sexta-feira, 1 de julho de 2011

Hoje, nada de política!

O ministro da Ciência e Tecnologia, Aluísio Mercadante, tergiversou de todas as formas em seu pronunciamento na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, na última terça-feira. Não assume, determinantemente, qualquer participação no escândalo do dossiê dos “aloprados”.
Contudo, foi seu próprio “cumpanheiro” de partido, Expedito Veloso, em entrevista à revista “Veja”, quem disse que o ministro teria sido o responsável pela arrecadação de R$ 1,7 milhão para a compra de um dossiê contra José Serra – dinheiro vivo apreendido pela Polícia Federal antes da eleição em São Paulo, quando Mercadante era o principal adversário de Serra.
Hoje, no entanto, não entrarei nas minúcias deste tema; muito menos na questão de que são sempre os próprios “aloprados”, ora com dólares na cueca, ora com a mão posta na botija, os que protagonizam os grandes escândalos do governo. Afinal, as investigações e os processos quando existem não terminam sempre em nada?
Não havendo nada, não há nada a comentar. Não façamos ilações e análises de questões resolvidas. Tudo corre na mais perfeita ordem; de pendência, apenas algumas emendas parlamentares.
Os casos polêmicos foram todos extirpados e nenhuma ação ou membro do governo precisa de blindagem. Os “cumpanheiros” e os aliados estão plenamente vigilantes e ora cumprem fielmente a função parlamentar de apoiar incondicionalmente o governo. Qualquer coisa fora disto é intriga da oposição desvairada, que não respeita os princípios republicanos e o governo democrático.
Por estas razões também não irei comentar a declaração do ministro da Defesa e ex-ministro do nosso Supremo Tribunal Federal, Nelson Jobim, acerca dos documentos secretos produzidos durante a ditadura militar. Como diz o próprio ministro: Não há documentos. Nós já levantamos os documentos todos e não tem. Os documentos já desapareceram...”
Se não há documentos, esqueçamos esse ponto negro e obscuro da nossa história. Passemos simplesmente uma borracha e vamos apagar esse passado.
Por que eu, um brasileiro pobre mortal, deveria insistir em opinar e polemizar o tema? O ministro já não disse que “os documentos foram consumidos à época. Então não tem nada, não tem problema nenhum em relação a essa época”. Se não há problema algum com relação ao período da ditadura militar, não há o que se investigar; tudo é simples os documentos já evaporaram!
Outra questão que poderia ser o artigo da semana é a do sigilo das licitações para as obras da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016. Mas este tema é sigiloso e já foi esclarecido plenamente pela presidenta Dilma. Agora, ele pode ser resumido na seguinte afirmativa: o Regime Diferenciado de Contratação das obras será muito vantajoso para o país.
Assim mostraremos ao mundo que podemos fazer obras muito boas e baratas, e com valores subfaturados.  (E sem maiores comentários, pois eles são desnecessários).
Aqui, como disse o ex-presidente Lula da Silva “a saúde está perfeita”. Não faremos nunca como na Grécia, onde agora a população reage ao leite que no passado foi derramado...

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Histórias de academia

A academia é um excelente ponto de encontro. Pode-se juntar o útil ao agradável, para aproveitar o tempo. Logicamente que o útil é manter a forma física, o que não é muito fácil e exige imensurável esforço; o agradável é o convívio com as pessoas, as brincadeiras divertidas e as amizades que vão se formando.

