sexta-feira, 21 de março de 2014

Nem com luneta enxerga os fracassos

A Copa do Mundo de 2014 está batendo às portas, mobilizando os vários estados brasileiros onde será realizado o evento. A oficialização do Brasil como sede foi feita pela Federação Internacional de Futebol Associados (FIFA), em Zurique - Suíça, no dia 30 de outubro de 2007. As cidades sedes definidas em 31 de maio de 2009, nas Bahamas.

Desde 2006, entretanto, sabíamos que o país escolhido seria o Brasil. O próprio presidente da FIFA, Joseph S. Blatter, havia manifestado esta intenção, depois de obter o sinal verde do ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira. O aval partiu do Palácio do Planalto, após reunião com o então ministro dos Esportes, Agnelo Queiroz (PT-DF) - atual governador do Distrito Federal - e o ex-presidente Lula da Silva.

Até então, tudo parecia andar às mil maravilhas, não fosse o Secretário Geral da FIFA, o francês Jérôme Valcke, em março de 2012 dizer ao mundo que “o Brasil precisava levar um pontapé no traseiro”, depois de constatar a morosidade na construção dos estádios. Daí para frente nossas autoridades, após contestarem de cabeça baixa esta declaração, resolveram se mexer. Mas, mesmo assim, as obras não foram devidamente aceleradas.

Para a Copa das Confederações, que é um evento teste para a Copa do Mundo, dos seis estádios prometidos, somente as arenas de Fortaleza e de Belo-Horizonte foram concluídas dentro do prazo. Os demais entregues a toque de caixa, inclusive com obras inacabadas.

Faltando agora apenas 82 dias para o jogo inaugural, os mesmos problemas se repetem. Parece que estamos fadados a não aprendermos com os nossos erros. Temos, portanto, que escutar calados Joseph Blatter dizer ao mundo que “nesta mesma época o Brasil está muito mais atrasado do que a África do Sul”, em sua preparação para a Copa de 2010.

Recentemente, Rodrigo Prada, jornalista e diretor do Portal 2014, comparando a África do Sul de 2010 com o Brasil observou o seguinte: As ruas limpas, os aeroportos modernos e as estradas bem sinalizadas, mostravam um país muito mais preparado que o nosso. Mas ainda tínhamos 4 anos, uma matriz de responsabilidades que havia acabado de sair do papel com obras de mobilidade urbana que incluíam até um trem de alta velocidade entre o Rio e S. Paulo, despoluição de mananciais, monotrilhos, BRT’s, aeroportos modernos, melhorias no saneamento, além de tantas outras promessas que faziam parecer que sediar a Copa valeria a pena.

A verdade é que o ex-presidente Lula da Silva em suas bravatas prometeu o que não poderia entregar. Da matriz de responsabilidades, a qual se refere Rodrigo Prada, muitas obras tiveram que ser canceladas; outras adiadas para entrega depois da Copa, sem tempo ainda determinado. Em suma, das obras restantes, poucas serão entregues em tempo hábil.

Para piorar a situação, a previsão de custo das obras subiu estratosfericamente. A arena de Brasília, por exemplo, foi orçada em R$ 700 milhões. Segundo as últimas estimativas, seu custo final poderá chegar a R$ 1,6 bilhão.

Outro ponto de vulnerabilidade são as estruturas temporárias exigidas pela FIFA. Cada uma delas custará em torno de R$ 40 milhões. E quando os estados assinaram o contrato com a FIFA, com aval do Governo Federal, sabiam disso.


Para a presidente Dilma Rousseff a Copa do Mundo é só benefícios e “o Brasil fará a Copa das Copas”. Só, que nem com luneta, ela reconhecerá alguns dos seus fracassos. A conjuntura econômica do mundo é outra, bem diferente do céu de brigadeiro em que navegou o ex-presidente Lula da Silva.

