sexta-feira, 23 de março de 2012

A realidade é que somos subdesenvolvidos...

No último domingo vimos no “Fantástico”, empresas prestadoras de serviços ao governo, flagradas em negociação de propinas, em troca de contratos junto ao Hospital Pediátrico da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Um escândalo vergonhoso do submundo da corrupção, que ajudou a ofuscar a rebelião da base do governo no Congresso, durante esta semana.
O que assistimos, certamente, é apenas uma pequena parte - talvez mínima. Mas, estarrecedoras! Falou-se até em “ética do mercado”, como se houvesse ética em roubar o dinheiro público. Pela naturalidade com que os corruptores oferecem vantagens, bem como pelo teor das conversas, percebe-se claramente que a corrupção parece um fato rotineiro, quase “normal” nas negociações dos contratos públicos.
A percepção que ficou, então, é a de que a corrupção no Brasil é realmente endêmica; que hoje está presente em todos os setores da vida nacional, independente de ser público ou privado.
Neste caso específico, todas as medidas de ordem legal foram tomadas: a Polícia Federal abriu inquérito e iniciou a investigação; o Tribunal de Contas da União (TCU) determinou a realização de auditoria em todos os hospitais universitários federais; os governos federal, estadual e o da prefeitura do Rio de Janeiro se mobilizaram para o cancelamento de contratos.
No entanto, a mobilização que ora acontece pode não passar de mais uma iniciativa para satisfazer a opinião pública. Temos visto fatos similares caírem no esquecimento e depois de algum tempo tudo voltar ao “normal”.
Creio que o problema maior não está no “jeitinho brasileiro” de sair burlando as coisas, nem no capitalismo moderno. Acho que tudo isto é parte de nosso subdesenvolvimento, haja vista que os menores indicadores de corrupção são exatamente os dos países que apresentam melhores indicadores de desenvolvimento humano.
Países como Noruega, Finlândia, Dinamarca, Holanda, Suécia, Canadá, Suíça, entre outros, apresentam uma forte correlação entre o desenvolvimento humano e a baixa incidência de corrupção. Como conseqüência, são esses mesmos países os que têm menores indicadores de criminalidade.
Aqui, não sabemos respeitar ainda o direito do outro. Nos preocupamos somente com os nossos direitos. Também, quase nunca pensamos nos nossos deveres. Basta olhar para a maioria dos nossos políticos, por retratar com certa fidelidade o perfil da nossa gente.
Toda sociedade perde com a corrupção. Perdemos por não ter um sistema de saúde de qualidade, acessível a todos; por não ter uma escola para formar pessoas inovadoras, criativas e empreendedoras; pelo circulo vicioso entre o aumento da violência e dos gastos com a segurança pública. Enfim, perdemos todos, pagando muito mais impostos sem retorno.
De tudo isto, fica como positivo o papel da imprensa séria. É através dessa imprensa que tomamos conhecimento de casos como o do “Hospital Pediátrico da UFRJ” e dos recentes escândalos de corrupção das ONG’s e de outros malfeitos em vários ministérios.
Não é por acaso que são os mesmos que falam em controle da imprensa, os que sustentam o nosso subdesenvolvimento.