sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Farsas e dissimulações escancaradas


Depois de quase oito anos, felizmente está chegando ao fim o processo do MENSALÃO. Não há anormalidade alguma no cumprimento das penas pelos condenados. Na realidade, chegou a hora deles responderem por seus atos, como qualquer cidadão comum que comete delito. Anormal seria se a sentença houvesse sido diferente e mais uma vez fossemos obrigados a engolir a impunidade, que continua infestando os nossos três poderes.

Quem acompanhou todo o processo, com isenção e sem bandeira partidária, pôde observar a forma dissimulada com que tentaram, a todo instante, levar o processo para o tapetão. Isto desde a denúncia do ex-deputado Roberto Jefferson, quando o então presidente Lula da Silva atribuiu em entrevista ensaiada, em Paris, a compra de votos a um “caixa dois”, dito como “normal”, como se “caixa dois” não fosse crime.

Lamentável que essa versão tenha sido engendrada pelo então ministro da Justiça, o renomado criminalista Márcio Thomaz Bastos. Aliás, não faltou a Thomaz Bastos criatividade para embaralhar e tentar encobrir os fatos. 

Depois tivemos a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), que mais uma vez acabou em pizza, com a absolvição dos “mensaleiros”.  A absolvição dos políticos foi concluída vergonhosamente, com direito à exibição da dança da vaca louca, protagonizada pela ex-deputada Ângela Guadagnin (PT-SP), no plenário da Câmara dos Deputados.

Já na fase de pré-julgamento, o Supremo Tribunal Federal (STF) viveu uma das fases mais triste da sua história: o ministro Ricardo Lewandowski segurando o processo, na espera da aposentadoria dos ministros Cézar Peluso e Ayres Britto; a participação de Dias Toffoli, ex-assessor de José Dirceu na Casa Civil e o começo do aparelhamento do STF; a tentativa de aliciamento do ministro Gilmar Mendes pelo ex-presidente Lula da Silva, etc.

Outro episódio lamentável e triste foi a tentativa de linchamento do honrado Procurador Geral de República, Dr. Roberto Gurgel, já no início do julgamento. Nessa fase veio a “demonização” da imprensa independente, da oposição democrática – dita golpista – e ataques massivos ao STF. Qualquer pessoa de mediana inteligência compreendeu que a verdadeira farsa tinha a intenção de mudar a história, dissimulando que “o MENSALÃO não existiu”.

Agora o alvo é o presidente do STF, o ministro Joaquim Barbosa. Não lhe faltam insultos e até ilações racistas. Mas, com altivez, o ministro vem demonstrando firmeza no cumprimento de suas funções, sem se deixar intimidar.

Esta semana o líder do governo na Câmara dos Deputados, José Guimarães (PT-CE), irmão do “mensaleiro” José Genuíno, voltou a dizer que “o MENSALÃO não existiu”; que o julgamento foi “político”; que os dirigentes petistas “não são corruptos”, classificando-os como “construtores da democracia”. Uma fala risível, destoante dos fatos.

Lembremos que José Guimarães é o mesmo que teve o assessor preso pela Polícia Federal, no aeroporto Juscelino Kubitschek, em Brasília, carregando US$ 465 mil nas meias e na cueca. 

Outro fato risível é a dissimulação de angariar fundos na organização de jantar, para o pagamento das multas aplicadas pelo STF aos “mensaleiros”. Em entrevista na TV, o presidente petista, Rui Falcão, até tentou simular um choro. É claro que não falta dinheiro para a elite política que ora ocupa o poder, haja vista os custos milionários dos advogados de defesa.

Que os condenados cumpram suas penas e tudo isto termine. Para a história ficará que o MENSALÃO foi o maior escândalo político da era Republicana do Brasil. Como diz o ditado popular: “a verdade tarda, mas não falha”.