quinta-feira, 13 de março de 2014

Esperteza em berço esplêndido

Logo após a eleição da presidente Dilma Rousseff o ex-ministro José Dirceu alardeou em uníssono com o seu partido, que era chegada a hora do PT assumir na plenitude o governo. Desde então ficou claro para os demais partidos da base aliada, inclusive ao PMDB, maior sócio do PT no governo, que no mandato de Dilma Rousseff eles teriam menos espaço, embora necessários para composição da maioria.
Mesmo assim, o governo formou uma base aliada com quase trinta partidos, a maioria sem identidade com a bandeira petista. Esta composição é tão heterogênea, que vai desde a extrema esquerda à extrema direita; de ex-guerrilheiros a fiéis partidários da ditadura militar. Construiu-se, então, um balaio de gatos, onde o princípio mais nobre é controlar a maior soma de cargos e de recursos públicos. Um fisiologismo sem igual em nossa história política.
Para acomodar toda esta trupe a presidente Dilma Rousseff ampliou para 39 o número de ministérios e secretarias com status de ministério, batendo todos os recordes dos governos anteriores. O inchaço da maquina pública foi tão grande, que a estrutura e o quadro de funcionários das 39 pastas já não comportam na Esplanada dos Ministérios, que oneram os cofres públicos em mais de R$ 65 bilhões ao ano.
Para o seu feudo, o governo petista reservou 17 ministérios. Claro, os mais importantes e de maior visibilidade. Os aliados também não receberam o seu quinhão de “porteiras fechadas”, conforme é dito no jargão político. Ou seja, no segundo escalão o governo não abriu mão de nomear o pessoal do partido. Portanto, o racha que ora acontece na base aliada é fato plenamente previsível. Porém, de caráter essencialmente oportunista.
Podemos ter a certeza de que logo-logo o fisiologismo volta e toma conta. No modelo político de troca-troca adotado pelo governo petista prevalece os interesses individuais e de grupos sobre o coletivo. E assim os problemas reais do Brasil vão ficando sempre para segundo plano.
Seria muito bom para o país se o racha da base aliada fosse por convicção política; se os ministros fossem normalmente convocados para informar ao parlamento como está a condução de sua pasta. Anormal é que não obstante a tantas suspeições de irregularidades os órgãos a quem cabe fiscalizar façam vistas grossa, pelo apoio incondicional em troca dos favores.
Já não é sem tempo, por exemplo, que a presidente da Petrobrás, a Sra. Graça Foster, seja convocada, pois desde o governo do ex-presidente Lula da Silva, paira sobre aquela estatal a suspeição de inúmeras irregularidades. A última denúncia é a de pagamento de propinas a funcionários do alto escalão, pela offshore holandesa SBM. Além disso, há necessidade de maior transparência, inclusive para explicar o crescimento da dívida, que no último mês chegou à casa dos US$ 100 bilhões.
Os prejuízos que a Petrobrás tem gerado aos acionistas e ao país são enormes.

Infelizmente, o modelo de coalizão da democracia brasileira tem sido um terreno fértil para o fisiologismo. E assim as faxinas do governo vão ficando para história como contos da carochinha. 

sexta-feira, 7 de março de 2014

A tragédia de estar no lugar errado

Por Jathir Moreira

Na história de  Israel, Gideão foi o protagonista que libertou o povo do jugo de sete anos de opressão dos midianitas. Reconhecido como líder, ele foi convidado pelo povo para ser seu rei; mas recusou, dizendo que somente o Senhor Deus reinaria sobre eles. Foi então que Abimeleque, filho de Gideão, se aproveitou desse vácuo de liderança para matar os próprios irmãos e se fazer rei. Porém, Jotão, o mais moço, escapou.

Depois, o jovem Jotão, de um alto monte, proferiu uma historieta que ilustra uma lição de sabedoria e cuja moralidade é expressa como conclusão.

“Foram certa vez as árvores a ungir para si um rei, e disseram à oliveira: Reina sobre nós. Porém a oliveira lhes respondeu: Deixaria eu o meu óleo, que Deus e os homens em mim prezam, e iria pairar sobre as árvores? Então disseram as árvores à figueira: Vem tu, e reina sobre nós. Porém a figueira lhes respondeu: Deixaria eu a minha doçura, o meu bom fruto, e iria pairar sobre as árvores? Então disseram as árvores à videira: Vem tu, e reina sobre nós. Porém a videira lhes respondeu: Deixaria eu o meu vinho, que agrada a Deus e aos homens, e iria pairar sobre as árvores. Então todas as árvores disseram ao espinheiro: Vem tu, e reina sobre nós. Respondeu o espinheiro às árvores: Se realmente me ungis rei sobre vós, vinde, e refugiai debaixo da minha sombra” (Juízes 9.7-21).

