quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Usando o médico para fazer política

A médica cubana Ramona Matos Rodriguez, contratada do programa “Mais Médicos” do Ministério da Saúde (MS), conseguiu driblar seus vigilantes e se refugiar na Câmara dos Deputados na última terça-feira. Ramona estava trabalhando no município de Paracajá, no interior do Pará, desde que chegou ao Brasil em outubro do ano passado.
A médica cubana teve mais sorte que seus compatriotas boxeadores, Guillermo Rigondeuaux e Eristandy Lara, presos pela PF após abandonarem a delegação de Cuba durante os Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro, em 2007. Ambos foram repatriados por ordem do ex-ministro da Justiça, Tarso Genro (PT-RS), depois de presos no interior do Rio de Janeiro, sem qualquer chance de asilo político.
Segundo Ramona, sua fuga se deu por sentir-se “enganada” pelo governo cubano. Justificou receber apenas US$ 1 mil/mês, do qual US$ 600 ficavam retidos em uma conta em Cuba, na qual só teria acesso quando voltasse, daqui a três anos. Além disso, afirmou estar sendo vigiada por colegas que seguiam seus passos, sentindo-se impedida de se deslocar livremente. 
Disse também temer pela segurança de sua filha, que também é médica e permanece em Cuba, onde recebe o salário de US$ 35 por mês.  Falou ainda da preocupação de ser repatriada, pois sabe que será presa caso retorne à Ilha.
Nada do que disse Remona é novidade. Lá em Cuba não há liberdade de expressão e todos têm que pensar da forma como quer o governo, como autômatos. Por isto, toda informação é criteriosamente controlada, em todos os meios de comunicação. Qualquer tipo de manifestação contrária ao regime é motivo de prisão. Lá impera o medo, haja vista que todos se sentem vigiados.
Aqui nesta coluna, antes mesmo da chegada dos médicos cubanos ao Brasil, dissemos que esta era uma forma do governo brasileiro subsidiar o governo comunista de Cuba. Agora se vê de forma muitíssimo nítida e transparente esta realidade. O povo brasileiro paga a Cuba R$ 10 mil/mês por médico, sem contar os gastos com moradia e alimentação. No entanto, o profissional recebe apenas US$ 400/mês, já que US$ 600 ficam retidos.
Então procede a denúncia de que pela legislação brasileira o trabalho dos médicos cubanos é assemelhado ao trabalho escravo, razão pela qual a própria Procuradoria Geral do Trabalho já sinalizou a abertura de processo, visando questionar na Justiça a ilegalidade do contrato bilateral para a vinda desses médicos.
O contrato é inaceitável e vergonhoso para o Brasil. O problema da falta de médicos poderia ser facilmente resolvido. Bastaria o governo criar a especialização em medicina básica, dando direito de acesso aos profissionais graduados em outras áreas da saúde. Após dois ou três anos de curso não faltariam médicos para atender a saúde básica nas comunidades carentes. Mas, com uma diferença: estaríamos gerando empregos para brasileiros.
Contudo, a questão parece ideológica (coisa do pensamento e do modo de governar petista). Enquanto, aqui, os portos e toda infraestrutura caem aos frangalhos, a presidente Dilma Rousseff inaugura um porto novo em Cuba, construído com o dinheiro do povo brasileiro. Não satisfeita, ainda agradece ao governo cubano pela vinda dos médicos que os brasileiros subsidiam, o que é uma forma sem grandeza de fazer política.