sexta-feira, 30 de novembro de 2018

Mais um Delírio Petista

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A teoria do golpe nada mais é do que uma estratégia petista para encobrir os maus feitos do partido e de suas principais lideranças, quando no governo. O objetivo é claro: difundir na sociedade uma perseguição política, que não se sustenta nos fatos, para manter a unidade de seus militantes e confundir a opinião pública, no intuito de ainda obter dividendos políticos como vítima de um processo. Lamentavelmente, a teoria encontrou eco nos admiradores de Karl Marx que militam nas universidades, em setores maniqueístas da imprensa, nos movimentos sociais lulopetistas, e junto aos artistas e “intelectuais” de esquerda, etc...
A organização de um golpe envolvendo Legislativo, Executivo, Judiciário, Polícia Federal, ministério público, setores da imprensa e o capital financeiro nacional e internacional, da forma dita pelo PT, necessitaria de uma articulação muito abrangente. Mantê-lo em sigilo seria dificílimo, quase impossível. Logo viria a tona com base em fatos; não em ilações.
Particularizando o caso do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT-MG), como exemplo, o fato real é que as pedaladas fiscais aconteceram, acarretando o descumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal. Mas, passado o tempo, o PT continua a negar insistentemente. No entanto, o então secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, cansou de ser alertado sobre isso. Não há, portanto, sustentação para o “golpe”.
Outro fato é que a prisão do ex-presidente Lula da Silva (PT-SP) foi amparada em um processo judicial coberto por provas contundentes. Se houvesse a tal “perseguição do Juiz Sérgio Moro”, como prega o PT, fatalmente a pena relativa ao tríplex na praia das Astúrias, no Guarujá – SP, não teria sido ratificada, por unanimidade, e ainda aumentada pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), em Porto Alegre. Vários habeas corpus com relação a esse mesmo processo também não seriam negados, tanto pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), como pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
É incrível, mas qualquer autoridade que entre em conflito com o que quer o PT, logo é tratada como desafeto, sem o mínimo de piedade e pudor.  O último da lista é o Juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara Federal de Brasília. O “pecado” do Juiz Vallisney é ter aceitado a denúncia do Ministério Público Federal tornando réu, mais uma vez, o ex-presidente Lula da Silva e a ex-presidente Dilma Rousseff, bem como outros “cumpanheiros” petistas, por uma “miríade” de crimes contra a administração pública nos 13 anos e meio de governo. Este processo é um desdobramento da Lava-Jato e tem o nome de “QUADRILHÃO”.
E com MENSALÃO, PETROLÃO E QUADRILHÃO o PT não muda o lado do disco, por absoluta falta de nobreza para assumir seus erros e de grandeza de pedir desculpas à nação. É claro que para quem não tem esses predicados é mais fácil dizer-se perseguido. Daí que agora diga ser “vítima de uma campanha de terrorismo cultural... pela ocupação de territórios, corações e mentes pela extrema direita” porque também não sabe aceitar a derrota nas urnas.
Nesta semana o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) e a senadora Gleisi Roffmann (PT-PR) ocuparam a tribuna da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, respectivamente, para denunciar a existência de um “complô de setores do Ministério Público e do Judiciário com o objetivo de matar o ex-presidente Lula no cárcere onde ele cumpre pena”. Mais uma apelação ligada ao golpe, com intuito de vitimar-se ante a opinião pública. O PT realmente não tem limites. 

