sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Mordido pelo próprio veneno

Não havendo novidade no cenário político até as eleições, podemos crer que a ambientalista Marina Silva (PSB-AC) terá grandes chances de alçar ao Palácio do Planalto no colo do povo. Algo bem semelhante ao que aconteceu com o metalúrgico Lula da Silva (PT-SP) no alvorecer de 2003, quando venceu com larga margem de votos, em segundo turno, o oponente José Serra (PSDB-SP), depois de três tentativas frustradas de chegar à presidência da República.

O principal trunfo de Marina Silva no momento é o de representar uma terceira via, ou uma alternativa nova de poder. Pode até ser que, caso eleita, Marina não consiga promover as mudanças esperadas, pois são notórias as dificuldades que terá, pela própria resistência do meio político. Mas, a realidade é que hoje a candidata traduz esta esperança, antes bandeira exclusiva de Lula da Silva e do seu partido, o PT (Partido dos Trabalhadores).

Uma das razões do crescimento da candidatura de Marina Silva é a resistência do eleitor a Aécio Neves (PSDB–MG), que não tem conseguido decolar. Isto se deve muito mais às campanhas sistemáticas que a cúpula petista tem efetivado contra o PSDB, que ao próprio candidato. Aliás, Aécio Neves tem grandes méritos como gestor. Tanto é assim que deixou o governo de Minas Gerais com larga margem de aprovação.

A campanha engendrada pelo PT contra o PSDB, e particularmente contra o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (FHC/PSDB-SP), tem sido tão sistemática, que acabou por desgastar a imagem dos sociais democratas, ofuscando suas realizações. Recordemos apenas os avanços da telefonia celular, das privatizações, da criação das agências reguladoras (agora aparelhadas pelo PT), a introdução da política de aumento real do salário mínimo, o controle eficaz da inflação e o Bolsa Escola, cujo cadastro possibilitou a criação do Bolsa Família.

Essa campanha foi tão perversa que não poupou sequer D. Ruth Cardoso, esposa de FHC, uma intelectual brilhante e honesta, mentora e executora do projeto “Comunidade Solidária”, desativado pelo PT. E diga-se, com todas as letras maiúsculas: SEM QUALQUER ÔNUS PARA O HERÁRIO PÚBLICO.

Durante a campanha contra D. Ruth Cardoso – de supostos gastos exagerados com cartão de crédito, vazando propositadamente para a imprensa - a atual presidente Dilma Rousseff era ministra-chefe da Casa Civil, no governo de Lula da Silva. Os dados vazados mostraram-se falsos e o malfeito da “investigação” foi atribuído à Erenice Guerra, na época principal assessora de Dilma Rousseff. Erenice logo depois foi demitida por tráfico de influência.  Mais um caso de “aloprados”!

O ex-presidente Lula da Silva, a atual presidente e a cúpula do seu partido acabaram por instituir a política do “nós” contra “eles”, sem qualquer pudor e autocrítica. Por isto, uniram-se ao que há de mais atrasado e retrógrado na nossa política. São testemunhas disto Paulo Maluf, José Sarney, Renan Calheiros, Jader Barbalho, Fernando Collor de Melo, Valdemar Costa Neto, entre tantos.


Deu no que deu! Os malfeitos e a corrupção eclodiram “como nunca antes na história deste país”. E as inverdades, as dissimulações e as sujeiras sempre jogadas para debaixo do tapete. A desindustrialização do país e o crescimento perto de zero, com inflação próxima de sete por cento. Como falar de competência? Então criaram o país dos sonhos, que não existe, para perpetuar no poder. Mas o tempo mostra que eles estão sendo mordidos pelo próprio veneno. Falta-lhes competência!