sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Não se blinda a inteligência da nação que não se vende

Não há dúvida de que o mineiro Marcos Valério não dispõe de credibilidade. Não só pelo MENSALÃO, que lhe rendeu até aqui 40 anos, 4 meses e 6 dias de prisão, mas pelo conjunto de sua obra. Contudo, seu depoimento à Procuradoria-Geral da República, grudando o ex-presidente Lula da Silva ao MENSALÃO, merece ser investigado, por inúmeras coincidências de fatos e excessos de evidências, que não podem ser menosprezadas.
Desde o MENSALÃO até o recente escândalo da Operação Porto Seguro, envolvendo Rosemary Noronha - namorada secreta do ex-presidente há 20 anos e ex-chefe do Gabinete da Presidência da República em São Paulo - em diversos crimes, inclusive o de formação de quadrilha, inúmeros mal feitos foram produzidos dentro do próprio Palácio do Planalto.
Lembremos apenas alguns: compra de dossiê falso contra José Serra, conhecido como caso dos aloprados; uso dos cartões corporativos para pagamento de despesas pessoais (Rosemary Noronha também estava envolvida); preparação de dossiê contra Fernando Henrique Cardoso e Dona Ruth Cardoso; tráfico de influência de Erenice Guerra, então Chefe da Casa Civil e ex-assessora de Dilma Rousseff, entre outros...
Acontece que todos esses escândalos são sempre blindados pelo partido do governo (PT), com a colaboração dos Sarney’s, dos Collor’es de Mello, dos Maluf’s, dos Calheiros, entre outros fiéis “cumpanheiros”, que lotearam os cargos do governo.
O ex-presidente Lula da Silva tem saído incólume de todos eles, dizendo apenas: “fui apunhalado pelas costas”, “fui traído”, “não sabia”, “é mentira”. Os portavozes do partido se encarregam da sua defesa, usando sistematicamente o ataque como arma. Ora é a “mídia monopolista”, ora a “direita golpista”, ora a “oposição direitista”. Agora, depois do MENSALÃO, também o “Judiciário conservador” - sempre os mesmos jargões em uníssono raivoso.
Muito bem disse esta semana a articulista Dora Kramer, em artigo intitulado “A primeira vítima”, publicado em sua coluna de “O Estado de São Paulo”, ao citar que ao PT “o que agrada é democrático e o que desagrada é golpe articulado pela direita”. Por isto, “o Legislativo passa incólume das críticas do PT, ainda que seja a instituição que hoje gera mais desconforto na sociedade e a que dá mais motivos para ser criticada”, haja vista que esse poder está sempre subserviente ao governo.
Agora, todavia, diante da inércia do Legislativo, e da impossibilidade de atuação da oposição minguada, cabe à Procuradoria-Geral da República a abertura de processo para investigar o que disse Marcos Valério em sua delação premiada.
Há fatos muito graves e coincidentes, tal como o pagamento de despesas pessoais de Lula da Silva pelo esquema da MENSALÃO. Marcos Valério fala em “perto de R$ 100 mil”, conforme furo de reportagem de “O Estado de São Paulo”. A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito, que apurou o escândalo dos Correios, constatou o depósito de R$ 98.500, em conta da empresa do “aloprado” Freud Godoy, na época um dos subservientes de Lula da Silva.
Os demais fatos, tal como a caixinha montada no Banco do Brasil para financiar as propagandas do PT, não são novidades. Que Lula da Silva tenha participado como mandante do MENSALÃO e na obtenção de dinheiro junto a Portugal Telecom, parece questões muito evidentes, principalmente para aqueles que conhecem o personalismo do ex-presidente.
Mas, de uma coisa podemos ter certeza: tanto o PT como o ex-presidente Lula da Silva têm muito que esclarecer ao Brasil. É impossível blindar a inteligência da nação que não se vende; que não tem por princípio a manutenção do poder a qualquer preço.