sexta-feira, 23 de novembro de 2018

Libertando o Brasil do fundo do poço


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O governo de Jair Bolsonaro (PSL-RJ), a começar no próximo dia primeiro de janeiro, herdará de seu antecessor, Michel Temer (MDB-SP), um déficit público astronômico. Segundo o Tesouro Nacional, a dívida bruta brasileira, em valores nominais, atingiu ao final do último mês de setembro R$ 5,22 trilhões – um valor R$ 37,4 bilhões a mais do que o verificado no mês anterior, o que corresponde a 77,3% do nosso Produto Interno Bruto (PIB). A dívida bruta é a soma das dívidas do governo federal, estados e municípios.
A meta do governo central para este ano é de encerramento com um déficit de R$ 161,3 bilhões. O principal problema para o agravamento da situação econômica e financeira dos entes federados é a previdência social. Por isto, as principais agências de classificação de risco têm apontado que será muito difícil ao Brasil reverter a situação atual sem realizar as reformas necessárias. Se isto ocorrer dentro dos próximos cinco anos, o país poderá alcançar, de novo, o grau de investimento. Vale lembrar que em dezembro de 2013, quando o Brasil atingiu esse status, a dívida bruta correspondia a apenas 51,5% do PIB.
Outra causa do aumento da dívida pública é a chamada “nova matriz econômica”, praticada durante a gestão do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega (PT-SP). Tal política vigorou até o início do segundo mandato da ex-presidente Dilma Rousseff (PT-MG), quando o Brasil entrou em sua mais profunda recessão, gerando mais de 13 milhões de desempregados. A crise só não se tornou ainda mais grave pela ascensão de Michel Temer à presidência da República, que nomeou uma nova equipe econômica com elevada competência. Foi quando o país estancou o desemprego e controlou a inflação.
Entretanto, devido aos lobbies dos funcionários públicos e militares, bem como aos interesses próprios dos senhores deputados e senadores, a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) da Previdência não conseguiu ir além da comissão que estudava essa medida, pela falta de consenso e vontade dos parlamentares. Nos setores públicos ninguém que perder as aposentadorias vultosas e os privilégios, pagos com os esforços de todos os brasileiros na forma de impostos.
A estimativa do déficit da previdência para o próximo ano é da ordem de R$ 308,0 bilhões, distribuídos da seguinte forma: R$ 218,0 bilhões em aposentadorias do setor privado; R$ 44,3 bilhões em aposentadorias dos servidores públicos; 43,3 bilhões em pensões e aposentadorias dos militares inativos e 2,4 bilhões do Fundo Constitucional do Distrito Federal. Desta forma, o déficit da previdência, em 2019, só será superado pela conta de juros, relativa à rolagem de nossas dívidas interna e externa. Comparativamente, gastaremos três vezes mais recursos em aposentarias do que gastamos com educação, saúde e segurança pública, em conjunto.
Para que o Brasil estanque essa conta e possa voltar a crescer nos níveis necessários é preciso que a reforma da previdência seja colocada em pauta já no início do mandado do presidente Jair Bolsonaro. Caso contrário o país continuará patinando, com baixos índices de desenvolvimento social e econômico. Espera-se, desta forma, que o novo parlamento tenha altivez e não continue a sucumbir diante das pressões de diversas castas de privilegiados. Afinal o Brasil é muito mais importante.