A ilustração dos diversos tipos de árvores indica que cada pessoa tem que ser fiel à sua vocação, pois disso depende o reconhecimento de Deus e dos homens às obras de toda uma vida.

De modo oposto, quando isto não é observado, torna-se necessário produzir enganos, como o do espinheiro oferecendo sombra, ele que sombra não produz.

Esse é um dos maiores desafios da nossa sociedade: encontrar a pessoa certa para cada posição. Em qualquer área que se pense, quer seja no mundo corporativo empresarial ou no bojo da vida política, deslizes que possibilitem colocar pessoas despreparadas em posições de comando produzirá resultados desastrosos.

A nossa sociedade pragmática e voltada ao lucro pessoal, que preza mais a performance que o caráter, tem perdido de vista essa característica essencial de ver na vocação o elemento inicial de carreiras que primem por servir a sociedade, e não por espoliá-la. Ao observarmos certos fatos marcantes da vida nacional, percebe-se que há algo de muito torto neste quesito.

Quando não poucos policiais se imiscuem em atividades ilegais, matam e roubam, ao invés de promoverem a segurança e cumprirem as leis que juraram defender; quando juízes são flagrados vendendo sentenças, em vez de serem imparciais e justos; quando políticos são comprados para mudar de partido ou recebem vantagens para aprovarem leis, ao invés de honrarem o mandato para o qual foram eleitos; quando professores fingem ensinar e alunos fingem estudar, em vez de ajudarem a mudar o país através da educação — apenas para citar alguns exemplos mais notáveis e menos recomendáveis — isto mostra que algo precisa de correção.

Estamos fartos de ver pessoas nos lugares errados, só porque tiraram proveito de alguma situação. Por exemplo, quando um líder passa a vida defendendo a justiça e o direito, apenas porque está em desvantagem; mas depois, no poder, vive como se acima destes estivesse, ele só provou que é oportunista e que, portanto, está no lugar errado.

Uma visão equivocada da vida, com pessoas ocupando espaços que não lhes pertencem, por esperteza e não por vocação, gera uma sociedade plena de ineficiência. Assim, quando algum membro da sociedade está no lugar errado, obviamente fazendo as coisas com ineficiência e desonra ou somente não agindo com a eficiência e honra que lhe são requeridas, isso gera um desequilíbrio que facilmente pode resultar em tragédia. Basta olhar governantes corruptos e as resultantes mazelas sociais como exemplo.


Essas distorções fazem jus ao que preconiza o dito popular: “Quando se vê um jabuti numa árvore, ou foi enchente ou alguém o colocou lá”.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

O Brasil despido, se mostrando ao mundo

Após mais de sete anos de convivência com as autoridades brasileiras, o presidente e o secretário-geral da Federação Internacional de Futebol Associado (FIFA), Joseph S. Blatte e Jérôme Valcke, já entenderam o que é o “jeitinho brasileiro”. Tanto é assim, que na iminência de não verem cumpridas as promessas firmadas, ambos partiram para a política do morde e assopra, de modo a evitar maiores desgastes.

Deve-se lembrar que o próprio Blatter, após visitar os principais estádios de futebol brasileiro, em abril de 2007, alertou o então presidente Lula e seu ministro dos Esportes, Orlando Silva, que nenhuma das arenas vistoriadas tinha condições de sediar a Copa. Na ocasião também abordaram os graves problemas de mobilidade urbana e de infraestrutura, bem como a necessidade de obras, que ficariam como legados para a população das cidades sedes.

A princípio o ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, prometera que as reformas e construções das arenas seriam de responsabilidade da iniciativa privada. As demais obras caberiam às cidades sedes e aos estados, com o apoio financeiro do governo federal.

Antes, porém, o ministro Orlando Silva, com o aval de seu chefe, já havia prometido o seguinte: “O Brasil fará o que for preciso para que a Copa seja realizada no Brasil”. Depois o próprio Blatter demonstrou otimismo na saída de uma reunião com Lula da Silva, diante da empolgação do ex-presidente em realizar este evento.

