hitler era a criação de modelos de comportamento, no qual as camadas mais populares eram induzidas a evitar a luxúria e viver em padrões comedidos de riqueza.  
No entanto, somente após o final da II Guerra Mundial foi possível avaliar o funcionamento e a importância da máquina de propaganda nazista, pela extensão das atrocidades e dos danos caudados à humanidade.
Contudo, embora os ensinamentos da II Guerra Mundial tenham contribuído para a evolução humana, muito do que foi aprendido do modelo de propaganda nazista até hoje é praticado, consciente ou inconscientemente. Não são poucos os governantes, que em função de ideologias, impõem sistemas autoritários e antidemocráticos, como forma de manutenção do poder, utilizando-se da propaganda.
Esses governos, aos moldes do sistema de Hitler, se alicerçam na ignorância do povo, reincidentemente. E não em raras vezes, assim, a história se repete.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Como às sombras de uma nuvem negra

O ex-presidente Lula da Silva, quando ainda na presidência da República, disse aos brasileiros que o senador José Sarney não poderia “ser tratado como um cidadão comum”, quando caía sobre ele uma série de denúncias de irregularidades, durante a presidência do Senado Federal.
Nota-se que o ex-presidente Lula da Silva também se auto-enquadra nesse grupo atípico dos cidadãos “não comuns”. Por sua ótica, esse grupo está acima dos limites do bem e do mal, razão pela qual não é suscetível ao cumprimento das normas sociais e das leis. Essa é uma maneira, inclusive, de abominar os cidadãos comuns (os mortais), que pagam seus impostos e ainda zelam pela manutenção do nome limpo na praça.
Essa visão, aliás, é bem típica do comportamento do nosso ex-presidente. Não são poucas as vezes que ele tem demonstrado gestos anacrônicos, autoritários e antidemocráticos.   
Não é de se estranhar, portanto, o encontro do ex-presidente com Gilmar Mendes, ministro do Supremo Tribunal Federal – STF, com a pretensão de intervir no julgamento do MENSALÃO. Ele próprio já havia anunciado à nação a intenção de provar que o “MENSALÃO” teria sido uma conspiração da oposição e da imprensa, como se todos nós fossemos tolos e cegos.
Como um cidadão “não comum”, Lula da Silva, quer nas manifestações públicas ou às sombras, não esconde dos mais observadores o sentimento raivoso que nutre por todos aqueles que lhe pareçam uma ameaça. Por isto, seus alvos recorrentes sempre são a oposição e a imprensa.
A forma de agir do ex-presidente, sem zelo às instituições e à democracia, é muito assemelhada a dos governos da ditadura militar, no sentido de querer cegar e calar a todos. Essa forma de ação, todavia, é um erro grave contra a liberdade de expressão, principalmente para um homem público que pretende a posição de um estadista.
Outra maneira de ação muito assemelhada do ex-presidente com as ditaduras é o aparelhamento do Estado, para servir aos seus anseios: um projeto político que tem como prioridade a manutenção do poder a qualquer preço.
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) em andamento é parte desse projeto. Nasceu da esfera do ex-presidente com objetivo claro de influir na opinião pública e na decisão do STF sobre o MENSALÃO. As investigações direcionam para o aparelhamento do Estado, pelos elementos e provas que parecem pinçadas, o que se confirmado será gravíssimo.
Pelo andar da carruagem, os parlamentares ligados ao grupo de comando petista não medirão esforços para incriminar seus desafetos e confundir a opinião pública, custe o que custar. A empreiteira Delta e sua relação com o Governo Federal, principalmente com o Ministério dos Transportes e o Dnit, dificilmente será investigada.
Assim, não será novidade que daqui algum tempo essa CPMI venha a ser chamada de CPMI da VERGONHA, pela intensidade do cinismo e tamanho da desfaçatez.
Mas, enfim, nenhum deles pode “ser tratado como um cidadão comum”, pela passividade e ignorância política de nosso povo. Então, vamos deixar as questões de educação e cultura para outra oportunidade...