quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Venezuela - Um futuro sombrio

A Venezuela, um dos maiores produtores de petróleo no mundo, chegou ao fundo do poço, depois de 17 anos de governos “bolivarianistas”, ou socialismo do século XXI, conforme gostava de nominar o ex-presidente Hugo Chávez (1954-2013) ao sistema de governo introduzido por ele em 1999. Carismático e populista, antes de falecer prematuramente, em 2013, escolheu a dedo como sucessor o seu vice-presidente e um dos mais fieis escudeiros: o sindicalista Nicolás Maduro.
Enquanto o preço do petróleo transitava lá em cima, nas nuvens, os socialistas bolivarianos vangloriavam-se em reduzir a pobreza na Venezuela, de 50% para pouco mais de 25% da população. O sucesso do governo era sempre atribuído a “competência” de Hugo Chávez e ao sistema. Assim, a bonança no valor das commodities foi sendo negligenciada como se fosse eterna, ao mesmo tempo em que o mercado tornava-se secundário frente ao Estado.
Com a alteração do humor no mercado mundial os preços das commodities despencaram, e da noite para o dia a Venezuela passou a enfrentar uma nova realidade: falta de alimentos, de produtos de higiene e limpeza, de medicamentos, de energia elétrica, entre tantos outros itens básicos. Paralelamente a inflação disparou, diminuindo o poder de compra da população, principalmente dos mais pobres.
Para atenuar essa situação, no último dia 7 de janeiro o presidente Nicolás Maduro concedeu um novo aumento para o salário mínimo (SM), na ordem de 50%. Isto elevou o salário mínimo na Venezuela para 40.638 bolívares, o que equivale a aproximadamente 12 dólares ou cerca de R$ 38,00.
Os problemas políticos, sociais e econômicos da Venezuela, segundo Nicolás Maduro e seus partidários, são decorrentes da “ganância dos empresários”, da “ultra-direita oposicionista”, da “elite golpista”, da imprensa - nos últimos anos a imprensa livre e independente foi severamente tolhida - entre tantos outros jargões conhecidos dos brasileiros.
Não obstante à crise, os venezuelanos ainda perderam o direito de escolher seus governantes, ao ver esgotar a possibilidade de um plebiscito revogatório – princípio Constitucional adotado na Venezuela, que dá ao povo o poder de trocar o governante. E a Casa do Povo, o Congresso, foi colocada à margem do poder, tal como se não existisse, enquanto a Suprema Corte totalmente aparelhada por “chavistas”.
Desta forma, Maduro se impõe cada vez mais como um ditador radical, perseguindo tenazmente seus opositores, inclusive mantendo dezenas de presos políticos. Esta semana, para inibir ainda mais a oposição, acabou por criar um “Comitê de Defesa da Revolução”, ao modelo de Cuba, para intensificar a repressão aos seus desafetos.
Independente das riquezas da Venezuela, o país vai se tornando um dos mais pobres e de maior violência no mundo. Segundo o Observatório Venezuelano da Violência, no ano passado foram contabilizados 28.479 homicídios - uma morte violenta a cada 18 minutos. A pensar que este é o país que “tem democracia em excesso”, conforme afirmação de nosso ex-presidente Lula da Silva (PT-SP), há que questionar: - Em que mundo estamos?