sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Largada para a reeleição

O jantar realizado no palácio da Alvorada pela presidente Dilma Rousseff, com as principais lideranças do PT e do PMDB, parece ter sido uma festa com discrição (em dependências públicas, e com dinheiro público). O próprio Secretário Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, chamou o jantar (ou festa?) de “jantar de congratulação”, conforme publicado no site do jornal “Correio Brasiliense” na quarta-feira.
Pela mesma fonte, “o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não participou do jantar, mas se reuniu com Dilma à tarde, na residência oficial. Lula chegou à Alvorada às 15h20 e saiu às 18h40, sem falar com a imprensa”. Portanto, foram mais de três horas de orientações à presidente, para que ela acertasse a medida da sua conversa com os políticos à noite.
A reunião com Lula mostrou-se positiva para Dilma Rousseff . As informações de participantes são de que a presidente estampava um excelente humor, bem diferente de seu comportamento habitual. O ambiente também estava na perfeita ordem, descontraído; todos muito à vontade! Até mesmo Rui Falcão, presidente do PT, era pura alegria. Nem parecia o mesmo dirigente descontrolado e raivoso, “perseguido” por tudo e por todos.
Josias de Souza, articulista da “Folha de São Paulo”, em seu blog, diz que a presidente “celebrou o fato de as disputas não terem produzido prejuízos para a boa convivência das legendas que apoiam o governo no Congresso”. Depois, satisfeita, celebrou com elogios o apoio que o então candidato de seu partido (PT), Fernando Haddad, recebeu do PMDB em São Paulo.
O apoio de Gabriel Chalita (PMDB-SP), para a presidente, foi fundamental e decisivo para a vitória do PT. Sua admiração por Chalita ficou tão evidente, que até o credencia a ocupar em breve um ministério.
Para acomodar os aliados, todos de “absoluta competência”, a Câmara dos Deputados já aprovou a criação da Secretaria da Micro e Pequena Empresa, com status de ministério. E este será o 40º ministério da presidente Dilma Rousseff. É claro que a oposição “golpista” (PSDB, PPS e DEM) esbravejou. Mas, para os aliados, a presidente necessita da nova Secretaria, que nasce com mais 60 cargos de assessores de confiança, para acelerar nosso desenvolvimento.
Voltando ao jantar (ou a festa?), a “congratulação” entre o PT e o PMDB foi tão amistosa, que a presidente e os lideres petistas presentes reforçaram a aliança entre as legendas, sinalizando o apoio a Renan Calheiros (PMDB-AL) para a presidência do Senado, e a Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) para a Câmara dos Deputados. O poder da descontração era tanto, que a presidente se esqueceu que até há pouco tempo Calheiros era um dos seus desafetos.
Josias de Souza diz ainda em seu blog, que José Sarney (PMDB-AC), presidente do Senado, “interveio a certa altura para bajular Dilma. Disse que os partidos deviam o bom desempenho nas urnas à anfitriã”. Então, não duvidemos que esse gesto nobre de Sarney é também uma retribuição à presidente, pelo acolhimento da candidatura de Renan Calheiros.
Ah! Paulo Maluf não se encontrava presente no “jantar de congratulação” (ou festa?) porque só foram convidadas as principais lideranças do PT e do PMDB. Não podemos nos esquecer, que o deputado Paulo Maluf é do PP (SP).
Contudo, com certeza virão ainda outros “jantares de congratulação” (?). Não faltarão oportunidades para os que não foram convidados. Afinal, foi dada a largada para a reeleição.