quinta-feira, 8 de novembro de 2018

PT – A Caminho da Irrelevância



Em entrevista ao jornalista José Luiz Datena, na Rede Bandeirantes de Televisão, o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL-RJ) demonstrou a determinação que terá ao assumir a presidência do país. Por suas palavras: “não teremos outra chance de mudar o Brasil”. Desta forma, o presidente eleito reconhece, de maneira altiva, o peso da responsabilidade do mandato e a vontade de fazer o possível para que seu governo dê certo. Forças contrárias não faltarão, a começar pelo Partido dos Trabalhadores, o PT, que já anuncia uma oposição “implacável”. Os dirigentes petistas sabem que só o insucesso do novo governo poderá suscitar-lhes ganhos políticos.
Na oposição o PT sempre executou a velha política do “quanto pior melhor”, sem se importar o mal que este tipo de ação causa ao país. Foi assim que o PT ascendeu ao poder; será assim que continuará tentando voltar ao poder. Entretanto, depois de tantos escândalos de corrupção e malfeitos, como também pelos discursos raivosos e dissimulados, o PT não consegue mais enganar a maioria dos brasileiros. Na última eleição, muitos só votaram no candidato petista por medo. Mas logo ficará claro que o presidente eleito, Jair Bolsonaro, não é fascista, homofóbico, racista ou qualquer outro adjetivo dito pelas esquerdas.
Cabe-lhe sim o mérito de aglutinar a direita, que até então se encontrava acéfala, uma vez que desde o início da Nova República esse segmento havia hibernado na clandestinidade, sem encontrar trincheiras para defender suas idéias. Então, não foi difícil para as esquerdas vilipendiá-la de todos os modos e massacrá-la impiedosamente.
Só em junho de 2013, quando inconformada com os governos petistas, a direita brasileira ganhou de volta as ruas, com o colorido verde e amarelo. Mesmo com a infiltração de ativistas Black blocs e de muitas outras correntes políticas, que fez daquela manifestação um movimento ainda difuso. Mas daí o então deputado Jair Bolsonaro começou a perceber os anseios do povo e a ocupar o espaço que se encontrava vazio.
Agora no governo, a direita terá a oportunidade de realizar as reformas que o país precisa, para viabilizar o equilíbrio das contas e a reorganização do Estado. Será o início de um novo ciclo virtuoso, com grandes investimentos e a volta do emprego. Esse é o caminho mais curto para diminuição da pobreza. E o PT não tem o monopólio dos pobres, assim como não é o único agente que redistribui riquezas.
Nem das esquerdas o PT terá monopólio! Pelo contrário, depois das eleições a esquerda saiu dividida e um novo grupo formado pelo PDT, PSB, PV, Rede e até o PCdoB prometem quebrar a hegemonia petista. Outro entrave é que o ex-presidente Lula da Silva (PT-SP) continuará preso na Polícia Federal em Curitiba, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, de onde irá assistir a novas condenações pela frente. E todos sabem que uma soma bem grande de votos não é do partido, mas do ex-presidente Lula da Silva com seu populismo exacerbado.
Pode-se concluir, portanto, que o PT deverá continuar minguando, principalmente na região nordeste. Levantamento recente realizado pelo jornal “O Estado de São Paulo”, demonstra que o PT é o partido de esquerda que mais diminuiu nas últimas eleições. Em 2010, no auge da legenda, o partido elegeu 255 representantes para cargos no Executivo e no Legislativo. Nas últimas eleições esse número caiu para 149 representantes – 45% menor. No futuro a esquerda radical, onde se inclui o PT, não deverá chegar a 5% dos representantes. Assim, as coisas vão voltando aos seus lugares e o Brasil retomando o seu rumo.

quinta-feira, 25 de outubro de 2018

Vilipendiando a Democracia

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O candidato petista, Fernando Haddad (PT-SP), agora pousa de democrata como se fosse o exclusivo guardião da democracia. Porém, no primeiro turno, não foram poucas as vezes em que o candidato defendeu publicamente o controle social da mídia (censura) - uma das bandeiras mais frenéticas do PT – e o projeto de controle ideológico dos órgãos da Justiça e das instituições desafetos. O modelo é inspirado na república bolivariana (que o leitor permita-me iniciar por minúsculas) da Venezuela, que levou aquele país a maior crise da história, com centenas de mortos e o mesmo tanto de presos políticos.
Não à toa, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB-SP) e o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa (PSB-DF), tal como muitos outros democratas, se negaram a compor a chamada “Frente Democrática”, conforme pretensão do PT para enfrentar o candidato Jair Bolsonaro (PSL-RJ). O principal motivo é que o PT sempre tratou com insolência seus opostos, assim como jamais aceitou qualquer opinião divergente. E quem tem personalidade, quando vilipendiado não esquece a humilhação de seus algozes.
Durante os treze anos em que o PT governou o Brasil, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, embora tenha legado ao seu sucessor - o ex-presidente Lula da Silva (PT-SP) - um país muito melhor estruturado e organizado, sempre foi tratado como inimigo pelos petistas. Daí que tenha se sentido preterido por nunca ter sido convidado a participar de solenidades alguma no Planalto, como ex-presidente da República, não obstante ter realizado uma sucessão do mais alto nível, com total transparência, como em nenhum outro momento de nossa história.
Mesmo assim, o governo de Fernando Henrique Cardoso foi impiedosamente massacrado como “herança maldita”, de forma a desacreditá-lo ante a opinião pública. Outra crueldade foi a criação de um falso dossiê sobre os cartões coorporativos, na tentativa de incriminar a ex primeira dama, D. Ruth Cardoso, que, aliás, foi quem introduziu no país o programa Comunidade Solidária, precursor do Bolsa Família. Por “coincidência”, era a ex-presidente Dilma Rousseff (PT-MG) a ministra-chefe da Casa Civil na ocasião em que forjaram essa trama.
Já o ministro Joaquim Barbosa, que presidia o STF por ocasião do MENSALÃO (2012-2014), sofreu os mais pesados impropérios, bem similares aos lançados atualmente contra o Juiz Sérgio Mouro, pela firme atuação no PETROLÃO. É fato, portanto, que o PT faz de cada um de seus desafetos o pior inimigo, principalmente quando flagrado em malfeitos.
O último exemplo é o de Ciro Gomes, que após anos de convivência com a trupe petista viu ruir nesta eleição a possibilidade de se coligar com o Partido Socialista Brasileiro (PSB), por intervenção direta do cacique que se encontra preso na Polícia Federal de Curitiba. Desta forma, Ciro Gomes sentiu na pele a destruição de seu projeto político e acabou sozinho. Então, no segundo turno, preferiu viajar para a Europa a continuar na campanha política de maneira intensiva.
Contundentemente, o PT só aceita a sua hegemonia. Quando ameaçado, infla-se de ódio por falta de grandeza para aceitar opiniões divergentes. Democracia para o PT é simplesmente um instrumento para a tomada do poder, da forma como tão bem descreveu recentemente o ex-ministro José Dirceu (PT-SP), em entrevista ao jornal “El País”. Por isto, não dá para acreditar no discurso de Fernando Haddad, pois seu partido jamais foi guardião da nossa democracia.

