quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Governo sem pudor e sem rumo


Antes de tornar-se público o fracasso da política econômica petista e a roubalheira abrigada no seio do Planalto e das estatais, tal como tem demonstrado a Operação Lava-Jato, o projeto político prioritário do PT era o de garantir a qualquer custo a manutenção do poder. Instalada a crise econômica, moral e política, o projeto tornou-se imediatista, ou seja: obstruir o mais que possível a Operação-Lava Jato, para que tudo acabe mais uma vez em pizza, e evitar a qualquer preço o impeachment da presidente. 
O fatiamento da Operação Lava-Jato pelo Supremo Tribunal Federal (STF) é parte desse processo. Muito bem resumiu o jurista Hélio Bicudo, no programa “Roda Viva” da TV Cultura, na última segunda-feira, ao dizer: “Não acredito na isenção do Supremo Tribunal Federal... O que estão tentando fazer com o juiz Sérgio Moro é um disparate jurídico e moral... É um absurdo tirar da mão de quem está fazendo e dar para quem não vai fazer”. Em poucas palavras o jurista sintetizou o que pensa a maioria dos brasileiros.
O mesmo disparate ao qual se referiu Hélio Bicudo vem acontecendo com a “reforma” ministerial em curso, que a bem da verdade de reforma não tem nada. A intenção de mudar a estrutura da Controladoria-Geral da União (CGU), distribuindo suas funções entre a Casa-Civil e o Ministério da Justiça, sob o argumento de reduzir o número de ministério, na realidade tem por função inibir a apuração de malfeitos, já que a CGU é o órgão responsável por combater a corrupção no âmbito do Executivo.
A CGU foi criada em abril de 2001, no governo de Fernando Henrique Cardoso, com a intenção de proteger o patrimônio público, através do combate às fraudes e à corrupção, com a denominação de Corregedoria-Geral da União (CGU). No início do primeiro mandato de Lula da Silva (PT-SP) - a raposa populista – trocou-se o nome de corregedoria para controladoria, mas o órgão permaneceu com as mesmas funções.  Não obstante a nomeação de ministros afinados com o PT, o corpo técnico sempre foi um calo para a cúpula e o governo petista.
É por essa lógica que o governo Dilma Rousseff (PT-RS) também promove a dita “reforma” ministerial, que tem por único objetivo evitar o impeachment. O que se observa é o toma lá dá cá da velha política de loteamento do governo, para atenuar a fome do fisiologismo, que impede qualquer mudança séria em benefício do Brasil, em prol dos seus interesses. Na frente vão os insaciáveis PT e PMDB; no rastro das migalhas, os outros partidos ditos aliados...
Até o ex-presidente Lula da Silva - atolado até o pescoço, tamanha corrupção e malfeitos em seu período de “governo” – não tem o mínimo constrangimento em mostrar a cara, como se fosse o salvador de sua criatura, totalmente perdida e sem rumo. Mas, analisando friamente, o que não faltam são os oportunistas para roer o osso!
Enquanto isso a dívida pública e o desemprego vão aumentando; a credibilidade e a confiança no país caminham a passos largos para o fundo do poço, afugentando os investidores; a inflação sem controle vai corroendo os salários dos trabalhadores; o “Brasil afunda no crescimento negativo”, conforme dito pelo Banco Mundial, em sua maior recessão, depois da República Velha. Joga-se no lixo os mais nobres valores...
Assim, aos poucos, o Brasil vai se apequenando, ao seguir uma trajetória que faz lembrar a Argentina, sem luz no fim do túnel. O que falta é seguir a cartilha apontada pela Fundação Perseu Abramo, do PT, esta semana: demite-se o ministro Joaquim Levy e aplique-se, de novo, a política econômica que levou o Brasil para o buraco. Ou seja, deixem o país a esmo na escuridão, tal como aconteceu com a Venezuela.