sexta-feira, 4 de setembro de 2015

"O fim do Brasil".

Antes das eleições do ano passado, há cerca de um ano, o analista financeiro e sócio da Consultoria Empiricus Research, Felipe Miranda, suscitou a ira petista ao prever “o fim do Brasil”, caso a presidente Dilma Rousseff (PT-SP) fosse reeleita. A questão acabou por parar no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que concedeu liminar em favor da coligação da então candidata, suspendendo a veiculação dos vídeos promocionais daquela Consultoria, por alarmar “um iminente caos econômico”, no dizer do ministro Admar Gonzaga.  
“O fim do Brasil” é também o título do livro de Felipe Miranda.  A obra analisa  a situação macroeconômica do Brasil naquele momento, justificando as razões que levariam o Brasil à atual crise econômica. É claro que nossos problemas não são de ordem externa, da forma como a presidente Dilma Rousseff e o PT querem fazer crer, reiteradamente. Aliás, essa forma de isentarem-se de culpa é um dos fatores que levaram o governo e o PT ao descrédito, por subestimar a inteligência do brasileiro.
Mas, segundo Felipe Miranda, os avanços da nossa economia até o final da última década, ainda no mandato do ex-presidente Lula da Silva, ancorou-se no Plano Real. A maturidade do Plano teria sido alcançada em 1999, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, pela adoção do seguinte tripé macroeconômico: regime de metas de inflação, controle da política fiscal e câmbio flutuante. Essas medidas elevaram a confiança no país, o que aumentou os investimentos e gerou um ciclo virtuoso de crescimento.
As razões da atual crise foram muito bem sintetizadas pelo analista Felipe em entrevista concedida ao site da revista “Exame”, na qual relata que a crise começou a ser fomentada depois da quebra do Banco Lehman Brothers, nos Estados Unidos, em setembro de 2008. “A partir daí o governo adotou uma série de medidas para tentar reduzir os impactos da crise. Mas é uma política fiscal gastona que acaba ferindo os três pilares do tripé. São medidas desajustadas. O Brasil começou a morrer por causa da nova matriz econômica”.
Se naquela ocasião as previsões da Empiricus poderiam parecer alarmistas para os desavisados, assim como incomodar o PT, pelo intento desmedido de não deixar o poder, é inconteste que a atual crise há muito já se anunciava. E ela tem nome e sobrenome, pois foi criada e consolidou-se sob a gestão de uma equipe econômica genuinamente petista, comandada pelo ex-ministro Guido Mantega (PT-SP). No último período de governo, entretanto, contou com a intervenção direta da “doutora” Dilma Rousseff, inclusive sobre o Banco Central.
O tempo mostrou que a Empiricus Research estava correta. Recentemente, Filipe Miranda em entrevista à “Folha de São Paulo”, chegou a ironizar a situação, ao dizer que "se considerarmos o tamanho da atual recessão, a fragilidade da situação fiscal ou o nível de taxa de juros, erramos tudo”. Realmente a situação econômica atual é ainda pior do que as suas previsões. É inconteste, porém, que a Empiricus analisou com serenidade a realidade da situação econômica e financeira do Brasil, enquanto outros analistas prefeririam agradar o governo a receber o rótulo de “alarmistas”.
É claro que não veremos “o fim do Brasil”. Mas, fatalmente, vivenciaremos mais uma década de baixíssimo crescimento econômico. O mais preocupante, porém, é que o atual governo já demonstrou que não dispõe de credibilidade para realizar as mudanças necessárias. Então, ora é o povo brasileiro que não poderá se calar, sob o risco de ver o país continuar a descer ladeira abaixo.