sexta-feira, 8 de julho de 2011

Certeza da impunidade

Mal deu tempo de esfriar o caso de enriquecimento do ex-ministro Antônio Palocci, aparece de novo mais um escândalo. Desta vez no lote concedido pelo governo, para afagar o Partido da República (PR): O Ministério dos Transportes - MT.
Pela denúncia da revista “Veja” formou-se uma verdadeira quadrilha naquele ministério. A propina seria de 4% sobre os contratos das obras e de 5% sobre as empresas de consultoria; o dinheiro arrecadado rateado entre o Partido e os parlamentares eleitos – uma nova forma de MENSALÃO.
Desta vez, entretanto, a presidenta Dilma ágil rápido. Determinou que o ministro Alfredo Nascimento afastasse todos os denunciados - seus “cumpanheiros” de partido - e que apurasse o caso.
Com este ato a presidenta quis preservar o ministro. Tanto por ser uma indicação pessoal do ex-presidente Lula da Silva, como para não perder o apoio do PR. Assim, mais uma vez errou, pois deveria tê-lo imediatamente demitido, pelo menos até que a denúncia fosse plenamente elucidada.
Pelas manifestações dos parlamentares do PR, o ministro contava com pleno apoio do partido. E, por lamentável, todos saíram em seu apoio, mostrando-se ainda ressentidos com a presidenta pelo afastamento dos aliados demitidos, sem qualquer preocupação com a probidade administrativa e com a ética.
Pelo visto, tanto o ministro, que se tornou insustentável e agora volta a ocupar a presidência do PR, como os demais “cumpanheiros” afastados têm importância estratégica para o partido; mas certamente nenhum deles tem o perfil de servidores dos quais o Brasil precisa. 
Prova disto é o que diz o governador do Ceará, Cid Gomes, que classifica o ex-ministro Alfredo Nascimento como “inepto, incompetente e desonesto”, conforme editorial do jornal “O Estado de São Paulo”, da última terça-feira. Cid Gomes não faria uma intervenção desta, tão séria, se não tivesse elementos para sustentá-la.
Pesou também contra o ministro o inquérito do Ministério Público Federal, que apura o aumento de capital da firma de seu filho, em 86.500 %, em apenas dois anos, conforme denunciado pelo jornal “Globo” na quarta-feira. Seria impossível que o governo do PT não soubesse disto.
Outro caso “desconhecido” do governo é o do Sr. Luiz Antônio Pagot, diretor afastado do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (Dnit). Pagot quando nomeado já era réu, por improbidade administrativa, depois de acumular cargo público no Senado e a direção de empresa privada, simultaneamente. “Uma grave ofensa à Lei e ao princípio de moralidade”, conforme o Ministério Público Federal.
Mas não é só. O secretário - geral do PR, Valdemar da Costa Neto, réu no escândalo do MENSALÃO, emitiu nota dizendo que a cúpula da legenda tem reuniões sistemáticas no MT, que “buscam garantir benfeitorias federais para as regiões representadas por lideranças políticas do PR”. É o MT a serviço de um partido, em detrimento do interesse público e do país.
Pelas evidências o MT se transformou em um verdadeiro balcão de negócios. (Será que o mesmo não acontece em outros ministérios?). Somente neste ano, onze contratos de obras de estradas e ferrovias tiveram os valores aumentados, mesmo com irregularidades apontadas pelo Tribunal de Contas da União – TCU.
Enfim, o ministro caiu; mas não abre mão de continuar sua influência no MT. O PR, por sua vez, se acha proprietário do ministério.
Tudo isto demonstra que os políticos, com raras exceções, já não se importam com a ética, com a preservação dos valores morais e com a observância das leis, pela certeza da impunidade.