quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Lastreando o vírus da incompetência.


Mesmo depois de elevar a alíquota de uma série de impostos e tomar outras medidas para aumentar as receitas, como não corrigir a tabela de descontos do Imposto de Renda de 2016, o governo da presidente Dilma Rousseff (PT-RS) não conseguirá cumprir a meta de superávit primário prometido para este ano, de 0,6% do Produto Interno Bruto (PIB). Por esta razão, a equipe do ministro Nelson Barbosa já estuda flexibilizar essa meta, de modo a permitir um déficit primário entre 0,5% e 1,0% do PIB.
O motivo é que o governo não consegue conter os gastos públicos e continua a desembolsar mais dinheiro do que o Tesouro Nacional arrecada. Como exemplo, dos três mil cargos que seriam extintos, por decisão da presidente, somente nove efetivamente foram diminuídos. E o toma lá dá cá continua solto como forma de manter o governo. Para cobrir o rombo, então, prioriza-se o aumento das receitas e trabalha-se pela volta da CPMF. Como sempre, o dinheiro acabará por sair dos bolsos dos contribuintes.
Os principais indicadores econômicos e financeiros nos dão conta de que a atual situação do Brasil é gravíssima; que a crise atual tem uma dimensão bem maior do que outras anteriores. Na realidade o Brasil quebrou pela inépcia dos últimos governos. Assim, por mais um ano o país não conseguirá poupar nem um único centavo para o pagamento dos juros da dívida pública, que dia a dia cresce aceleradamente.
Por isto, várias empresas de consultoria e analistas de mercado projetam para este ano uma recessão entre 3% e 4% do PIB. Segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), nosso país terá a segunda pior performance econômica entre os demais países, só perdendo para a Venezuela. Daí o novo rebaixamento pela agência de classificação de risco Standard & Poor’s, que levou o Brasil ao mesmo patamar da Bolívia, Guatemala e Paraguai.
Se não estivéssemos vivendo essa realidade, quando a grande maioria dos brasileiros já sente no bolso que está pagando a conta, veríamos o governo da presidente Dilma Rousseff chamando esses segmentos altamente especializados de agourentos, de alarmistas, de pregadores do caos. Mas, a consolidação de economia forte não se faz com discurso, nem com demagogia.
Até bem pouco tempo a presidente Dilma Rousseff e o então ministro da Fazenda Guido Mantega (PT-SP), em uníssono com o ex-presidente Lula e o PT, anunciavam um país às mil maravilhas. Afinal, a presidente fora vendida ao Brasil desavisado como uma “excelente gestora”, “doutora em economia”, com capacidade de resolver todos os problemas nacionais.
Daí o desespero do ex-presidente e do PT em reverter a atual crise, como se todos os estragos realizados no passado pudessem ser corrigidos com um toque de mágica. A realidade é que o governo petista inflou o Estado, acumulando dívidas sobre dívidas, e agora não sobra mais dinheiro para pagar as contas. E, para piorar, falta-lhe ainda determinação e competência para tomar as medidas necessárias.
Segundo o ex-presidente Lula “o governo tem até junho para mostrar a recuperação da economia... porque senão o povo não defenderá o governo”. Só que o Brasil de agora não navega no mesmo céu de brigadeiro de seu tempo, quando o preço das nossas commodities e o crescimento da China impulsionavam nossa economia. Naquela época o ex-presidente julgava-se como o “cara”, transformador do Brasil e do mundo.

É impossível, entretanto, uma recuperação tão rápida, sem os lastros necessários. Medidas populistas e de resultados imediatos, conforme pretensões do PT, só servirão para comprometer ainda mais o futuro. Outro ponto é que ninguém confia mais nesse governo, depois de tantos escândalos e demonstrações de incompetência. Economia é tal qual o Aedes aegypti, se não tomadas as precauções necessárias, em tempo hábil, lá na frente a tragédia aparece, e, queiram ou não, todos sofrem as consequências.