quinta-feira, 18 de outubro de 2018

Vestindo Pele de Cordeiro


Pelas últimas pesquisas de intenção de votos, pode-se inferir que o candidato da direita, Jair Bolsonaro (PSL-RJ), conquistará uma vitória maiúscula sobre Fernando Haddad (PT-SP), possivelmente com mais de 20 milhões de votos de frente. A expressividade da vitória, entretanto, não deve ser atribuída a possíveis méritos de Bolsonaro, mas sim a aversão ao Partido dos Trabalhadores, ao PT, conquistada nos seus 13 anos de governo e em suas atuações como oposição. Daí o elevadíssimo nível de rejeição que o candidato petista agregou nesse segundo turno das eleições, bem próximo a 50%.
A rejeição resulta do despotismo com que o PT sempre pautou suas ações, como se o partido e seus filiados estivessem acima do bem e do mal. Daí que em todos os governos depois da redemocratização do Brasil tenha atuado na oposição pelo impeachment. Primeiro do governo de Collor de Mello (PTC-AL) e de seu sucessor, o falecido Itamar Franco. Depois, do governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB-SP) – Fora FHC! Nesse período foi contra o Plano Real, que estabilizou a economia e melhorou a renda do trabalhador impelindo a diminuição da pobreza, e a Lei de Responsabilidade Fiscal - LRF.
Já no governo, não obstante herdar do antecessor um país muito mais arrumado, disse ter assumido uma “herança maldita”, simplesmente para desqualificar Fernando Henrique Cardoso e equipe. Mesmo assim, manteve o compromisso de preservar a política econômica do PSDB e cumprir o equilíbrio fiscal. Por isto, a “Carta aos Brasileiros”, assinada pelo então candidato Lula da Silva (PT-SP), em 2002, para amenizar a ebulição do mercado, que fez disparar o dólar e o risco Brasil desestabilizando a economia, pelo efeito “Lula”.
No entanto, em março de 2006, iniciou o que chamaram de “uma nova matriz econômica”, ao nomearem o petista Guido Mantega (PT-SP) para o Ministério da Fazendo. Foi quando deram a largada à gastança! Tal política seria intensificada no governo de Dilma Rousseff (PT-MG), arruinando as contas públicas e gerando mais de 13 milhões de desempregados. Contudo, mesmo sabendo do tsunami no horizonte, a ex-presidente criava um Brasil às mil maravilhas para vencer as eleições de 2014 - Uma pilhagem eleitoral para vencer as eleições.
Entretanto, o PT nunca teve grandeza para reconhecer qualquer erro. E olha que não foram poucos: MENSALÃO, PETROLÃO e escândalos seguidos de escândalos. A culpa, contudo, sempre foi atribuída aos seus desafetos, ora aos opositores, ora à própria Justiça, sem o mínimo constrangimento em enxovalhar as instituições do Estado e em denegrir o Brasil junto às cortes internacionais e ao mundo. Mais valor sempre teve o partido e suas lideranças, o resto é segundo ou terceiro plano!
Também não tem qualquer constrangimento em defender sistemas autoritários, tais como o da Venezuela, de Nicolás Maduro, e a Nicarágua, de Daniel Ortega, que já tiraram a vida de centenas de opositores. Outras centenas de presos políticos são mantidas nos cárceres antidemocratas dessas ditaduras. Mas, dissimuladamente, o PT diz que aqueles países vivem em “democracia”.  
Agora, no desespero, o PT tenta se vestir com pele de cordeiro no pit stop da campanha política. Assim, esconde cinicamente os ex-presidentes Lula da Silva e Dilma Rousseff; diz-se favorável a imprensa livre, quando na realidade mantém em seu programa o “controle social da mídia” (censura); exalta a “soberania popular” e o mesmo projeto econômico fracassado em governos anteriores, o que levará o País à “venezuelização”. Além de tudo, tem ainda o cinismo de trocar o vermelho pelo verde e amarelo, julgando a todos como se fôssemos idiotas.

