sexta-feira, 10 de junho de 2011

Entre bons e maus exemplos

Há algumas semanas o “Jornal Nacional” apresentou uma série de reportagens sobre a qualidade do ensino fundamental em várias regiões do Brasil no quadro “JN no AR”. Todas elas muito elucidativas, com elementos que permitem compreender um pouco melhor a realidade da educação nas escolas públicas do Brasil.
Em todas as regiões há escolas que se destacaram pelo padrão de qualidade e excelência, em contraste com outras, que sintetizam a situação do ensino na maioria. A diferença entre elas, todavia, não está nas instalações físicas; também não está entre os salários dos professores. O ponto central é o comprometimento da direção e do corpo docente com a educação dos alunos.
Nas melhores escolas todos se sentem responsáveis pela educação das crianças. Há o envolvimento das famílias. O processo de ensinamento é estimulante e envolvente, por isto são verdadeiros exemplos e modelos para melhoria na qualidade da educação brasileira.
No passado, a qualidade das nossas escolas públicas era muito melhor. A partir do período da ditadura militar o ensino foi se deteriorando; piorou muito. Hoje, compromete o próprio desenvolvimento do país por não preparar pessoas qualificadas para inserção no mercado de trabalho e para impulsão do empreendedorismo.
Compromete também a melhoria dos indicadores sociais, haja vista que a educação tem a capacidade de diminuir a miséria e a pobreza; neste sentido ela é importantíssima, essencial.
Contudo, não obstante a observação de uma evolução lenta do ensino básico nos últimos anos, é preocupante a “ideologização” do ensino fomentada pelos que no momento ocupam a cadeira do poder. A educação não pode ter cor, condição social, camisa partidária ou ideologia política; tem que ser vista, sobretudo, sob a ótica da responsabilidade.
Os bons exemplos têm que ser considerados, pois eles certamente são os mais adequados ao processo pedagógico. Ideologizar a educação é quebrar esse processo.
Recentemente, vimos o Ministério da Educação autorizar a distribuição da coleção “Por uma Vida Melhor”, na qual são admitidos erros de concordância na escrita. Segundo os autores, “não se pode descriminar a forma de falar”.
Mas a própria Academia Brasileira de Letras e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) manifestaram que “estranham certas posições ideológicas dos autores”.  Consideram suas teorias inaceitáveis. Mesmo assim o Ministro da Educação diz publicamente que “não interfere”.
Outro fato estranho ao processo pedagógico é a inserção de críticas severas ao governo de Fernando Henrique Cardoso e o enaltecimento exacerbado ao de Lula da Silva, no livro “História e Vida Integrada”. Nele a privatização é demonizada, enquanto é omitido o MENSALÃO – fato que marcará definitivamente a historiografia brasileira.
Há ainda a distribuição de livros com erros de todas as formas, tal como de resultados de somas e subtrações. Segundo especialistas contratados pelo próprio Ministério, esses erros são “tão graves, tão grosseiros e tão numerosos, que não bastava divulgar erratas”. Mesmo assim o Ministério optou por distribuir os livros da Coleção Escola Ativa.
Entre os bons e maus exemplos, uma coisa é certa: não se pode politizar a educação. Isto é uma prática fascista.