Na academia conheci um amigo entusiasmado em competir comigo. Então eu colocava fogo: - Você está ótimo fisicamente; ainda vou te alcançar no peso; está muito melhor que eu; por aí ia, incentivando-o. Mas na realidade ele não me alcançava, nem no peso e muito menos na corrida. No aeróbico, sem falsa modéstia, sou expert e dificilmente sou batido, mesmo por pessoas mais novas.
Certo dia, me esquivando desse amigo para um almoço no final de semana, disse que seria difícil, pois teria algumas leituras para colocar em dia. Então ele me perguntou: - Você vai ler? Ler o quê? Prontamente respondi que sim, que estava lendo uns livros. Ele então retrucou, incisivamente e perplexo: - Você lê livros?
Todos que estavam naquele bate papo não seguraram a risada e tiraram uma “casquinha”, ajudando-o a gozar das minhas leituras de fins de semana, para disfarçar que era da expressão dele o motivo da algazarra.
Depois, na convivência diária fui aos poucos entendendo que ele detestava os livros, porque foi pouco à escola; que não via qualquer importância na leitura, nem mesmo de jornais e revistas; que foi dura a sua infância na roça, embora atualmente ele seja um empresário muito bem sucedido.
Foi na continuidade dessas brincadeiras que ele ficou empolgado por uma amiga - nem que a vaca tussa falarei seu nome. Como ele, ela também estava sozinha, depois de separada. E eu por trás botando fogo...
O resultado foi um jantar lá no Cantinho do Curuca em Meaípe, para o qual não fui convidado. Mas é claro que na primeira oportunidade que tive não deixei de procurar saber as impressões que ficaram das partes. Não poderia deixar que a função de Cupido ficasse incompleta!
Então temos aqui as duas versões: Pela versão dela: - Ah, eu acho que não vai dar certo; ele é muito diferente e está meio derrubado. Pela dele: - Ela gosta de teatro e de música clássica, mas ela vai acabar se amarrando no sertanejo. Disse que colocou muito CD bom para ela. Depois disso, acho que houve só mais um encontro – mas ela jura que não houve esse mais um.
Outra vez, durante um exercício, tive a infeliz idéia de apresentá-lo a outra amiga, que na época passava por problemas emocionais, devido a uma separação recente. Tinha a questão da diferença de idade, mas achei que não custava nada tentar...
Já no primeiro encontro ele ficou todo empolgado; de imediato se declarou, dizendo-se apaixonado e como um garotão falou: - Foi amor à primeira vista!
No primeiro passeio a Vitória, com o coração aberto, ele pediu que ela escolhesse o presente que quisesse. Ela então escolheu e comprou um livro, o que o deixou transtornado: - Como escolher esse presente? Se fosse uma jóia ou uma roupa de grife?
Para compensar, só mesmo uma surpresa: Como ela nunca havia viajado de avião, foram para o Aeroporto de Goiabeiras onde ele comprou os bilhetes de ida e de volta para o Rio de Janeiro. Lá tomaram um cafezinho no Santos Dumont, curtiram o finalzinho da tarde e voltaram.
Infelizmente esse namoro também não durou muito tempo, razão pela qual depois ele passou a ficar meio amuado e acabou deixando inclusive a academia. Por isto tomei a resolução de nunca mais fazer o papel de Cupido, pelo menos na academia.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Entre bons e maus exemplos

Há algumas semanas o “Jornal Nacional” apresentou uma série de reportagens sobre a qualidade do ensino fundamental em várias regiões do Brasil no quadro “JN no AR”. Todas elas muito elucidativas, com elementos que permitem compreender um pouco melhor a realidade da educação nas escolas públicas do Brasil.
Em todas as regiões há escolas que se destacaram pelo padrão de qualidade e excelência, em contraste com outras, que sintetizam a situação do ensino na maioria. A diferença entre elas, todavia, não está nas instalações físicas; também não está entre os salários dos professores. O ponto central é o comprometimento da direção e do corpo docente com a educação dos alunos.
Nas melhores escolas todos se sentem responsáveis pela educação das crianças. Há o envolvimento das famílias. O processo de ensinamento é estimulante e envolvente, por isto são verdadeiros exemplos e modelos para melhoria na qualidade da educação brasileira.
No passado, a qualidade das nossas escolas públicas era muito melhor. A partir do período da ditadura militar o ensino foi se deteriorando; piorou muito. Hoje, compromete o próprio desenvolvimento do país por não preparar pessoas qualificadas para inserção no mercado de trabalho e para impulsão do empreendedorismo.
Compromete também a melhoria dos indicadores sociais, haja vista que a educação tem a capacidade de diminuir a miséria e a pobreza; neste sentido ela é importantíssima, essencial.
Contudo, não obstante a observação de uma evolução lenta do ensino básico nos últimos anos, é preocupante a “ideologização” do ensino fomentada pelos que no momento ocupam a cadeira do poder. A educação não pode ter cor, condição social, camisa partidária ou ideologia política; tem que ser vista, sobretudo, sob a ótica da responsabilidade.
Os bons exemplos têm que ser considerados, pois eles certamente são os mais adequados ao processo pedagógico. Ideologizar a educação é quebrar esse processo.
Recentemente, vimos o Ministério da Educação autorizar a distribuição da coleção “Por uma Vida Melhor”, na qual são admitidos erros de concordância na escrita. Segundo os autores, “não se pode descriminar a forma de falar”.
Mas a própria Academia Brasileira de Letras e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) manifestaram que “estranham certas posições ideológicas dos autores”.  Consideram suas teorias inaceitáveis. Mesmo assim o Ministro da Educação diz publicamente que “não interfere”.
Outro fato estranho ao processo pedagógico é a inserção de críticas severas ao governo de Fernando Henrique Cardoso e o enaltecimento exacerbado ao de Lula da Silva, no livro “História e Vida Integrada”. Nele a privatização é demonizada, enquanto é omitido o MENSALÃO – fato que marcará definitivamente a historiografia brasileira.
Há ainda a distribuição de livros com erros de todas as formas, tal como de resultados de somas e subtrações. Segundo especialistas contratados pelo próprio Ministério, esses erros são “tão graves, tão grosseiros e tão numerosos, que não bastava divulgar erratas”. Mesmo assim o Ministério optou por distribuir os livros da Coleção Escola Ativa.
Entre os bons e maus exemplos, uma coisa é certa: não se pode politizar a educação. Isto é uma prática fascista.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Os políticos parecem que não se emendam