Hoje, faltando 118 dias para o jogo inaugural entre o Brasil e a Croácia, das seis arenas restantes, que deveriam ser entregues até o final de 2013, apenas uma foi concluída. As arenas da Baixada (Coritiba) e a do Corinthians (São Paulo) só ficarão prontas em abril. Quanto à mobilidade urbana e a infraestrutura, diversas obras foram canceladas e poucas serão entregues a tempo.

Recentemente, o coordenador técnico da seleção brasileira, Carlos Alberto Parreira, em entrevista à CBN Esportes, afirmou ter havido “um descaso total”. Lembrou ainda que vários aeroportos “só serão licitados a partir de março, três meses antes”, e que isto é uma “brincadeira, pois fomos indicados há sete anos e só agora vão licitar em março, às vésperas da Copa do Mundo”.

No afã de mostrar ao mundo um país sem problemas, e ofertar um espetáculo - ou um circo? - à população brasileira, fica evidente que o governo petista não avaliou corretamente os encargos assumidos para realizar a Copa do Mundo. “O descaso total”, que se refere Parreira, não é uma ilação, mas a realidade nua de nosso fracasso no atual estágio da preparação.

A realidade é que estamos muito longe de um país de primeiro mundo, da forma como nos querem fazer crer o governo, inclusive a própria presidente Dilma Rousseff. Entretanto, continuamos com um dos piores indicadores de educação, quando comparados ao mundo; uma saúde pública com problemas de toda ordem. E a criminalidade e a segurança pública? O que dizer então da infraestrutura e da mobilidade urbana? E de questão simples, como a limpeza urbana das nossas cidades?

A presidente afirma que faremos “a Copa das Copas”, se abstendo de mencionar qualquer problema, pelo menos publicamente. Em certos casos ainda reluta em negá-los. Entretanto, é reconhecendo as deficiências o primeiro caminho que temos para enfrentá-las.


O que tem ficado para o mundo das declarações de Blatter e de Jérôme Valke, com relação aos atrasos do Brasil para a Copa do Mundo, é a amostra da nossa incompetência. Perdemos, portanto, mais uma oportunidade. Quem sabe, então, não seria necessário “um chute no traseiro” das autoridades brasileiras, da forma como disse Jérôme Valke no início de março de 2012, para despertá-las de seus fracassos. 

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Usando o médico para fazer política

A médica cubana Ramona Matos Rodriguez, contratada do programa “Mais Médicos” do Ministério da Saúde (MS), conseguiu driblar seus vigilantes e se refugiar na Câmara dos Deputados na última terça-feira. Ramona estava trabalhando no município de Paracajá, no interior do Pará, desde que chegou ao Brasil em outubro do ano passado.
A médica cubana teve mais sorte que seus compatriotas boxeadores, Guillermo Rigondeuaux e Eristandy Lara, presos pela PF após abandonarem a delegação de Cuba durante os Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro, em 2007. Ambos foram repatriados por ordem do ex-ministro da Justiça, Tarso Genro (PT-RS), depois de presos no interior do Rio de Janeiro, sem qualquer chance de asilo político.
Segundo Ramona, sua fuga se deu por sentir-se “enganada” pelo governo cubano. Justificou receber apenas US$ 1 mil/mês, do qual US$ 600 ficavam retidos em uma conta em Cuba, na qual só teria acesso quando voltasse, daqui a três anos. Além disso, afirmou estar sendo vigiada por colegas que seguiam seus passos, sentindo-se impedida de se deslocar livremente. 
Disse também temer pela segurança de sua filha, que também é médica e permanece em Cuba, onde recebe o salário de US$ 35 por mês.  Falou ainda da preocupação de ser repatriada, pois sabe que será presa caso retorne à Ilha.
Nada do que disse Remona é novidade. Lá em Cuba não há liberdade de expressão e todos têm que pensar da forma como quer o governo, como autômatos. Por isto, toda informação é criteriosamente controlada, em todos os meios de comunicação. Qualquer tipo de manifestação contrária ao regime é motivo de prisão. Lá impera o medo, haja vista que todos se sentem vigiados.
Aqui nesta coluna, antes mesmo da chegada dos médicos cubanos ao Brasil, dissemos que esta era uma forma do governo brasileiro subsidiar o governo comunista de Cuba. Agora se vê de forma muitíssimo nítida e transparente esta realidade. O povo brasileiro paga a Cuba R$ 10 mil/mês por médico, sem contar os gastos com moradia e alimentação. No entanto, o profissional recebe apenas US$ 400/mês, já que US$ 600 ficam retidos.
Então procede a denúncia de que pela legislação brasileira o trabalho dos médicos cubanos é assemelhado ao trabalho escravo, razão pela qual a própria Procuradoria Geral do Trabalho já sinalizou a abertura de processo, visando questionar na Justiça a ilegalidade do contrato bilateral para a vinda desses médicos.
O contrato é inaceitável e vergonhoso para o Brasil. O problema da falta de médicos poderia ser facilmente resolvido. Bastaria o governo criar a especialização em medicina básica, dando direito de acesso aos profissionais graduados em outras áreas da saúde. Após dois ou três anos de curso não faltariam médicos para atender a saúde básica nas comunidades carentes. Mas, com uma diferença: estaríamos gerando empregos para brasileiros.
Contudo, a questão parece ideológica (coisa do pensamento e do modo de governar petista). Enquanto, aqui, os portos e toda infraestrutura caem aos frangalhos, a presidente Dilma Rousseff inaugura um porto novo em Cuba, construído com o dinheiro do povo brasileiro. Não satisfeita, ainda agradece ao governo cubano pela vinda dos médicos que os brasileiros subsidiam, o que é uma forma sem grandeza de fazer política. 

