sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Uma herança verdadeiramente maldita



De nada adiantará o esforço da oposição para abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), a fim de clarear os pontos obscuros do recente escândalo – Operação Porto Seguro -, que envolve o escritório da Presidência da República em São Paulo. Tanto na Câmara dos Deputados, como no Senado Federal, a oposição é inexpressiva, não chega a 20% do parlamento, de forma que ela não terá número suficiente de assinaturas para instalar uma CPI.
Caso consiga assinaturas de alguns dissidentes, mesmo assim a oposição não logrará êxito, pois o rolo compressor do governo não deixará que ela aprofunde qualquer investigação. Este filme ora estamos assistindo na CPMI que “apura” as relações do contraventor Carlinhos Cachoeira com agente públicos e privados, que se encerrará este mês em mais uma vergonhosa pizza, depois dos governistas culparem ou inocentarem quem bem quiseram.
A realidade é que a oposição há tempo vem sendo sufocada. Atualmente, ela é uma das mais fracas de toda nossa história republicana. Desde o MENSALÃO, quando o governo comprou o apoio da maioria dos partidos políticos, foi montada uma imensa máquina de troca-troca de apoio por cargos, que subtraiu do legislativo suas principais funções: a de legislar e a de fiscalizar o executivo.
Entramos, assim, em um circulo vicioso: o executivo aprova o que quer, e o legislativo, em troca das benesses do poder, diz simplesmente “amém”, sem qualquer pudor e respeito aos princípios republicanos.
Isto permitiu que o partido do governo (PT) aparelhasse toda máquina pública. Não é de se estranhar, portanto, a escalada de corrupção que tomou conta do Brasil nos últimos anos. São escândalos seguidos de escândalos, sem que tenhamos punição dos envolvidos e investigações concluídas.
Para aprofundar a dominação, e perpetuar a permanência no poder, foi criada uma forte máquina de propaganda, bem estruturada e com muito dinheiro - a la Goebbels. Há sempre uma nova versão para os fatos, quando o partido do governo não sai pela tangente, culpando ainda a oposição, ou quando não vem a velha cantilena do “eu não sabia”, ou do “fui apunhalado pelas costas”.
Agora mesmo na Operação Porto Seguro, vimos o próprio ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, a todo tempo tentando minimizar esse escândalo, em seus depoimentos na Câmara e no Senado. É fato, no entanto, que uma QUADRILHA se instalou no governo, atuando em organismos realmente importantes, tais como o próprio gabinete da Presidência da República em São Paulo, a Advocacia Geral de União (AGU) e Agências Reguladoras.
Argumentos como o de Gilberto Carvalho, Secretário-Geral da Presidência, de que “a impressão de que há mais corrupção agora não é real” e que agora “as coisas não estão debaixo do tapete”, também não são verdadeiros. A realidade é que nunca se viu no Brasil tantos escândalos de corrupção, e de forma tão recorrente.
Muito bem fez Fernando Henrique Cardoso (FHC) ao rebater os ataques de Gilberto Carvalho a seu governo. FHC lembrou a Polícia Federal flagrando a apreensão de dinheiro no gabinete de Roseane Sarney, governadora do Maranhão, e Jader Barbalho algemado. O que agora se vê é uma herança verdadeiramente maldita, legada ao governo da presidente Dilma Rousseff por seu antecessor.
Outro fato evidente é que ao final deste ano o PT completa 10 anos no poder. Já é tempo, portanto, de o partido assumir as mazelas de seus atos e os problemas de seu governo. Como culpar a oposição se ela não tem forças sequer para abertura de uma CPI?