sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

“O tempo é o Senhor da razão”

A privatização - através do regime de concessão - dos aeroportos de Brasília, Campinas e Guarulhos, três dos mais importes aeroportos do Brasil, foi muito bem sucedida. Primeiro, pelo valor alcançado: R$ 24,5 bilhões – 348% acima do preço mínimo; segundo, porque a reação contrária dos sindicatos e da CUT, desta vez foi mais contida, mais civilizada, sem quebra-quebras e badernas de rua, como no passado, quando o PT era ainda oposição.
Esse passo do governo do PT, não obstante às contradições com as ideologias do passado, vem de encontro aos interesses do Brasil. É urgente a necessidade de modernização e melhoria da infraestrutura, não só para o crescimento do país, mas também porque estamos às vésperas de uma Copa do Mundo e uma Olimpíada, eventos globais, quando o Brasil se mostrará ao mundo.
No modelo adotado pelo governo, a Infraero permanecerá como sócia do negócio, com 49% dos lucros. Contudo, após o período de transição, que poderá ser de um ano, a gestão será da concessionária. Não se justifica, portanto, a permanência da Infraero, pois essa parte do lucro poderia ir direto para o caixa do governo, para aplicar em outras obras necessárias. A permanência da Infraero, neste caso, é preocupante, pois pode estar vinculada a manutenção de cargos e empreguismos.
Outra preocupação é a grande participação dos fundos de pensão das estatais, particularmente no aeroporto de Guarulhos, que poderá comprometer a eficiência de gestão.
Nos últimos anos, assistimos o Tribunal de Contas de União e a Controladoria Geral paralisarem importantes obras da infraestrutura, inclusive da Infraero, por licitações viciadas, superfaturamento de preços e outras mazelas. Simultaneamente, vimos o sucateamento dos principais aeroportos brasileiros e a construções das famosas “puxadinhas”, numa demonstração inequívoca de ineficiência.
Fica evidente que a administração dos grandes aeroportos por empresa pública é um modelo esgotado. Assim, a política de concessão poderá oferecer aos usuários e ao governo muitas vantagens, de modo que não é oportuno chamar as recentes privatizações, realizadas pelo governo do PT, de “PRIVATARIA PETISTA”. Este tipo de chavão não condiz com uma política de grandeza.
Agora, porém, devemos aplaudir as privatizações do PT, como também o entusiasmo e a alegria da presidente Dilma Rousseff diante do resultado do leilão. Vale a lembrança que não há demérito algum na mudança de posição da presidente e do governo. Nosso país precisa se modernizar; não é mais tempo da pedra lascada e das cavernas.
A própria presidente Dilma Rousseff teve a grandeza de reconhecer recentemente a importância do governo de Fernando Henrique Cardoso para o êxito do Brasil de hoje. Não foi a toa que o economista Murilo Portugal foi mantido por Antônio Palocci no Ministério da Fazenda e Henrique Meireles – eleito naquela ocasião deputado federal pelo PSDB por Goiás – escolhido para presidir o Banco Central do Brasil, durante o governo do ex-presidente Lula da Silva. 
O sucesso da economia de hoje deve-se a decisões do passado. Valeu ao PT mudar a sua bandeira econômica. Nada como o tempo: O tempo é o Senhor da razão.