sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Tempestade perfeita.

Com o fim da era lulopetista no último dia 31 de agosto, quando o Senado Federal sacramentou o processo de impeachment contra a ex-presidente Dilma Rousseff (PT-RS), o Brasil acordou do pesadelo que jogou a nação na mais profunda crise econômica, ética e política. Na esfera do poder Executivo, o problema mais grave é a desarrumação da economia, que necessita de medidas urgentes para reversão do atual quadro que afeta diretamente a vida de todos os brasileiros.
Entre as adversidades mais graves a serem enfrentadas pela equipe econômica sob o comando do ministro Henrique Meireles está o desemprego. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no encerramento do mês de agosto, o Brasil contava com mais de 12 milhões de desempregados, o que é o pior resultado desde que a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua (Pnad Contínua) foi iniciada no ano de 2012, pelo IBGE.
No período de um ano, na comparação do trimestre encerrado em agosto último com o do ano passado, houve um aumento de 36,6% no desemprego, o que equivale a 3,22 milhões a mais de pessoas buscando emprego no mercado de trabalho. E a perspectiva para os próximos meses é de que o desemprego continue crescendo, enquanto a renda média real do trabalhador a diminuir. No mesmo trimestre encerrado em agosto a renda média real diminuiu em 1,7% com relação ao mesmo período ano anterior.
A questão do desemprego só será revertida quando melhorarem as perspectivas do equilíbrio fiscal, pelo menos a médio prazo. Todavia, a dívida bruta do setor público brasileiro continua avançando. No encerramento de agosto ela alcançou R$ 4,272 trilhões, o que corresponde a 70,1% do nosso Produto Interno Bruto (PIB), novo recorde da série histórica, conforme relatório do Banco Central (BC). A previsão do BC é de que a dívida bruta ao final de dezembro do corrente ano alcance o montante de 73,0% do PIB.
O aumento da dívida pública expressa de forma clara e transparente a falta de zelo do governo deposto com a Lei de Responsabilidade Fiscal – Lei Complementar nº 101, de 4 de maio de 2000. Tal lei, até então, constituía uma das principais âncoras para a manutenção da estabilidade da economia brasileira, da forma como vivenciada na década passada.
Mas, ainda no derradeiro agosto da ex-presidente Dilma Rousseff, o Brasil teve uma das piores arrecadações de impostos e contribuições, que somaram apenas R$ 91,81 bilhões, insuficiente para cobrir sequer as despesas correntes do governo. Isto elevou o déficit primário (não consideradas as despesas com pagamento de juros) acumulado no ano, de janeiro a agosto, para R$ 71,42 bilhões. Este é o maior déficit primário em toda série histórica, quando iniciada em janeiro de1997.
Entretanto, a tomada das medidas necessárias, que imperativamente serão duras para os trabalhadores, vêm sendo proteladas pelo Legislativo, em função das eleições municipais. Lamentavelmente, os políticos adoram privilégios e gastança, mas, por falta grandeza (ou covardia?), sempre resistem às deliberações mais duras, mesmo quando absolutamente necessárias, para livrarem-se de possíveis impopularidades. A desgraça pode valer-se para a nação, nunca para eles!
No âmbito do Judiciário continuarão as operações relativas à Operação Lava-Jato, que vão desvendando a roubalheira instalada pelo crime organizado em Brasília, sem precedente em nossa história. Oxalá depois da Lava-Jato o Brasil também possa avançar no aspecto ético, inibindo a impunidade? Mas, de uma coisa podemos ter certeza: a dimensão da crise brasileira é enorme e demandará muito trabalho e tempo para alcançarmos um novo ciclo de prosperidade.