sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Se a qualidade não melhora, mudam-se os números

O ministro da Educação Aloísio Mercadante já “revogou” o irrevogável, quando líder do PT no Senado Federal, ainda no governo de Lula da Silva. Agora no ministério da Educação (MEC) Mercadante vem propondo medidas heterodoxas para melhorar a avaliação do ensino médio, mostrando-se incomodado com os resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB).
As propostas de Mercadante têm merecido duras críticas, haja vista que o problema central da educação não se resume simplesmente à melhoria das notas do IDEB. As notas são apenas conseqüências da qualidade da escola e do aprendizado.
Não basta ao ministro a intenção de diminuir o número de disciplinas; também, agora quer a substituição do IDEB pela prova anual do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), pois, segundo ele, é “o ENEM que realmente avalia a qualidade do ensino médio”. A justificativa apresentada é de que o estudante se dedica mais para a prova do ENEM, uma vez que essa nota pode ser usada como parâmetro no vestibular, ou para o acesso direto às universidades.
Todavia, as avaliações têm objetivos distintos: O IDEB visa avaliar a qualidade do ensino e o desempenho de cada escola; o ENEM a avaliar o aluno. Além disso, a mudança de critérios compromete a série histórica da avaliação, como têm mencionado importantes autoridades e estudiosos do setor.
Para Priscila Cruz, diretora executiva do movimento “Todos pela Educação”, o IDEB é “uma das referências mais importantes para o acompanhamento dos avanços e retrocessos da área no País, combinando resultados de desempenho com fluxo escolar. Ainda que não seja um indicador perfeito, a partir de seus dados é possível avaliar as conseqüências das políticas e agir para que se ponha em prática os aperfeiçoamentos e as correções necessárias”.
Diz ainda que “devemos aprender com os resultados do IDEB, buscando entender melhor o que as médias escondem ou trazem de aprendizagem para garantir a oferta de uma educação de qualidade para todos, em todo Brasil”.
Wilson Risolia, secretário de estado da educação do Rio de Janeiro, tem posição análoga à de Priscila Cruz. Para ele “com a atual avaliação, já conseguimos montar uma série histórica, que é a condição essencial para realizar análises críticas. É somente trabalhando em cima desse histórico que podemos perceber a evolução das escolas e, assim, fazer as correções necessárias”.
Para muitos a intenção do ministro Aloizio Mercadante é maquiar as notas do IDEB. Ele nega, naturalmente, como negam todos os políticos quando estão diante de uma denúncia de algum de seus maus feitos.
Esse é um mal que pagamos no Brasil, porque aqui a escolha do ministro, mesmo em áreas técnicas e essenciais, é de livre provimento; não há pré-requisito para escolha. Assim, para um ministério eminentemente técnico, pode-se nomear qualquer político. Lamentável!
Então, para encerrar, vale o que veiculou Reinaldo Azevedo em sua coluna no site da revista “Veja” nesta semana: “É surrealismo!... Como os números estão ruins, Mercadante resolveu produzir números melhores sem mudar a qualidade da educação, entenderam? É o jeito petista de fazer as coisas. Assim, quem sabe o ministro entre para a história como o responsável pelo maior salto jamais havido no IDEB!!! É impressionante!”.
Creio, assim, que não precisamos acrescentar mais nada...