Durante o último período pré-eleitoral, o Brasil assistiu uma ostensiva e avassaladora campanha, protagonizada por Lula da Silva, não somente com o intuito de eleger seus candidatos, mas também para “varrer” do cenário político brasileiro a oposição e seus desafetos.

Quem não se lembra do discurso do então presidente, com a feição desfigurada, propondo “extirpar” a oposição democrática, diante de uma platéia de sindicalistas eufóricos? E os pedidos, em cada estado da Federação, para que o povo votasse nos candidatos por ele apontados?

O resultado de toda aquela campanha de coronelismo, em conjunto com a timidez - ou covardia? - de José Serra, de não se expor diante das mazelas do governo Lula da Silva, pela popularidade alcançada, é que temos agora uma oposição extremamente enfraquecida.

O caso recente do enriquecimento do ministro da Casa Civil, Antônio Palocci, demonstra de forma clara essa ferida na nossa democracia. Ninguém em sã consciência tem dúvida de que o caso do ministro está muito mal esclarecido. A própria Ordem dos Advogados do Brasil – OAB – tem manifestado a necessidade de investigação do caso.

Mas a oposição não consegue ter sucesso nem em uma simples convocação do ministro, conforme aconteceu na Comissão de Agricultura, na última quarta-feira. A força do governo é avassaladora, enorme. Tanto na Câmara dos Deputados como no Senado.

Esse cenário favorece ao fisiologismo e a política obscura da corrupção e da troca de favores, sempre sustentada pelo cinismo e pela truculência, fatores que são inaceitáveis em sistemas democráticos e transparentes.

No passado recente, por muito menos, a oposição teria aberto uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). Agora, no entanto, não consegue o mínimo das assinaturas necessárias para valer-se desse instrumento.

A CPI é um instrumento importante das minorias na investigação das possíveis irregularidades dos governos. Sem este instrumento, e instituições fortes, é difícil conter os excessos, principalmente em um sistema de tantas mazelas, conforme é o brasileiro.

A reação de força demonstrada pelo governo para conter a convocação de Palocci é um desses excessos. Como diz a sapiência popular “quem não deve não teme”. Está muito claro para a população que o governo não quer que o caso seja apurado, como também que o enriquecimento repentino do ministro não está condizente com as explicações formuladas.

Não bastasse as ações do Ministério da Educação, no sentido de propagar orientações sexuais das minorias nas nossas escolas; de aprovar materiais didáticos com apologia a governos demagógicos e populistas; de empobrecer nossa cultura com a validação de erros na gramática e na linguagem.
Assistimos, assim, estarrecidos e indefesos, nossa vulnerabilidade política. As crises vão e vêm e os políticos parecem que não se emendam.

Hoje o descrédito de Palocci é cada dia mais latente; dia a dia ele sangra. Carrega consigo o descrédito para a própria presidenta Dilma, que na imposição da força, conforme a oposição, também se enfraquece.



sexta-feira, 27 de maio de 2011

Um cara realmente bacana


Ele ganhou fama de ser deveras “pão duro”, por não abrir mão para gastar dinheiro; “pra nada”. Como Ele mesmo conta, com enorme senso de humor e desenvoltura, parece que é herança materna e paterna, em conjunto, de forma que essa carga genética é dobrada.

