sexta-feira, 12 de abril de 2013

“Burrices” sem freios



Recentemente, em entrevista concedida aos jornalistas Fernando Rodrigues e Armindo Pereira Filho (Folha-Uol), o empresário Jorge Gerdau, coordenador da Câmara de Políticas de Gestão e Planejamento da Presidência da República, classificou como “BURRICE” a criação de mais uma secretaria (da Micro e Pequena Empresa), com status de ministério, pelo governo de Dilma Rousseff.  

Jorge Gerdau tem plena autoridade para opinar dessa forma. Além de grande empreendedor, também é um dos mais experientes, lúcidos e respeitáveis empresários brasileiros. Sabe interpretar a realidade e distinguir com clareza os obstáculos que inibem nosso desenvolvimento. Por isto, Gerdau diz ainda, com absoluta propriedade, que bastaria ao governo “meia dúzia” de ministérios.

Mas, na realidade, Gerdau tem plena convicção que a criação do 39º ministério por Dilma Rousseff objetiva apenas mais cargos, para acomodar novos aliados políticos, haja visto que a Secretaria da Micro e Pequena Empresa nasceu com destino certo: o Partido Social Democrático (PSD), de Gilberto Kassab; o titular da pasta será o empresário e político Guilherme Afif Domingos (PSD-SP).

Então, não se trata de “BURRICE” no sentido usual do termo, mas de oportunismo político. São mais 68 cargos em comissão e mais empregos para os apadrinhados, incluindo o ministro, o secretário-executivo e os comissionados que lotarão mais duas secretarias, conforme consta na Lei aprovada pelo Congresso Nacional.

Na realidade, o PSD de Kassab só foi criado para abrigar antigos oposicionistas ao governo petista, que se encontravam deslocados na oposição, pela avidez que têm ao fisiologismo. Daí a satisfação de Lula de Silva (o articulista) e sua sucessora, por receber a todos com abraços e braços abertos, porque a prioridade não é o Brasil, mas a manutenção do poder, se possível sem oposição, conforme nas ditaduras.

E nesse círculo vicioso, sem qualquer grandeza, “a partir dos governos petistas, especialmente depois da crise de 2005, a criação de ministérios disparou: saltou das 21 pastas do último ano do governo Fernando Henrique Cardoso para 34 no primeiro mandato de Lula, 37 no segundo e agora 39 com Dilma”, conforme mencionou Merval Pereira em sua coluna, no último dia 4, em “O Globo”.

Por essa criação desenfreada de ministério, para abrigar tantos “cumpanheiros” fisiológicos, que transitam desde a extrema esquerda das cavernas à ultradireita conservadora, o governo brasileiro tem hoje mais de 20 mil cargos em comissão. Um absurdo! Um verdadeiro absurdo. 

Não é ao acaso que o Brasil continua perdendo oportunidades. Em 2011 e 2012 amargamos um “pibinho”, entre os piores crescimentos do PIB dos países da América Latina. No último ano só crescemos mais um pouco que a Argentina.  

Em vez de priorizarmos o investimento produtivo - em educação, saúde, infra-estrutura, etc... -, para um crescimento sustentável, priorizamos a ineficiência do Estado - inchado pelo empreguismo desenfreado, desqualificado e oportunista. Um modelo de Estado que compromete nosso futuro.