sexta-feira, 19 de abril de 2013

“Paraíso” em berço esplêndido



No discurso realizado esta semana em Belo-Horizonte, durante o seminário “PT 10 anos de governo”, a presidente Dilma Rousseff atribuiu exclusivamente aos governos do PT o controle da inflação no Brasil, ao responder as críticas pelo aumento do custo de vida em seu período de governo. Logicamente, a presidente satisfez a “seleta” platéia de militantes e dirigentes petistas, que incluía o ex-presidente Lula da Silva.

A presidente nem mencionou o Plano Real, que estancou uma inflação catastrófica de quase 50% ao mês, beneficiando milhões de brasileiros durante o governo de Itamar Franco. Também desdenhou dos esforços empreendidos no governo de Fernando Henrique Cardoso para estabilizar o valor da moeda, em um ambiente de profundas crises econômicas. 

No passado o PT era contra a tudo e a todos que não marchassem nas suas fileiras. Assim, foi radicalmente contra o Plano Real e outras conquistas. Hoje, depois de se juntar às oligarquias mais arcaicas, que tanto criticava, já não tem constrangimento em executar a velha política, bem como de sentir-se no direito de se apropriar de feitos anteriores como se pudesse alterar o curso da história.

Não é por falta de motivos que não mais podemos esperar do PT um comprometimento com a verdade e com ética, nos moldes como o partido difundia em seus tempos idos. 

Agora, tudo de bom no Brasil só aconteceu nos últimos 10 anos, quando passamos a viver em um “paraíso”. “Crescemos mais que os outros países do mundo; acabamos com a pobreza e com a dívida externa; extirpamos a corrupção; o MENSALÃO não existiu!”. Por último, temos também “eficiente controle da economia e da inflação”. Valha-nos Deus!

Qualquer problema, porventura existente, é de responsabilidade única dos desafetos, que são sempre os mesmos: a oposição “integrada por tucanos, ex-comunistas e ex-pefelistas... com aliados poderosos na mídia monopolizadora, em aparelhos de estado com altos funcionários do Judiciário e do Ministério Público”, conforme o próprio dizer de Rui Falcão – presidente nacional do PT - no mesmo seminário de Belo-Horizonte.


Esse viés populista e autoritário não aceita opinião divergente. É ancorado na propaganda e na ignorância, nos mesmos moldes utilizados por Hugo Chavéz na Venezuela, e continuado pelo seu sucessor Nícolas Maduro. Lá a conseqüência é um país dividido, empobrecido cultural e politicamente pela falta de democracia e pela estatização dos meios de comunicação, que só enaltecem o governo. Também empobrecido economicamente, pela desindustrialização e atraso.


Por sorte o PT tem encontrado resistência da sociedade organizada e alguns dos aliados, que ora se postam de orelha em pé, diante da ânsia de tanto poder.

Então, que a situação atual da Venezuela nos sirva como exemplo, para que amanhã não tenhamos que lamentar os prejuízos de um modelo político atrasado, incompetente e autoritário, nos moldes das ditaduras. Isto é: se quisermos um país organizado e grande, com melhores valores.