sexta-feira, 14 de junho de 2013

Vendendo gato por lebre


O ex-presidente Lula da Silva, quando questionado sobre o lançamento antecipado da candidatura da presidente Dilma Rousseff à reeleição, disse que o fim era tirá-lo do foco, dado a insistência de inúmeros aliados por sua candidatura. Tivemos então o processo eleitoral antecipado, em um momento que o país e o mundo passam por problemas econômicos de absoluta relevância, que precisam ser enfrentados.

Em contrapartida, na quarta-feira a presidente Dilma Rousseff disse que a inflação e as contas públicas estão controladas, tentando fazer crer que a situação brasileira é confortável, mesmo diante de tantos indicadores desfavoráveis. É que em campanha a presidente não mede esforço para manter a popularidade. Então, infla os discursos, recheando-os de anúncios de mais gastos públicos e de ataques a todos que discordem de seu governo, como “dona” da verdade.

Nos últimos dias, todavia, a agência internacional Standard & Poor’s elevou o grau de risco do Brasil, aumentando a desconfiança dos investidores internacionais sobre a capacidade do Brasil enfrentar a crise. Desde maio o “risco Brasil” não parou de crescer; subiu 40%, principalmente pelo baixo crescimento do PIB e do aumento da dívida bruta.

O baixo crescimento do Brasil, durante o governo de Dilma Rousseff, é uma realidade. Em 2011 o PIB cresceu 2,7%; em 2012, apenas 0,9%; as estimativas para este ano são de 2,5%, com viés de baixa.

O valor da dívida bruta triplicou nos últimos 10 anos, saltando para mais de R$ 3,0 trilhões, montante superior a 65% do PIB nacional, muito acima da média das nações emergentes, que é de 35% do PIB.

Estes números são realidade, não é “terrorismo”, como nos quer fazer crer a presidente Dilma Rousseff e os “formadores de opinião” de seu partido. As agências de classificação de risco sempre se baseiam em dados reais.

No plano interno não são poucos os economistas que estão alertando para o perigo do descontrole da economia. O economista Mário Garcia, da PUC-RJ, diz que “a luz amarela foi acesa”, quando se observa a questão fiscal, a inflação e o balanço de pagamentos. Observa, ainda, para o perigo da maquiagem das contas públicas, conforme vem fazendo o governo para aumentar o superávit primário, pelo dano que traz à credibilidade.

Também são dados reais: que os incentivos fiscais concedidos pelo governo não vem dando os resultados esperados; que a inflação está acima da meta; que neste ano acumulamos até o mês passado um déficit de US$ 5,4 bilhões na balança comercial - o maior da história; que a classe emergente encontra-se endividada, sem poder de consumo.
Poderíamos acrescentar ainda o processo de desindustrialização do país, o inchado da máquina pública com 39 ministérios, a falta de investimentos – principalmente em infraestrutura, o excesso de intervenção na economia, o assalto ao FGTS do trabalhador, para o custeio do “Minha Casa, Minha Vida”, entre outros questionamentos, sem entrar no mérito da qualidade da educação e da saúde.

Mas, citamos apenas outro dado importante que mostra a situação do Brasil comparado a outros países: o grau de abertura da nossa economia. De acordo com a Câmara Internacional do Comércio ocupamos a 67ª posição em um ranking de 75 países. Nesse ponto estamos na pior posição entre as 20 maiores economias do mundo e atrás da África do Sul, China, índia e Rússia, demais países entre os Brins.

Com discurso podemos até acabar com a miséria e mudar a nossa colocação entre os piores indicadores do Desenvolvimento Humano. Contudo, nenhum processo eleitoral, mesmo antecipado, poderá mudar a realidade.