terça-feira, 9 de outubro de 2018

O Pau Brasil e a Borduna


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No período entre a chegada da esquadra de Pedro Álvares Cabral, em abril de 1500, até a da expedição de Martim Afonso de Souza, ao final de janeiro de 1531, Portugal não demonstrou interesse em colonizar o Brasil. A primeira expedição exploradora, de 1501, sob o comando de Gaspar de Lemos (na companhia do mercador italiano Américo Vespúcio), não encontrara outra fonte de riquezas que não o pau-brasil. Daí que o rei D. Manuel I (1469-1521) tenha achado mais relevante explorar a nova rota das especiarias, mesmo a navegação sendo mais distante e mais perigosa pelo Cabo da Boa Esperança.
Então, a exploração do pau-brasil foi arrendada pela Coroa Portuguesa a um consórcio de comerciantes liderado por Fernão de Noronha, no momento em que a notícia da descoberta do Novo Continente já se espalhara por toda Europa, despertando a curiosidade e a cobiça de todos. Não demorou, portanto, para que entre 1503 e 1504 a França viesse a explorar o pau-brasil na costa brasileira. Tanto a França como a Inglaterra e os Países Baixos não aceitavam a divisão do Novo Mundo entre Portugal e Espanha, da forma como dispusera o Papa Alexandre VI (1431-1503) ao firmar o Tratado de Tordesilhas.
A exploração do pau-brasil pelos portugueses e franceses, e esporadicamente também pelos espanhóis, obteve a ajuda direta do índio. O principal atrativo para a aproximação foram as quinquilharias europeias, que de imediato despertavam neles verdadeiros fascínios.  Depois foram introduzidos objetos de ferro, como o machado, a tesoura, a faca e o anzol, que lhes reduzia acentuadamente o trabalho, principalmente na abertura de novas lavouras.
O pau-brasil extraído pelos franceses do litoral brasileiro era bastante lucrativo, uma vez que usado como corante pelas indústrias de tecido da Normandia. Com o excedente, os franceses faziam forte concorrência aos portugueses no mercado europeu.
Contudo, a principal aliança para fazer frente às necessidades de mão-de-obra e ao enfrentamento de tribos hostis se dava pela “oferta matrimonial”, como explica o sociólogo Jorge Caldeira, em seu livro “História da Riqueza do Brasil”, quando diz que “a aceitação de um estrangeiro se fazia, ... , por um ato muito simples: o casamento de aliança com uma filha do chefe. E esse ato, num grupo em que, pelos costumes, os homens vinham de fora e as mulheres eram educadas para receber em casa os homens de fora, era bem mais simples de ser arranjado quando envolvia indivíduos de plagas remotas”. 
Com este ato firmava-se um pacto entre os povos, que determinava uma forte relação de amizade que deveria estender-se aos tempos de guerra. E é justamente nas guerras em que eram capturados os inimigos que seriam subjugados como escravos ou submetidos à antropofagia, pela coragem demonstrada na lide. Em seus banquetes rituais de antropofagia os indígenas acreditavam que ingerindo a carne dos prisioneiros de guerra incorporavam toda coragem e força espiritual do vencido. Era justamente esse ritual o que mais temia e apavorava o europeu.
O ritual da antropofagia era uma prática comum utilizada pelos principais grupos tribais do Brasil, tanto no litoral como no interior. Deve-se ponderar que a organização social das tribos não se dissociava das guerras, haja vista que a própria estratificação social baseava-se fundamentalmente na capacidade de perseguir e matar o maior número de inimigos. Quanto mais valente o guerreiro mais consolidado ficava seu valor diante da tribo. Não por acaso, cabia ao guerreiro que capturava o prisioneiro o derradeiro forte golpe de borduna. 
Conforme relatam inúmeros cronistas da época, não foram poucos os viajantes que em suas viagens em busca do pau-brasil acabaram por sucumbir nos rituais da antropofagia. Todavia, as circunstâncias sempre foram determinantes, haja vista que o índio tanto podia manifestar os mais profundos gestos de admiração e amizade, como também hostilidade. Tudo dependia da maneira como tratados.

