quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Não há poder que dure para sempre


Classificado pela Procuradoria Geral da República (PGR) como “o maior escândalo de corrupção da história política do Brasil”, o MENSALÃO do PT é um fato inquestionável. O julgamento ora em curso pelo Supremo Tribunal Federal (STF) é apenas a ratificação disto, haja vista que o conjunto de provas juntadas pela PGR e pela Comissão Parlamentar de Inquéritos (CPI), que apurou o caso, é absolutamente consistente e robusto.
A apelação do ex-presidente Lula da Silva, no afã de limpar a imagem de seu governo para a história, e a insistência da cúpula do PT de que “o MENSALÃO não existiu”, que foi uma “farsa” da oposição e da imprensa, com o tempo vai sendo desmistificada. Certamente a verdade prevalecerá!
Lamentável é que o PT, na tentativa de apagar o MENSALÃO, através de sua cúpula partidária, sem a exclusão do ex-presidente Lula da Silva, tenha usado de métodos tão baixos para influir no processo. Não foram poucas as mentiras, calúnias e difamações atiradas no intuito de silenciar as instituições mais nobres da República. A fúria petista contra Renato Gurgel, Procurador Geral da República, é um bom exemplo disto.
Contudo, não bastaram a esses dirigentes os insucessos de tão ardilosas ofensivas. Agora o presidente da legenda, Rui Falcão, vem em público dizer que a condenação do deputado João Paulo Cunha (PT-SP) pelo STF é mais um golpe da oposição “conservadora, suja e reacionária”.
Rui Falcão também não deixa de atacar a mídia e o Judiciário, ameaçando a todos para que “não mexam com o PT, porque quando é provocado ele cresce e reage”. Acusou ainda o STF de estar a serviço da oposição, em um jogo baixo de atacar, para se defender.
Assim, mais uma vez a atitude de Falcão chega bem próximo da irresponsabilidade e do ridículo - esse é um argumento que só se presta para alimentar os seus pares raivosos e inconseqüentes, pois não ecoa nas pessoas esclarecidas. Primeiro, porque o STF está a serviço da nação brasileira, e não do partido que ora ocupa o poder no Planalto; segundo, porque há ainda muitos brasileiros informados, que zelam pelo estado de direito e pela democracia.
A maioria do povo brasileiro também não deseja uma ditadura; nem um país com um partido único, sem oposição e sem liberdade de imprensa. Não queremos, em hipótese alguma, pessoas e justiça amordaçadas, nos moldes como deseja e se expressa Rui Falcão.
Não podemos nos esquecer que é graças à oposição que o MENSALÃO do PT chegou ao STF; que é pela imprensa livre que sete ministros de Estado tiveram que ser demitidos pela presidente Dilma Rousseff, por graves suspeitas de corrupção; que é pela democracia que temos ainda liberdade de pensamento e de expressão.
Em momento nenhum Rui Falcão reclama do andamento da CPMI que investiga as relações de Carlinhos Cachoeira com os políticos e empresários; nem solicita a seus companheiros para que façam um trabalho com desvelo e celeridade. O problema é que Rui Falcão não tem compromisso com os valores mais nobres, que deveriam nortear nossa política e andam esquecidos pelos atuais dirigentes.
Mas, com o tempo, o próprio povo aprende a enxergar seus dirigentes e resolve dar a resposta nas urnas. A história mostra que não há poder que dure para sempre.