Em um jantar de aniversário de uma pessoa amiga, Ele tomou conta da mesa, com essa dose certa de contar seus causos. Assim foi que a noite, espontaneamente, tornou-se hilariante, ao paladar de um excelente vinho. Confesso que até duvidei que fossem verdadeiros os seus causos; entretanto, sua esposa confirmou a veracidade dos fatos.

O primeiro causo foi que Ele e o irmão foram a Belo Horizonte levar a mãe para uma consulta no oftalmologista - naquela época Cachoeiro de Itapemirim não contava ainda com o Instituto dos Olhos. A viagem foi à noite e a consulta logo pela manhã, de modo que em pouco tempo tudo estava resolvido. Então, sem nada o que fazer, era perambular pelas ruas da cidade.

Chegada a hora do almoço, cansados, pensaram em parar. - Mas gastar dinheiro em restaurante para quê? Disse Ele. Acabaram em uma lanchonete, com calor, já cansados do passeio matutino. Pensaram então em um hotel para descansar um pouco, até a hora da volta, mas Ele disse que teve a seguinte idéia: - Vamos a um cinema, que tem ar condicionado e é muito mais barato!

Assim fizeram, foram para o cinema e durante muitas sessões passaram o tempo ora assistindo o filme, repetidamente, ora dormindo, até a hora de tornar ao embarque.

Já na rodoviária de Belo Horizonte Ele viu que o banheiro era pago; R$ 1,00 por pessoa. Disse então, instruindo a mãe e o irmão: - Vamos nos apertar um pouco, pois lá no ônibus o banheiro é de graça!
Outro causo foi que os seus meninos estavam engordando; que buscou então a ajuda de uma nutricionista amiga, segundo Ele: - para não pagar a consulta. Depois de excelente dieta, da diminuição dos doces de dos iogurtes, “que gerou grande economia”, os meninos voltaram ao peso normal.

Foi aí que Ele se levantou com as mãos juntas para o céu e disse: - Graças a Deus, todos dois recuperaram as roupas que haviam perdido!
Recentemente, através de um amigo comum, soube que Ele fez tratamento com uma psicóloga, para aprender a gastar dinheiro. Não sei se a consulta foi de cortesia ou paga, mas a informação é mesmo verossímil, pois vi, com meus próprios olhos, que Ele contratou um personal trainner, com exclusividade, para manter a forma física.

Talvez, na psicóloga se entenda a razão de estar mais organizado. Todas as despesas da sua casa, como também as de viagem, ora são devidamente planejadas, com detalhamento das previsões de gastos, e acompanhamento sistemático dos desembolsos realizados. Com um detalhe: Ele não abre mão da calculadora, que carrega como instrumento auxiliar aos seus cálculos mentais.

No momento, o planejamento em execução é para aquisição de um tênis novo, para seus exercícios, evento que se realizará, provavelmente, nos próximos meses, se não houver qualquer imprevisto. Disto tomei conhecimento através de fonte fidedigna; que não mente.

O que consta aqui, contudo, é infinitamente pequeno diante da pessoa. Marcão é carismático, excelente filho, marido e pai; ótimo amigo e além de tudo divertidíssimo. É até difícil falar de Marcão. Não há como não admirá-lo. Mas, resumindo, talvez a melhor forma de dimensioná-lo seja a seguinte: Marcão é uma pessoa que tem um coração maior que ele mesmo, de tão grande.

