quinta-feira, 2 de julho de 2015

Quando o marketing já não adianta mais...

Mesmo tendo vencido as últimas eleições com bastante aperto, o PT mostrou-se convencido de que poderia impor ao país o seu projeto de poder, nos moldes do sistema bolivariano da Venezuela. A partir de então, em várias ocasiões, a própria presidente Dilma Rousseff passou a manifestar-se a favor do chamado “controle social da mídia”, em contradição a pronunciamentos passados, quando abertamente dizia-se contra qualquer tipo de censura à imprensa.
Só que tanto a presidente quanto o PT não imaginavam a ducha de água fria que encontrariam pela frente, em sinal de que a nossa democracia funciona, não obstante a todos os seus defeitos. Assim, logo no início deste segundo mandato, o governo se viu surpreendido por vultosas manifestações populares, de norte a sul do Brasil. No Legislativo a surpresa foi a fragmentação da base aliada, em reação ao projeto de hegemonia petista. Contudo, o maior pesadelo veio com o desdobramento da Operação Lava-Jato, desencadeada no Judiciário.
E para complicar o calvário do governo, a crise política aconteceu justamente em um período de crise econômica sem precedentes, consolidada após quase nove anos da gestão do professor Guido Mantega e sua equipe genuinamente petista. Só que a arrogância e a sede de poder têm impedido o PT de entender que o seu ciclo de governo está chegando ao fim, pois “não há mentira que dure para sempre”, da forma como bem expressa o jargão popular.
Não é por outro motivo que a reprovação do governo da presidente Dilma Rousseff tenha chegado a 68%, enquanto apenas 9% consideram o seu governo como ótimo ou bom, conforme pesquisa CNI-Ibope divulgada na última quarta-feira. Esta é a maior rejeição desde a era Sarney, quando o índice de aprovação alcançou apenas 7%, o que demonstra a desilusão da grande maioria dos brasileiros com a trajetória dos governos petistas.
Dificilmente a atual situação será revertida. O desgaste é tão grande, que o índice de aprovação do governo chega a ser inferior ao histórico de votos do PT. Outro ponto é que os escândalos em série não param de tomar as manchetes dos principais veículos de comunicação do País, fazendo com que a mobilização dos militantes petistas na internet se torne inócua, destinadas ao fracasso.
Daí o gesto desesperado do ex-presidente Lula da Silva ao dizer que “a Lava-Jato não pode ser a agenda do País”, durante reunião com outros investigados na casa do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), esta semana, quando propôs a união de todos em favor da presidente Dilma Rousseff. Na prática, o ex-presidente tenta influir na continuidade das investigações da Polícia Federal, quando insinua que a Operação Lava-Jato “contamina a política e a economia”.
A presidente, por sua vez, também acuada, critica com veemência o vazamento seletivo das investigações em curso. Entretanto, a publicidade é um dos meios legítimos utilizados para evitar que o governo utilize os instrumentos do poder para atrapalhar as investigações.  Daí o medo de que o instrumento da colaboração premiada, prevista na Lei nº 12.350, de 2 de agosto de 2013, sancionada pela própria presidente, definitivamente comprometa o Planalto.
O fato é que a sujeira dos governos petistas já não pode ser jogada para o abismo, conforme no passado. E agora, nem mesmo a convocação do marqueteiro oficial do PT, João Santana, conseguirá colorir o Brasil, agora exposto ao preto no branco, pois a população brasileira despertou da letargia.

Afinal, o próprio ex-presidente Lula da Silva expôs em alto e bom som a todos os brasileiros, em um raríssimo lampejo de sinceridade, que tanto ele, como a presidente Dilma Rousseff e o PT estão “abaixo do volume morto”, porque o “PT perdeu um pouco do sonho, da utopia. A gente só pensa em cargo, em ser eleito... querendo salvar a própria pele”.  E como discordar do que ele disse?