sexta-feira, 4 de abril de 2014

Ignorância e golpismo

O socialismo bolivariano da Venezuela é hoje na América do Sul o maior exemplo de decadência econômica e política. Falta quase tudo de produtos básicos nos supermercados, o que obriga as pessoas a disputarem a tapas os produtos contingenciados, depois de enfrentarem filas quilométricas. A inflação real há tempo ultrapassa a casa dos 50%, enquanto a gasolina permanece congelada a preço irrisório. Em suma, os fundamentos econômicos foram colocados de lado, em favor do populismo.

O tabelamento de preços e a estatização de vários segmentos econômicos levaram o país a um verdadeiro caos. A Venezuela se desindustrializou e passou a depender da importação de quase tudo que consome. Enquanto jorrava altas divisas do petróleo o sistema se sustentava. Mas, com o aumento das importações e o excesso das chamadas “benevolências populistas”, a Venezuela vai se transformando em um país falido.

Na área política a situação é igualmente crítica.  Fala-se em democracia, porém a oposição é reprimida de todas as formas. Também não existe liberdade de imprensa, pois o regime bolivariano esfacelou o pensamento independente, intervindo ou fechando cada um de seus meios. Outro ponto crítico é a justiça totalmente atrelada à vontade do governo, de modo bem similar à justiça cubana.

Diariamente o mundo assiste os protestos que se espalharam pelas principais cidades venezuelanas. Nos últimos meses já foram contabilizados 39 mortes e centenas de opositores feridos. A repressão, entretanto, não está limitada a ação da polícia. Tem, ainda, a das milícias populares armadas, herança da era Hugo Chavéz para sustentação do poder.

Esta semana o Brasil recebeu a visita da deputada venezuelana Maria Corina Machada, recentemente cassada pela Assembléia Nacional e pelo Tribunal Supremo da Venezuela.  Segundo ela, em seu país “não há democracia, mas um regime que atua como uma ditadura”, por não respeitar as instituições e os direitos humanos.

A deputada Maria Corina criticou a passividade dos governos da América Latina diante das atrocidades cometidas pelo atual governo. Com propriedade disse ser “incompreensível que países que foram tão ativos nas crises políticas no Paraguai e Honduras, dêem as costas para a Venezuela”, da forma, aliás, como vem fazendo o governo brasileiro na atual crise daquele país.

Em tom de desabafo e apelo, disse ainda: - Quantas violações aos direitos humanos, quantos venezuelanos assassinados, perseguidos e torturados ainda temos que passar no país para que os democráticos do hemisfério escutem a nossa voz?

Embora os fatos relatados pela deputada possam ser comprovados, pela ampla liberdade de imprensa que usufruímos no Brasil - que inclusive preserva nossos valores democráticos -, a deputada Maria Corina foi interrompida no Senado Federal por manifestantes, que a chamavam de “golpista”. Por solidária ao vermelho, a senadora Vanessa Graziotin (PCdoB-AM) contestou o vídeo apresentado pela deputada Corina, como se a Venezuela fosse um país maravilha.


Vimos em mais este episódio a repetição de cenas de ignorância e intolerância políticas, bem similares às da visita da blogueira cubana Yoani Sánchez ao Brasil. Estes manifestantes demonstram em seus atos que não estão nem aí para as questões dos direitos humanos; muito menos para os milhares de assassinatos da ditadura cubana, pois Cuba é o país que tanto eles cultuam.