quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Gigante caído e humilhado diante do mundo


O mundo desenvolvido hoje assiste perplexo à agonia do Brasil em crise. Primeiro, porque ninguém entende como foi possível sistematizar uma roubalheira tão grande, por tanto tempo, sem que nada disso fosse descoberto. Segundo, porque é difícil compreender as razões para tantos estragos em nossa economia, quando todos acreditavam que o Brasil caminhava no sentido inverso, empreendendo um amplo programa de inclusão social pelo crescimento sustentável.
É muito difícil os países de primeiro mundo, com indicadores de desenvolvimento humano elevados, entenderem a complexidade da nossa vida social e política. Lá os interesses da população são invariavelmente colocados em primeiro plano, enquanto aqui no Brasil, pela própria cultura patrimonialista, a maioria dos políticos prioriza as suas cobiças, sem qualquer parcimônia, em detrimento dos anseios maiores da sociedade e das necessidades do País.
A população, por sua vez, com raras exceções, conforma-se com essa política, como se tudo isso fosse normal. Por atraso, há ainda aqueles que parecem apreciar a roubalheira, justiçando-a com o “rouba, mas faz”. Tal apologia é inconcebível aos valores de uma sociedade moderna, desenvolvida, onde o malfeito é intolerável, por prejudicar a todos os que custeiam o Estado com o ônus dos impostos.
Em qualquer lugar do mundo, entretanto, a classe política é sempre vista com certa desconfiança, tanto pela insolência como pela dissimulação. No mundo desenvolvido, contudo, as leis funcionam e não há tolerância com a mentira e a roubalheira. Os malfeitores são punidos, irremediavelmente, podendo inclusive culminar com a prisão. Aqui verdadeiras quadrilhas são formadas para dilapidar o Estado em conluios de negócios, prevalecendo-se da impunidade e da benevolência das Leis.
Esse conluio de negócios é forte de tal forma que chega a refletir nos valores e costumes da sociedade. Na esfera do Estado nem o Executivo, nem o Legislativo ou Judiciário, que deveriam zelar pelos valores éticos e darem o exemplo, têm demonstrado qualquer isenção.
Recentemente, como mau exemplo, vimos o ex-presidente Lula da Silva (PT-SP) reclamar de viva voz aos quatro cantos do país do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo (PT-SP), por “não controlar a Polícia Federal (PF)” nas investigações da Operação Lava-Jato e da Operação Zelotes. O clamor do ex-presidente, por certo, deveria ser o de que a PF investigasse a fundo, de modo a esclarecer todos os malfeitos, sem qualquer distinção de raça, credo, poder econômico ou partido político.
Para comprovar a tolerância com o malfeito, logo que a PF chega à casa dos Lula da Silva estranhamente a Juíza que autorizou a busca e apreensão é afastada. Que tristeza para as pessoas descentes deste país! Que vergonha para a “Justiça” do Brasil lá fora! Não dá para aceitar o argumento de que “não houve pressão de ninguém”, conforme dizer do juiz Vallisney de Souza Oliveira, que retorna àquela Vara do Supremo Tribunal de Justiça (STJ), para assumir o caso.
Também em nada nos honra ver um Senado Federal presidido por Renan Calheiros (PMDB-SP), com processo em banho-maria no Supremo Tribunal Federal (STF) após flagrado com o pagando de pensão por empreiteira em seu nome. Nem a Câmara dos Deputados presidida por Eduardo Cunha (PMDB-RJ), atolado em corrupção até o pescoço, comprovadamente. É a pobreza da nossa política!
Em terra onde a presidente e seu partido político, o PT, podem fazer o “diabo” para ganhar as eleições e não há qualquer punição, dá para intuir que somos realmente uma republiqueta de tupiniquins. E o mundo lá fora faz o seu juízo...