sexta-feira, 4 de março de 2011

O governo gasta muito e gasta mal

A presidenta Dilma Rousseff, numa demonstração inequívoca de força política, conseguiu aprovar como quis o valor do salário mínimo. Tanto na Câmara dos Deputados como no Senado Federal, a base de apoio do governo passou como um míssil teleguiado sobre as propostas das Oposições Democráticas e das Centrais Sindicais, sem qualquer questionamento.
Segundo a grande maioria dos críticos, essa mensuração de força foi importante para sinalizar ao mercado a intenção de conter os gastos públicos e evitar, assim, a disparada dos juros e conter a inflação ascendente. Mas essa intenção durou pouco, muito pouco!
Passados apenas alguns dias, o governo anuncia ao país um novo aumento para o Bolsa Família. Na média será de 19,4%, beneficiando 12,9 milhões de famílias – aproximadamente 50 milhões de pessoas. Coincidentemente, isto gera um aumento nos gastos de R$ 2,1 bilhões/ano, o mesmo montante que seria acrescido, caso o salário mínimo fosse para R$ 600,00. A prioridade, portanto, seria para os que trabalham.
Um dia antes, porém, Guido Mantega também anunciou um pacote de cortes no orçamento. Certamente, será muito difícil para o governo realizar esses cortes, porque está ficando cada vez mais evidente que o governo da presidenta Dilma é gastador; carrega a mesma essência, o mesmo DNA do governo passado.
Prova disto é que o governo federal gastou somente com diárias e passagens aéreas de funcionários do executivo o montante de R$ 80,4 milhões, nos dois primeiros meses do ano. Um valor 32% maior que o desembolso do mesmo período do ano passado.
Pior é que a própria ministra do Planejamento, Mirian Belchior, anunciou que neste ano os gastos em passagens e diárias do executivo seriam reduzidos em 50%. Promessa esta que, evidentemente, não será cumprida.
Mas a redução nos gastos do governo é essencial para evitar a aceleração da inflação e reorganizar a política fiscal e os rumos de nossa economia. Enquanto isto não acontecer, a taxa de juros continuará crescendo. Agora mesmo, o Banco Central acaba de aumentar a taxa básica de juros, a Selic, para 11,75% - a maior taxa de juros do mundo.
Na realidade, o governo petista tem muita dificuldade em promover o controle dos gastos públicos. A preferência então é de aumentar a arrecadação, em sacrifício das empresas e famílias, que pagam as contas de um Estado gastador e inchado.
Há dez anos a arrecadação era inferior a 30% do PIB. Hoje passa dos 35%. E sempre aceitamos isso com passividade, como se aumento de impostos fosse normal. Assim, a tabela do Imposto de Renda, por exemplo, foi ficando defasada. Hoje a defasagem é de mais de 70%, mas vão corrigi-la em apenas 4,5%, sem nenhum protesto. Ainda têm a cara de pau em dizer que o governo "está abrindo mão de arrecadação", enquanto a inflação pelo INPC foi de mais de 6%, em 2010.
Independente de quem ora está no poder, o governo do Brasil sempre gasta muito e gasta mal, mas o governo petista tem demonstrado que gasta pior ainda...
Se os deputados e senado da base aliada agirem da mesma forma na questão da correção da tabela do IR como na questão do Salário Mínimo, estarão subtraindo rendimentos das famílias, dos trabalhadores. A correção da tabela do IR abaixo da inflação nada mais é que um estelionato "legalizado". 
Na questão do Bolsa Família, ninguém é contra o aumento. Mas da forma como está, sem uma porta de saída, o programa é simplesmente POLITIQUEIRO. Por que o governo jogou para escanteio o Comunidade Solidária, de Dona Ruth Cardoso? O Comunidade Solidária, até hoje, não é um exemplo de programa de inclusão social bem sucedido?

Temos que crescer muito na formação de nossa consciência política. Falta-nos educação de qualidade, cultura e preocupação com o nosso futuro. Não podemos aceitar que o governo continue aumentado impostos e gastando sem critérios ou para cobrir seus rombos. O dinheiro dos impostos é contingencial dos esforços de toda sociedade. Por isto, tem que ser utilizado da melhor forma possível.  

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

O "gênio" da corte.

