sexta-feira, 21 de março de 2014

Nem com luneta enxerga os fracassos

A Copa do Mundo de 2014 está batendo às portas, mobilizando os vários estados brasileiros onde será realizado o evento. A oficialização do Brasil como sede foi feita pela Federação Internacional de Futebol Associados (FIFA), em Zurique - Suíça, no dia 30 de outubro de 2007. As cidades sedes definidas em 31 de maio de 2009, nas Bahamas.

Desde 2006, entretanto, sabíamos que o país escolhido seria o Brasil. O próprio presidente da FIFA, Joseph S. Blatter, havia manifestado esta intenção, depois de obter o sinal verde do ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira. O aval partiu do Palácio do Planalto, após reunião com o então ministro dos Esportes, Agnelo Queiroz (PT-DF) - atual governador do Distrito Federal - e o ex-presidente Lula da Silva.

Até então, tudo parecia andar às mil maravilhas, não fosse o Secretário Geral da FIFA, o francês Jérôme Valcke, em março de 2012 dizer ao mundo que “o Brasil precisava levar um pontapé no traseiro”, depois de constatar a morosidade na construção dos estádios. Daí para frente nossas autoridades, após contestarem de cabeça baixa esta declaração, resolveram se mexer. Mas, mesmo assim, as obras não foram devidamente aceleradas.

Para a Copa das Confederações, que é um evento teste para a Copa do Mundo, dos seis estádios prometidos, somente as arenas de Fortaleza e de Belo-Horizonte foram concluídas dentro do prazo. Os demais entregues a toque de caixa, inclusive com obras inacabadas.

Faltando agora apenas 82 dias para o jogo inaugural, os mesmos problemas se repetem. Parece que estamos fadados a não aprendermos com os nossos erros. Temos, portanto, que escutar calados Joseph Blatter dizer ao mundo que “nesta mesma época o Brasil está muito mais atrasado do que a África do Sul”, em sua preparação para a Copa de 2010.

Recentemente, Rodrigo Prada, jornalista e diretor do Portal 2014, comparando a África do Sul de 2010 com o Brasil observou o seguinte: As ruas limpas, os aeroportos modernos e as estradas bem sinalizadas, mostravam um país muito mais preparado que o nosso. Mas ainda tínhamos 4 anos, uma matriz de responsabilidades que havia acabado de sair do papel com obras de mobilidade urbana que incluíam até um trem de alta velocidade entre o Rio e S. Paulo, despoluição de mananciais, monotrilhos, BRT’s, aeroportos modernos, melhorias no saneamento, além de tantas outras promessas que faziam parecer que sediar a Copa valeria a pena.

A verdade é que o ex-presidente Lula da Silva em suas bravatas prometeu o que não poderia entregar. Da matriz de responsabilidades, a qual se refere Rodrigo Prada, muitas obras tiveram que ser canceladas; outras adiadas para entrega depois da Copa, sem tempo ainda determinado. Em suma, das obras restantes, poucas serão entregues em tempo hábil.

Para piorar a situação, a previsão de custo das obras subiu estratosfericamente. A arena de Brasília, por exemplo, foi orçada em R$ 700 milhões. Segundo as últimas estimativas, seu custo final poderá chegar a R$ 1,6 bilhão.

Outro ponto de vulnerabilidade são as estruturas temporárias exigidas pela FIFA. Cada uma delas custará em torno de R$ 40 milhões. E quando os estados assinaram o contrato com a FIFA, com aval do Governo Federal, sabiam disso.


Para a presidente Dilma Rousseff a Copa do Mundo é só benefícios e “o Brasil fará a Copa das Copas”. Só, que nem com luneta, ela reconhecerá alguns dos seus fracassos. A conjuntura econômica do mundo é outra, bem diferente do céu de brigadeiro em que navegou o ex-presidente Lula da Silva.