Este artigo foi publicado na revista "Cachoeiro Cult" e no blog do "Clube de Leitura Icaraí"

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

Troca de valores pelo pouco apreço à Democracia

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Segundo matérias publicadas na grande imprensa, dirigentes petistas teriam repreendido o ex-ministro José Dirceu (PT-SP), ex-presidente daquela agremiação partidária, o PT, pelas declarações dadas ao jornal espanhol El País. Dirceu foi muito claro ao dizer que “dentro do Brasil é uma questão de tempo para a gente tomar o poder, que é diferente de ganhar eleição”. Também exaltou a retirada do poder de investigação do Ministério Público (MP) e enlevou que o Supremo Tribunal Federal (STF) seja transformado em uma “Corte Constitucional”, sem grandes poderes.
Recordamos que José Dirceu só está solto por decisão da Segunda Turma do STF, depois de liminar de iniciativa do ministro José Dias Toffoli. Dirceu é ex-chefe de Toffoli, quando advogado-geral da União durante o governo do ex-presidente Lula da Silva (PT-SP). Atualmente é condenado em dois processos, em segunda instância, pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região: O primeiro, por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e recebimento de vantagens, a 23 anos e três meses de prisão; O segundo, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, a 11 anos e três meses de prisão.
No entanto, não bastam apenas as repreensões do PT, com o único intuito de minimizar o que disse Dirceu junto à opinião pública. Aliás, todos sabem que as declarações do ex-ministro estão no DNA do partido. Projetos como o do “controle social da mídia” e de convocação de uma nova assembléia nacional constituinte vão de encontro ao que diz o ex-ministro, pois objetivam calar a oposição democrática e criar instrumentos legais para a perpetuação no poder, em moldes similares ao que está sendo feito na Venezuela e na Nicarágua. Por isto, o apoio explícito petista àquelas ditaduras.
A atual presidente do PT, senadora Gleisi Roffmann (PT-PR), durante o 23º Encontro do Foro de São Paulo - fórum que reuniu partidos de esquerda da América Latina e do Caribe – proferiu em nome de seu partido que “tem a expectativa de que a Assembleia Constituinte (da Venezuela) possa contribuir para uma consolidação cada vez maior da Revolução Bolivariana”. Disse, ainda, expressar “forte apoio” e celebrar o que chamou de “constante compromisso do governo” de Nicolas Maduro com a revolução de esquerda naquele país vizinho.
Assim, o PT enaltece a ditadura de Nicolas Maduro, enquanto finge não conhecer nenhum de seus erros, seja no MENSALÃO, no PETROLÃO ou em qualquer outro escândalo ocorrido em seus governos, que não foram poucos. Nem a incompetência do Governo de Dilma Rousseff (PT-MG), que legou ao País uma dívida pública trilionária e mais de 13 milhões de desempregados, como conseqüência da maior crise da nossa história republicana.
O mínimo que o partido deveria fazer é reconhecer, com humildade, seus erros e pedir desculpas ao povo brasileiro, para reconquistar pelo menos um pouco da dignidade perdida.
A bem da verdade, o único que até agora teve essa grandeza foi Antônio Palocci (PT-SP), ex-ministro da Fazenda (Jan. 2003/Mar. 2006), no governo de Lula da Silva, e ministro Chefe da Casa Civil (Jan 2011/Jun. 2011), no governo de Dilma Rousseff, em sua delação premiada à Polícia Federal (PF). Por isto, Palocci que era junto com José Dirceu um dos maiores expoentes do partido, agora é simplesmente demonizado como se só falasse mentiras. Daí que o PT tenha virado uma seita que idolatra no silêncio o malfeito. Vergonhoso, mas nada...