sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Humilhando o Brasil diante do mundo

Um dia depois de recorrer ao Comitê de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), em Genebra, na Suíça, contra o que chamou de “abuso de poder” do juiz Sérgio Moro e dos procuradores da Operação Lava-Jato, o ex-presidente Lula da Silva (PT-SP) tornou-se réu por tentativa de obstruir a Justiça. Junto com ele também foram indiciados o amigo pecuarista José Carlos Bumlai, o ex-senador eleito pelo PT do Mato Grosso do Sul Delcídio do Amaral, o banqueiro André Esteves e mais três “cumpanheiros”.
A ação foi deferida pelo juiz Ricardo Leite, da Justiça Federal de Brasília. Além da tentativa de obstrução da Justiça há também claras evidências de formação de quadrilha para comprar o silêncio do ex-diretor da Petrobras, Nestor Cerveró, um dos réus mais atolados no escândalo do PETROLÃO. Este é o primeiro indiciamento do ex-presidente. Entretanto, outros processos envolvendo o seu nome e de familiares de primeiro grau tramitam em Curitiba, sob a responsabilidade do juiz Sérgio Moro.
A roubalheira institucionalizada durante os treze anos de governo petista agora tira o sono do ex-presidente. O recurso à ONU, impetrado por um dos mais renomados e caros advogados do mundo, o australiano Geoffrey Robertson, alega que o líder petista e seus familiares estão sendo perseguidos pela Justiça do Brasil, inquisitorialmente. Alega, ainda, abuso de poder do juiz Sérgio Moro, por autorizar a divulgação de escutas telefônica em conversa com a então presidente Dilma Rousseff (PT-RS), como também cerceamento de defesa.
O recurso à corte de Genebra tem como finalidade iminente intimidar a Justiça, uma vez que o processo recentemente instaurado sequer transitou em julgado. Outro ponto é que se condenado, ele ainda poderá recorrer a uma segunda instância, e depois até mesmo ao Supremo Tribunal Federal (STF). É evidente que o PT quer vitimizar o ex-presidente! O modus operandi é o mesmo da versão de “golpe”, explorado massivamente no processo em curso no Senado Federal, relativo ao impeachment da presidente ora afastada.
Tanta desfaçatez e cinismo chegam ao ponto do ridículo, tal como procedeu um grupo de 64 petistas e simpatizantes - entre professores, advogados, procuradores e outros profissionais da justiça - em manifesto entregue ao presidente do STF, Ricardo Lewandowski, com intento de defender o recurso ao Comitê de Direitos Humanos da ONU impetrado pelo ex-presidente. Uma orquestração casada e puramente política, com o propósito exclusivo de dividir o país e confundir a opinião pública.
Segundo o manifesto o ex-presidente é vítima do ódio da imprensa golpista e da elite, porque “ele é filho da miséria; porque ele é nordestino; porque ele não tem curso superior; porque ele foi sindicalista; porque foi torneiro mecânico; porque é fundador do PT; porque ele bebe cachaça; porque fez um governo preferencialmente para as classes mais baixas e vulneráveis”. Claro, não mencionaram o MENSALÃO, o PETROLÃO e nenhum outro escândalo da corrupção institucionalizada nos governos petistas, que são fatos!
Também suprimiram que as elites e as oligarquias, “como nunca antes na história deste país”, ganharam tanto dinheiro como na era do PT. Fica patente, portanto, que para o populismo a palavra “povo” é apenas um elemento conveniente do discurso, tal como é proveitoso julgar-se perseguido sempre que flagrado em atos de corrupção e malfeitos. Por isto, esta minoria abomina a JUSTIÇA maiúscula, hoje muito bem simbolizada pelo juiz Sérgio Moro.