quinta-feira, 12 de novembro de 2015

A queda do Muro de Berlim e a guilhotina


Na última segunda-feira, dia 9, completou 26 anos da queda do Muro de Berlim. Este foi um dos acontecimentos políticos de maior importância no século passado, pelo fim da Guerra Fria que segregava o mundo em dois blocos: o dos países de economia capitalista, liderado pelos Estados Unidos da América - EUA, e o de economia socialista, liderado pela extinta União Soviética. O muro cruzava toda Berlim dividindo a Alemanha em dois Estados. A parte oriental era socialista e a ocidental capitalista.
Essa grande barreira, com redes metálicas eletrificadas, torres de observação e pista para vigilância de cães, foi construída em 1961, com o fim de impedir a emigração da Alemanha Oriental para o território capitalista. Segundo estatísticas dos socialistas, durante os 28 anos da existência do muro 80 pessoas morreram e 112 ficaram feridas, entre milhares de prisões por tentativas de fugas. A veracidade desses dados, entretanto, até hoje é contestada, devido a falta de fonte segura.
Antes da construção do Muro de Berlim um contingente superior a 3,2 milhões de alemães desertou para o lado ocidental no período pós-guerra. Entre os motivos da migração em tão larga escala relevam-se as oportunidades criadas com o Plano Marshall para a recuperação da Europa, sob a liderança dos EUA; o anseio de independência do despotismo soviético e o desejo de liberdade. O comunismo, por materialista, sempre inibiu a liberdade de culto religioso, bem como a de opinião e a livre iniciativa. Tudo é sempre dependente do Estado!
Por isto, depois da queda do Muro de Berlim, todos os países que compunham a então Cortina de Ferro, sem exceção, inclusive a própria Rússia, refutaram o antigo regime em favor do capitalismo. O atraso e a repressão nesses países eram tão patentes, que até hoje nenhum deles realizou qualquer movimento pelo regresso ao socialismo.
No Brasil os partidos de orientação marxista nunca contaram com apoio expressivo da população, como sempre demonstrou o modesto somatório de votos nas urnas. A culpa de tal fracasso é invariavelmente atribuída à imprensa, que ora chamam de “burguesa”, ora de “golpista”. Daí estarem sempre a reboque do populismo para a ascensão ao poder.
Desde a instalação da República no Brasil, em 1889, essa esquerda encontrou terreno tão fértil como no período petista, depois de 2003. Para avançar e alcançar o poder os comunistas não têm qualquer constrangimento em mentir; em conspirar contra as instituições Republicanas e Democráticas; em defender um governo incompetente e corrupto. A única “virtude”, para eles, são os seus ideários, sempre vistos como superiores a tudo e a todos.
Com a vênia do leitor tomo a liberdade de utilizar a primeira pessoa para um exemplo. Há pouco tempo, por minhas escritas, recebi através do Facebook a seguinte mensagem: Não te reconheço mais como uma pessoa que um dia, na juventude, partilhou sonhos de liberdade e justiça comigo. Por essa razão estou te desabilitando como meu amigo. Seja feliz e que um dia a doença da ideologia que cega, já prevista por Marx há muitos anos, possa ser curada em você! Torço pra isso!
O signatário da mensagem foi reitor de uma grande universidade pública, com o qual realmente convivi excelentes momentos da juventude. Por aceitar o direito à opinião do amigo, entendi que não caberia resposta. No entanto, ele acabou por mostrar-me os sintomas da “doença da ideologia que cega”. Mostrou-me também que o sentimento de consideração e de respeito humanos é questão secundária para o materialismo dialético.
Então, como o Muro de Berlim se foi há quase três décadas, continuarei lutando pelos valores Republicanos e Democráticos, como forma de ajudar a melhorar, no âmbito de meu alcance, o meu País. Claro! Tenho também que defender o meu pescoço, pois a vanguarda revolucionária comunista usa a guilhotina para calar os seus desafetos.