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Subtraindo o poder de compra dos trabalhadores


O ministro da Fazenda, Guido Mantega (PT-SP), sempre informa aos contribuintes que a carga tributária está estabilizada; que não sofrerá novo aumento. Segundo ele, a arrecadação crescente é decorrente da “maior eficiência da receita”, que agora não mais faz vista grossa aos sonegadores, como faziam os governos “incompetentes” anteriores. Mas, na realidade os argumentos de Mantega não se sustentam.

Nesta semana o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) divulgou que a tabela do Imposto de Renda (IR) já acumula uma defasagem 61,42% em sua correção. Isto quer dizer que atualmente os brasileiros estão pagando mais 61,42% de IR, porque a tabela não é corrigida anualmente de acordo com a inflação real.

O limite para isenção do IR, considerando a correção para o ano-base de 2013, é de salários até R$ 1.787,77. Segundo os cálculos do DIEESE, esta isenção deveria ser de R$ 2.885,82, se a tabela fosse corretamente corrigida. Por esta razão é que a cada ano aumenta o número de contribuintes obrigados a pagar o IR.

O governo pode não ter aumentado a alíquota do IR, nem a carga tributária, da forma como diz Mantega, mas é inegável que ele promove o aumento real da arrecadação ao deixar de corrigir devidamente a tabela do IR, o que não deixa de ser uma grande esperteza para aumentar a arrecadação.

Outro ponto que o governo do Partido dos Trabalhadores (PT) penaliza o trabalhador brasileiro é com relação à correção do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). As perdas do poupador do FGTS são vultosas, porque o governo também não corrige as contas dos trabalhadores corretamente, pela inflação. Em contrapartidas, os lucros sucessivos obtidos pelo governo do FGTS são enormes.

No ano de 2012 o lucro do Fundo foi na ordem de R$ 14,3 bilhões. A estimativa para 2013 é de lucro superior a R$ 15,0 bilhões. Entretanto, o trabalhador, que é o verdadeiro dono do dinheiro, ano a ano vê seu dinheiro minguando – um verdadeiro estelionato.

Estudo elaborado pelo Instituto FGTS Fácil, abrangendo o período entre 2002 e 2012, demonstra que enquanto a inflação acumulada foi de 103%, o FGTS foi corrigido apenas 69,15%. O lucro, entretanto, cresceu 938%; o Patrimônio Líquido – usado pelo governo em investimentos de infraestrutura – cresceu 433%; o valor recebido pela Caixa Econômica Federal para a administração das contas também subiu significadamente, chegando a R$ 3,3 bilhões em 2012, o que representa um aumento de 274% no período.

O programa “Minha casa, minha vida”, menina dos olhos da presidente Dilma Rousseff, também utiliza o dinheiro do FGTS, que teoricamente deveria pertencer aos trabalhadores.