Sinceramente, não sabemos o nome da síndrome. Também não sabemos se ela tem nome, ou mesmo se já foi estudada, pois nas questões do comportamento humano nosso conhecimento é insignificante, quase nulo. A única coisa de que podemos conjecturar, entretanto, é que em se tratando de síndrome deverá levar o nome de seu descobridor, da forma como as ciências costumam homenagear a quem se dedicou a determinado estudo.
Vejam que ele já foi chamado de “O Cara”. Consideram-no agora o “gênio” da corte. Ele mesmo passou a ter a certeza de que em oito anos tornou o Brasil “um país desenvolvido”, fazendo muito mais do que todos os outros governos, desde o tempo em que éramos colônia de Portugal à Nova República. Então, para comprovar que realmente é “O Cara”, vamos começar por suas origens, usando inclusive suas próprias palavras: “Eu sou filho de uma mãe que nasceu analfabeta”. Por seu ego, certamente gostaria que a sua mãe tivesse nascida aculturada, como também poliglota.
Aliás, a língua estrangeira é uma das suas atrações. Por isto, diz com toda firmeza que “gostaria de ter estudado latim, pois assim eu poderia me comunicar melhor com o povo da América Latina”. Infelizmente, ele não estudou latim, nem português, simplesmente porque nunca gastou de estudar, muito menos de leitura. No entanto, nada disso lhe faz falta, nem acarreta algum obstáculo, porque crê fielmente ter conhecimento de todos e de tudo. Tanto é assim, que fala com propriedade que “nos EUA até pobre fala inglês”.
Com sua sapiência nosso “gênio” envolveu quase toda nação brasileira. Sua popularidade inclusive tornou-se muitíssimo maior que a do palhaço Tiririca, eleito recentemente deputado federal com mais de um milhão e meio de votos. O sucesso, portanto, é inquestionável, pois como ele mesmo diz, “se não tivermos sucesso, corremos o risco de fracassarmos”. Realmente ele não corre o risco de fracassar, por considerar-se o próprio sucesso em pessoa.
Com essa síndrome, que não sabemos o nome, transformou-se em um exímio mestre, que após as aulas tem sempre a recompensa dos aplausos, seja onde estiver a plateia. Dificilmente encontraremos em nossa história outro igual! Fica aqui, somente como registro, que em uma de suas aulas mencionou que “o Brasil só não faz fronteira com o Chile, o Equador e a Bolívia”. Em outra, que “o holocausto foi um período obsceno na história da nossa nação, quero dizer na história deste século. Mas todos vivemos neste século. Eu não vivi neste século...”.
Além dos amplos poderes, da “genialidade” e da humildade que tem em reconhecer que “não sabia” disto ou da daquilo, quando o momento lhe convém, o nosso “gênio” da corte também tem se mostrado um competente “futurólogo”. Não é à toa que diz que “o futuro será melhor amanhã”, ou que “nós estamos preparados para qualquer imprevisto, que possa ocorrer ou não”.
Além de tudo é também um exímio revolucionário. Suas idéias são invariavelmente contra a “imprensa golpista” e as “zelites”, por serem sempre circulantes. Mas não no sentido de circulante, como o leitor pode pensar, em se tratando pensamento, da circulação sanguínea. Porém, no sentido exato da palavra, da forma de círculo, ou como ele diz: “Eu não mudei ideologicamente. A vida é que muda. A cabeça tem esse formato para as idéias poderem circular”.
Mas, deixando o pensamento circulante de lado, vamos à economia. E por que não lembrar a aula magna, quando deu ênfase que “a maioria das nossas importações vem de fora”! Como o leitor poderá testemunhar ele não tem dificuldades para abordar qualquer tema. Tudo que pronuncia tem “a palavra certa pra doutor não reclamar”, conforme o dizer do cantador nordestino Zé Ramalho, em sua música “Avôhai”.
Prova disso é quando fala de obras. Neste aspecto, pode até inaugurar uma mesma obra várias vezes, ou mesmo uma ainda não iniciada, mas nunca falta a palavra certa, conforme a seguinte explicação: “Não será por falta de lealdade aos princípios que não iremos cumprir. Se a gente não cumprir é porque teve fatores extraterrenos, que não permitiram que nós cumpríssemos”.
Nosso “gênio” trata com a mesma desenvoltura a filosofia e as ciências, sejam elas do campo social ou da natureza. Ao explicar o desequilíbrio climático, deu a seguinte luz aos cientistas: “Então essa questão de clima é delicada por quê? Porque o mundo é redondo. Se o mundo fosse quadrado ou retangular, e a gente soubesse que o nosso território está a 14 mil quilômetros de distância dos outros centros poluídos, ótimo, vai ficar só lá. Mas, como o mundo gira, e a gente passa lá em baixo onde está mais poluído, a responsabilidade é de todos”. Depois foi amplamente aplaudido...

“Como nunca na história deste país” observamos um “gênio” com inteligência tão grande. Esta é a marca que fica na nossa história com os aplausos e  a aprovação quase unânime do nosso povo. É o que termina e poderia se acabar, definitivamente, no curso desta semana. Mas, sobreviverá até quando?