sexta-feira, 15 de março de 2013

As “muvucas” do Lacerda


O amigo Lacerda é sem par. Não há outro João Coelho parecido! Sua popularidade é tanta, que em todo lugar sempre encontra um amigo. Pode ser em Friburgo, São Luiz do Maranhão, Alto Caparaó, Natal ou Porto Seguro. Nas caminhadas de Iriri a Piúma é: Ei Lacerda, olá Lacerda, “cumé” que tá Lacerda, Lacerda... Só dá Lacerda na ida e na volta!
Para nossa sorte, sua esposa Olguinha é muitíssimo amiga nossa – minha, como da Cristina e de toda confraria dos amigos da parte de cima da Padre Anchieta e adjacências, em Iriri. Mas, mesmo com toda popularidade, Lacerda jamais será político. Olguinha mesmo já disse que Lacerda não terá o voto dela, justificando que ele não será um bom político.
Só que Olguinha se esqueceu, de que Lacerda entende tudo da Lei 8.666, que é doutor em preparação de Edital de Licitação, e que ninguém o engana quando o assunto é uma concorrência pública. Além de tudo é honesto! Por isto, tenho absoluta certeza, que ele seria um vereador ou deputado exemplar; desses que sabem fiscalizar e cumprir a função de legislar, em benefício da boa gestão pública.
Lacerda sempre tem seu roteiro do dia bem definido. É tudo muito bem programado, para não perder um segundo de vida. Há quinze dias fomos surpreendidos com sua chegada a Cachoeiro, com a Olguinha, numa quinta-feira; exclusivamente para comer a língua de boi do “Bom Gosto”- a melhor língua do mundo. Simplesmente comeu a língua com água, pela “Lei Seca”, e voltou logo em seguida para Iriri.
Cristina e meu filho Pedro foram encontrá-los. Quando chegaram em casa, disseram que Olguinha perguntou: - Lacerda, você vai comer a língua sozinho? (Porque ninguém gostava de língua). Então, Lacerda respondeu: Sozinho não Olguinha, com a alface! Ele sempre tem uma resposta para tudo!
Certa noite, Olguinha falou com Lacerda que não estava conseguindo dormir,  com sua tosse. Lacerda, então, prontamente emendou: - Olguinha, eu não tive tempo de tossir de dia, por isso é que tenho que tossir de noite.
Lacerda tem a minha idade, mas é do tipo mais jovial que conheço. Sempre de sunga, Nike e Ray Ban. Assim ele chegou à nossa varanda, com seu riso aberto e solto, quando eu tinha na mão meus comprimidos de Rosuvastatina, Bufferin e Atenolol. Espontaneamente falou: - Estou morto de inveja de você! E soltou aquela risada... Ofereci-lhe, então, os comprimidos, quando ele retrucou: - Obrigado! Tenha bom apetite!  
Triste que, uma semana depois, fomos surpreendidos com a repentina internação de Lacerda em uma UTI, em Vitória. Sorte que ele pediu a seu filho, Luizinho, que o levasse imediatamente para o hospital. Sentiu que estava enfartando!
Logo ele que pratica regularmente exercícios. Como enfartar com um corpo atlético, depois de uma caminhada? Ninguém poderia imaginar Lacerda enfartado! Felizmente, pelo pronto atendimento não houve sequelas, mas a “inveja” por tomar os remédios, certamente ele não terá mais.
Lacerda substituiu a inveja por seu lado romântico. Ele conta ter falado para Olguinha, que se tivesse que casar novamente a escolheria como esposa. E diz que ela respondeu: - Lacerda, eu vou pensar! É claro que Olguinha vai pensar, pelas “muvucas” que Lacerda apronta. Mas, indubitavelmente, casaria com Lacerda de novo.