Voltando a questão dos tributos, estudos recentes realizados pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) demonstram que a carga tributária brasileira cresceu 9,33%, entre 2010 e 2012. Em 2010 correspondia a 33,2% do Produto Interno Bruto (PIB); em 2012 chegou a 36,2%.

Mesmo assim a carga tributária continua crescendo. A cada ano é um novo recorde na arrecadação de impostos e contribuições. Em 2013 não foi diferente: a receita fechou o ano com R$ 1,138 trilhão arrecadados, novo recorde.


A carga tributária elevada diminui a capacidade de investimentos das empresas e o poder de compra dos trabalhadores. O lamentável, entretanto, é que o valor arrecadado é sempre insuficiente para cobrir o custeio do governo e o pagamento dos juros da dívida pública. Sobra muito pouco para investimentos. Contudo, o governo continua como sempre, insaciável e gastando.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Caos, com caviar, patas de caranguejos e lagostas


Mais uma vez o Brasil ganhou as páginas dos portais de notícias do mundo. Desta vez foram as imagens da guerra entre facções criminosas, pela superlotação no Complexo Penitenciário de Pedrinhas, em São Luiz do Maranhão. Mais uma barbárie, com direito a exposição de corpos decapitados, que envergonha a nação consciente, pelo grau de violência a qual chegamos.

Somente no último ano foram mortos 59 detentos naquele presídio, de acordo com relatório do Conselho Nacional de Justiça. O problema é que no Brasil a criminalidade aumenta em proporções muito maiores que a capacidade de construirmos presídios. Segundo dados do Ministério da Justiça, em 1992 haviam 114.377 encarcerados nos presídios brasileiros. Em dez anos esse número subiu para 549.577 presos - um aumento de 380,5% no período.

Atualmente o Brasil ocupa a quarta posição no mundo de população encarcerada. Perdemos apenas para a China, Estados Unidos e Rússia. Neste ranking ficamos na frente de países muito mais populosos, tais como o Paquistão e a Índia. No entanto, continuamos apresentando elevados indicadores de criminalidade, o que demonstra que o problema mais grave é que ela continua solta nas ruas.

Gastamos cada vez mais com a construção de presídios, com a manutenção de detentos – cada um deles custa em média ao Brasil R$ 2.800,00 por mês – e com ações repressivas. Faltam-nos, entretanto, ações preventivas, principalmente quanto ao consumo de drogas, que é a principal causa da criminalidade em nosso país.

Os programas sociais do governo até agora não criaram oportunidades de saída para as famílias pobres e desestruturadas, justamente aquelas que têm maior quantidade de filhos. Quando se analisa a educação como instrumento de inclusão e ascensão social, constata-se também que a evolução, além de lenta, ainda é sem qualidade.

O próprio Maranhão, governado há décadas pelo clã dos Sarney’s, está entre os estados brasileiros que apresentam os piores indicadores de desenvolvimento humano. Lá é um exemplo clássico da indigência da nossa política.

O problema que agora explodiu no Complexo Penitenciário de Pedrinhas é tão grave, que levou a Organização das Nações Unidas (ONU) a solicitar às nossas autoridades a realizar a “imediata, imparcial e efetiva investigação, para apurar e encontrar os responsáveis” por aquela barbárie. Solicitou ainda que elas “façam imediatamente ações buscando restaurar a ordem”.

Mas, em ano de eleições presidenciais, o Governo Federal faz de tudo para se descolar da tragédia. O governo do Maranhão e o clã Sarney são fieis e importantes aliados.  

E tudo se locupleta em um caos: enquanto os presos amotinados e em guerra mandam assassinar inocentes e realizar distúrbios nas ruas, o governo do Maranhão abre licitação para comprar 80 Kg de lagosta, uma tonelada e meia de camarão, 750 Kg de patinhas de caranguejos, oito sabores de sorvete, entre outras iguarias, que “deverão ser entregues na residência oficial e na casa de praia” usada pela governadora Roseane Sarney, conforme publicado na “Folha de São Paulo”. Para o cerimonial serão licitados uísque e caviar.

Este é um retrato do Brasil “desenvolvido e sem problemas” em ano de Copa do Mundo.